Novo coronavírus. Tire suas dúvidas aqui!

Por: Fiocruz Brasília
23/03/2020

A Fiocruz Brasília tem recebido por e-mail e redes sociais muitas perguntas sobre o novo coronavírus e a doença que ele causa, a Covid-19. É normal que apareçam várias dúvidas e o ideal é esse mesmo: buscar fontes de informação confiáveis! Para esclarecer as questões, em conjunto com a equipe do Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde (NEVS/Fiocruz Brasíia), foram criadas duas estratégias: o podcast “Viralizados”, já disponível nas plataformas Spotify e SoundCloud, e um guia de perguntas e respostas, que você confere a seguir.

 

Para buscar algum conteúdo específico nesta página, você pode usar o comando Ctrl + F, no teclado do seu computador, e digitar uma palavra-chave para localizá-la. 

 

Leu o guia e ouviu o podcast, mas não encontrou a resposta que procurava? Não se preocupe. As duas estratégias estão em permanente atualização e, em breve, teremos mais informações aqui. Inclusive, as respostas poderão ser atualizadas conforme avançam as evidências científicas sobre o assunto. Não deixe de acessar o nosso site e indicá-lo aos amigos e à família.  

 

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

 

Após quanto tempo da infecção as pessoas começam a sentir os sintomas?

RESPOSTA: Os sintomas da infecção podem aparecer entre 2 e 14 dias após a exposição ao vírus.

 

 

Quais os primeiros sintomas?

RESPOSTA: Os sintomas da Covid-19 são bastante parecidos com os da gripe: febre, tosse e dificuldade para respirar. Entretanto, por ser um vírus recentemente descoberto, ainda são necessários mais estudos e investigações para caracterizar melhor os sinais e sintomas. A pessoa deve procurar uma unidade de saúde caso os sintomas se agravem, com falta de ar, por exemplo.

 

 

Como são os sintomas respiratórios de quem está com Covid-19?

RESPOSTA: Os sinais e sintomas do novo coronavírus (SARS-CoV-2) são principalmente respiratórios. Ele pode causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias. No entanto, ainda são necessários mais estudos e investigações para caracterizar melhor os sinais e sintomas da doença. Para outras informações, acesse o quadro comparativo entre coronavírus, resfriado e gripe.

 

 

Como diferenciar uma crise alérgica dos sintomas do coronavírus? Todo infectado que manifesta sintomas terá febre?

RESPOSTA: Os sintomas da Covid-19 são parecidos com os da gripe e, portanto, podem ser confundidos com os de várias outras doenças. Pode ou não haver febre, embora ela seja um sintoma bastante comum. Na alergia respiratória, os sintomas, geralmente, são espirros, tosse, olhos irritados e coriza. O importante é se resguardar e, em caso de piora significativa do quadro, procurar uma unidade de saúde. Para outras informações, acesse o quadro comparativo entre coronavírus, resfriado e gripe.

 

 

Que sinais e sintomas devem ser considerados pelos profissionais de saúde na triagem dos pacientes nas unidades de saúde?

RESPOSTA: Todo paciente com sintomas de síndrome gripal: febre maior ou igual a 38°C (aferida ou referida) mais tosse ou dificuldade respiratória ou dor de garganta.

 

 

Como fazer um diagnóstico diferenciado de gripes, resfriados, alergias respiratórias e Covid-19 na Atenção Primária em Saúde? O paciente asmático é um paciente de risco? Como proceder com esses pacientes quando encaminhados para as áreas especiais de atendimento para Covid-19?

RESPOSTA: De acordo com o Protocolo de Manejo Clínico do Coronavírus (Covid-19) na Atenção Primária à Saúde (Versão 6), da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) do Ministério da Saúde, de março de 2020, pacientes com sintomas de síndrome gripal (febre, tosse, dor de garganta e dificuldade respiratória) devem seguir um fluxo de atendimento que inclui a avaliação da gravidade do caso e seu diagnóstico diferencial. Gripes e resfriados claramente se enquadram nessa síndrome, que pode ou não ser decorrente de infecção pelo SARS-CoV-2, causador da Covid-19. Quadros agudos de broncoespasmo também são contemplados no fluxo (em função da dificuldade respiratória), assim como casos recorrentes de broncoespasmo, porque fazem parte do diagnóstico diferencial e podem ser desencadeados por viroses respiratórias, inclusive a Covid-19. O ponto levantado de que o paciente asmático é paciente de risco é pertinente, mas, se forem seguidas as orientações do protocolo, o paciente estará em uso de máscara facial e separado para espera em local apropriado, o que o protegerá, dentro do possível, de adquirir infecção pelo SARS-CoV-2 durante o seu atendimento.

 

 

Como é o teste de diagnóstico?

RESPOSTA: O diagnóstico laboratorial para identificação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é realizado por meio das técnicas RT-PCR em tempo real e sequenciamento parcial ou total do genoma viral. Para o diagnóstico, são coletadas amostras de aspirado de nasofaringe, swabs combinado (nasal/oral) ou, também, amostra de secreção respiratória inferior (escarro, lavado traqueal ou lavado bronco alveolar).

 

 

Para quais pacientes a realização desse teste de diagnóstico é indicada? Por quê?

RESPOSTA: O Ministério da Saúde orienta que, na fase atual de mitigação da epidemia, no cenário de transmissão comunitária, esse diagnóstico etiológico só deva ser realizado em casos de pacientes com síndrome respiratória aguda grave, junto a serviços de urgência/emergência ou hospitalares.

 

 

Os casos que estão sendo monitorados são considerados suspeitos?

RESPOSTA: Sim. Os casos monitorados, ou seja, em investigação epidemiológica, são aqueles que se enquadram em uma das definições de caso suspeito adotadas pelo Ministério da Saúde.

 

 

A interação do vírus com a região do cérebro responsável pelo controle das funções respiratórias já foi comprovada? O quadro respiratório grave nos pacientes infectados é devido a essa possível interação? Se sim, como ocorre essa interação?

RESPOSTA: As manifestações clínicas da Covid-19 são predominantemente respiratórias, e pacientes com sua forma grave apresentam importantes alterações pulmonares visíveis à tomografia de tórax e confirmadas pelos achados de necrópsia. No entanto, demonstrou-se que pacientes com Covid-19 podem desenvolver sintomas neurológicos como dor de cabeça, alteração da consciência e parestesias (sensação de formigamento nas extremidades), além de perda do gosto e do olfato. Invasão do sistema nervoso central já foi observada tanto em humanos como em animais infectados por betacoronavírus, grupo ao qual pertence o SARS-CoV-2, causador da Covid-19. Um desses coronavírus, o SARS-CoV, causador da SARS, pode acometer o tronco cerebral, onde fica o centro respiratório. Por analogia, é possível, em teoria, que haja invasão do tronco cerebral pelo SARS-CoV-2 em pacientes com casos graves de Covid-19. No entanto, esse comprometimento poderia levar a uma insuficiência ventilatória pura, ou seja, que não é causada por acometimento pulmonar. Isso não foi até agora descrito em pacientes com Covid-19, nos quais a insuficiência respiratória é devida primordialmente ao comprometimento pulmonar da doença, com hipoxemia de causa alvéolo capilar. Mais informações:

LI, Y-C.; BAI, W-Z.; HASHIKAWA, T. The neuroinvasive potential of SARS-CoV-2 may play a role in the respiratory failure of Covid-19 patients. J Med Virol, 2020. Disponível em https://doi.org/10.1002/jmv.25728.

WU, Y. et al. Nervous system involvement after infection with Covid-19 and other coronaviruses. Brain, Behavior, and Immunity, no prelo. Disponível em https://doi.org/10.1016/j.bbi.2020.03.031.

 

 

TRATAMENTO

 

Existe algum medicamento específico que tenha ação comprovada contra o novo coronavírus?

RESPOSTA: Não. Ainda não existem medicamentos específicos com ação comprovada contra a Covid-19. O tratamento é feito com base nos sintomas individuais de cada paciente, com o objetivo de evitar o agravamento da doença e reduzir o desconforto. O melhor tratamento ainda é a prevenção.

 

 

Já foi confirmado que não pode utilizar algum medicamento em casos suspeitos e/ou confirmados de coronavírus?

RESPOSTA: Estudos preliminares sugeriram que medicamentos com determinadas substâncias deveriam ser evitados em caso de Covid-19, mas esses estudos são ainda inconclusivos.

 

 

Pessoas que usam medicação para doenças pré-existentes, se infectadas pelo novo coronavírus, devem interromper ou modificar seus tratamentos?

RESPOSTA: Não. Especialistas alertam que pessoas com doenças pré-existentes e/ou comorbidades, antes de interromper qualquer medicação ou tratamento, devem consultar um profissional médico.

 

 

Como deve ser feito o período de quarentena em casa para quem está com sintomas?

RESPOSTA: Deve ser um período de isolamento domiciliar, evitando contato também com os outros moradores da casa, se houver, especialmente se forem idosos ou pessoas com doenças crônicas. Adotar uso de máscara cirúrgica, não compartilhar objetos, lavar frequentemente as mãos, lavar frequentemente o nariz com soro fisiológico. Em relação à casa, limpar frequentemente as superfícies com água sanitária ou álcool 70%. No quarto usado para o isolamento do paciente, manter as janelas abertas para a circulação do ar e a porta fechada durante todo o isolamento, limpando a maçaneta frequentemente com álcool 70% ou água sanitária. Lembre-se de manter uma distância mínima de um metro entre o paciente e os demais moradores. Todos os moradores da casa ficam em isolamento domiciliar por 14 dias também.

 

 

Após quantos dias a pessoa que teve Covid-19 pode retornar à sua rotina?

RESPOSTA: O Ministério da Saúde orienta que qualquer pessoa com Covid-19 deve afastar-se das suas rotinas por, pelo menos, 14 dias – período de isolamento domiciliar. A partir do momento em que for comprovada a cura do paciente, o que pode variar de pessoa para pessoa, tomadas as devidas proporções do distanciamento físico, pode-se retornar às rotinas. O Ministério da Saúde estabelece os critérios clínicos e laboratoriais para autorizar o retorno ao trabalho.

 

 

Como o vírus é destruído e a pessoa é efetivamente curada?

RESPOSTA: Como ainda não existe tratamento específico para o novo coronavírus, a eliminação do vírus depende da resposta do sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo. Depois da doença aguda, o vírus não persiste no organismo. Há alguns relatos de sintomas que persistem mesmo depois da cura, mas este ainda é um assunto em estudo. O Ministério da Saúde adota os seguintes critérios de cura da doença:

● Casos em isolamento domiciliar: casos confirmados que passaram por 14 dias em isolamento domiciliar, a contar da data de início dos sintomas, e que estão assintomáticos.

● Casos em internação hospitalar: diante da avaliação médica, com melhora da febre e dos sintomas respiratórios, como tosse, espirro e dor de garganta, e resultado negativo no teste diagnóstico laboratorial.

 

 

Existe protocolo para as Equipes de Atenção Domiciliar no manejo com os pacientes sintomáticos e que ficarão em casa?

RESPOSTA: Sim, o Ministério da Saúde tem elaborado diversos protocolos de manejo e organização na atenção primária à saúde para resposta à infecção pelo novo coronavírus. Clique aqui para conhecer esses protocolos

 

 

Para todo caso grave confirmado de Covid-19, o respirador é um dos meios auxiliares no tratamento?

RESPOSTA: Os respiradores são utilizados para ajudar pacientes que apresentam insuficiência respiratória. Nem todos os casos de Covid-19 hospitalizados irão precisar do uso do respirador, que, em geral, será utilizado nos pacientes com síndrome respiratória aguda grave, hipoxemia ou choque séptico. A indicação é feita individualmente, após avaliação da equipe médica, e depende da resposta de cada indivíduo.

 

 

Qual o papel dos profissionais dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf) no contexto de coronavírus?

RESPOSTA: O SUS, por meio da Atenção Primária em Saúde (APS), tem na Estratégia Saúde da Família (ESF) a principal porta de entrada do sistema de saúde brasileiro. Como ordenadora da rede de atenção à saúde, todos os serviços e os profissionais da APS, incluindo os dos Nasf, têm papel imprescindível neste momento de pandemia pelo novo coronavírus, atuando na identificação, na notificação e no manejo oportuno de casos suspeitos de infecção humana por SARS-CoV-2, de modo a mitigar a transmissão sustentada. Os Nasf podem dar suporte importante às equipes, em especial na orientação sobre condutas, fluxos de atendimento e comunicação com o restante do sistema.

 

 

O SUS tem capacidade de resposta à crise do coronavírus?

RESPOSTA: Nenhum sistema de saúde do mundo está preparado para responder de imediato a uma doença com a magnitude e a gravidade da Covid-19. A pandemia pelo novo coronavírus tem sobrecarregado os sistemas de saúde, com superlotação dos leitos, falta de equipamentos e pessoal para atendimento. Apesar disso, o SUS tem na Atenção Primária à Saúde (APS) sua principal estratégia para desafogar os hospitais e unidades de urgência e emergência, já que 80% dos casos de Covid-19 podem ser resolvidos na APS, deixando os hospitais para os casos graves da doença. As ações de vigilância e controle estão incluídas entre as responsabilidades do SUS.

 

 

TRANSMISSÃO

 

O que é pandemia e o que muda com a declaração da OMS?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify.

 

Qual é a forma de transmissão do novo coronavírus?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify.

 

Mesmo sem sintomas aparentes, uma pessoa infectada pelo vírus pode transmiti-lo? O risco de transmissão é maior quando a pessoa apresenta ou não sintomas? Durante quantos dias uma pessoa é capaz de transmitir o vírus?

RESPOSTA: Sim, estudos sugerem que a transmissão pode ocorrer mesmo sem o aparecimento de sinais e sintomas. No entanto, mesmo com essa possibilidade, o potencial de transmissão é comprovadamente maior nos pacientes sintomáticos, sendo que, nesses casos, o período de transmissibilidade do vírus é de, em média, 7 dias após o início dos sintomas.

 

 

Já foi confirmada a transmissão oral-fecal?

RESPOSTA: As investigações sobre as formas de transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por gotículas respiratórias (saliva, espirro, tosse) ou o contato direto e indireto (toque, aperto de mão, objetos e superfícies contaminadas) são apontados como as principais formas de transmissão da doença. Já foi identificado material genético do vírus em fezes de pessoas infectadas.

 

 

Quais os riscos de transmissão nas relações sexuais?

RESPOSTA: Até o momento, não há evidências científicas sobre a transmissão do Sars-CoV-2 pela relação sexual. De modo geral, sabe-se que outros coronavírus não são transmissíveis por vias sexuais. No entanto, o contato íntimo durante a relação sexual (beijos, abraços) favorece a transmissão do vírus se um dos parceiros estiver com a Covid-19, já que o vírus é transmitido pela saliva. Se você já está em um relacionamento, compartilha o mesmo ambiente e ambos não apresentam sintomas, nem tiveram contato com caso suspeito/confirmado, a situação não deve mudar. Vale a pena ressaltar que o novo coronavírus já foi identificado em fezes humanas; portanto, o uso de preservativos durante sexo anal e/ou oral deve ser adotado como prática para reduzir o risco de contaminação. Caso apresentem algum sintoma, o distanciamento físico, de pelo menos 2 metros, deve ser adotado. Clique aqui para mais informações sobre o assunto (em inglês)

 

 

Existe transmissão do novo coronavírus da mãe para o bebê na gestação, no parto ou na amamentação?

RESPOSTA: Segundo os relatos existentes, parece não haver transmissão para o bebê durante a gestação ou pelo leite materno, mas serão necessários mais estudos para ter certeza. Para as mães com suspeita ou diagnóstico confirmado de Covid-19, o aleitamento materno pode ser mantido, desde que sejam observadas as medidas de prevenção recomendadas, como lavar as mãos antes de tocar no bebê na hora da mamada, higienizar a superfície do corpo que fica em contato com o bebê, higienizar as mamas e usar máscara facial durante a amamentação. Se for fazer a extração do leite, é importante higienizar adequadamente a bomba e os recipientes também. Os benefícios da amamentação superam quaisquer riscos potenciais de transmissão do vírus pelo leite materno.

 

 

Qual a extensão do contágio? Por exemplo: com frutas e entrega via delivery, há necessidade de desinfecção das embalagens e alimentos por risco de contágio?

RESPOSTA: A transmissão do coronavírus ocorre por meio de gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; contato com objetos ou superfícies contaminadas. Para evitar doenças, de modo geral, é fundamental a higienização das frutas e no preparo e acondicionamento dos alimentos. Fundamental também é a boa higienização das mãos antes das refeições.

 

 

Se crianças se deslocarem de casa para a casa de avós é arriscado eles pegarem coronavírus?

RESPOSTA: Se, no trajeto, as crianças tiverem contato com uma pessoa doente ou superfície contaminada, elas podem contrair o vírus. Por isso a recomendação de manter distância, evitar contato físico, permanecer em casa, sair somente se necessário, higienizar as mãos com frequência. As crianças podem, depois, transmitir o vírus para os avós, e a doença costuma ser mais grave entre os idosos. 

 

 

O uso de ventiladores nas salas de atendimento, em geral, é indicado ou prejudicial?

RESPOSTA: Por ser uma doença pouco conhecida, muitos elos da cadeia de transmissão ainda carecem de mais estudos. Apesar de não existir evidência robusta do papel do uso de ventiladores como veículo de espalhamento de infecções respiratórias, o uso desses equipamentos em locais de concentração de pacientes suspeitos pode representar um risco pela dispersão dos microrganismos pelo ar. Atualmente, o Ministério da Saúde normatiza que o acolhimento dos pacientes suspeitos de Covid-19 deve ser realizado em uma área separada ou em uma sala específica, visando ao isolamento respiratório. A sala deve ser mantida com a porta fechada e as janelas abertas.

 

 

Qual o tempo de vida do vírus fora do corpo humano?

O que se sabe sobre a resistência do vírus?  

RESPOSTA: As partículas virais liberadas junto com a saliva podem permanecer flutuando no ar por cerca de 30 minutos. Os vírus que se depositam sobre uma superfície, dependendo das características dessa superfície, podem permanecer viáveis por algumas horas ou até dias. Estudo recente, publicado no New England Journal of Medicine, descobriu que o vírus é viável por até 72 horas em plásticos, 48 horas em aço inoxidável, 24 horas em papelão e quatro horas em cobre. A quantidade de vírus existentes nas superfícies vai diminuindo com o passar das horas, reduzindo o risco de contaminação. O mais importante é evitar tocar em superfícies com as quais muitas pessoas têm contato, o que inclui mesas, bancadas, maçanetas, interruptores, telefones, teclados, torneiras etc. A limpeza das superfícies com desinfetante ou sabão é muito eficaz.

 

 

O coronavírus sobrevive na água? Em que condições (qualidade da água, temperatura etc.)? Há conhecimento científico comprovado sobre isso? Qual a referência?

RESPOSTA: Ainda não há evidência de transmissão do novo coronavírus pela água, seja água potável, águas residuais, águas pluviais. É provável que os métodos adotados para o tratamento dessas águas promovam a remoção ou inativação do SARS-CoV2. Apesar disso, para os trabalhadores que atuam nessa área, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) é recomendado como forma de prevenção. Mais informações no site dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos

 

 

Uma pessoa que teve Covid-19 pode pegar de novo?

RESPOSTA: Ainda não se sabe por quanto tempo a infecção em humanos irá gerar imunidade contra novas infecções e se essa imunidade será duradoura por toda a vida.

 

 

Uma pessoa infectada pelo SARS-CoV-2 pode transmitir, em média, para mais quantas pessoas?

RESPOSTA: Ainda não existem estudos conclusivos que determinem a velocidade com que o novo coronavírus se espalha entre as pessoas. Atualmente, estima-se que uma pessoa infectada transmite o vírus para mais duas ou três pessoas, em média.

 

 

Quais as orientações em relação ao contato com pessoas recém-chegadas de viagens nacionais e internacionais?

RESPOSTA: Como o vírus já está circulando no país, os cuidados aplicam-se a todas as pessoas. A principal orientação é adotar medidas de prevenção. O distanciamento físico deve ser observado. Não beije, abrace ou toque as pessoas que não sejam de convívio muito próximo. Se alguém da casa não estiver em isolamento físico, deve evitar contato físico com os demais, em especial os que têm risco mais alto. Mantenha uma distância mínima de 1,5 m. Quem retorna de viagem internacional de local onde há transmissão intensa deve manter-se em isolamento domiciliar durante, pelo menos, 7 (sete) dias, mesmo que não apresente sintomas. Não esqueça da importância da etiqueta respiratória, higienização frequente das mãos, acessórios e utensílios. Caso o viajante apresente sinais e sintomas de síndrome gripal, o isolamento domiciliar deve ser de 14 dias, no mínimo.

 

 

PREVENÇÃO

 

A máscara feita em casa, de tecidos como tricoline, pode ajudar a evitar o contágio?

RESPOSTA: Recentemente, o Ministério da Saúde revisitou a orientação e incorporou nas suas recomendações o uso das máscaras caseiras pela população em geral como medida auxiliar de prevenção à Covid-19. No entanto, apenas o uso da máscara caseira não é suficiente para fornecer o nível seguro de proteção. Outras medidas igualmente relevantes devem ser adotadas, como a higiene das mãos com água e sabonete líquido ou preparação alcoólica. As máscaras cirúrgicas continuam sendo de uso para os profissionais de saúde, pacientes suspeitos ou confirmados de Covid-19 e cuidadores desses pacientes. Acesse aqui mais informações em notícia e nota informativa do Ministério da Saúde

 

 

A gente pode usar a máscara que outra pessoa já usou, se estiver lavada?

RESPOSTA: Não. As máscaras são de uso individual; portanto, você não deve emprestar sua máscara, nem usar máscara emprestada de outra pessoa, mesmo que ela esteja higienizada. As máscaras de uso caseiro não devem ser utilizadas por mais de 3 horas e devem ser trocadas após esse período e sempre que estiverem úmidas, com sujeira aparente, danificadas ou se houver dificuldade para respirar. O ideal é que cada pessoa tenha, em média, cinco máscaras para seu uso pessoal.

 

 

Qual tipo de máscara é mais eficaz na prevenção da propagação do vírus?

RESPOSTA: O uso de máscara é uma medida adicional de proteção/prevenção do contágio pelo novo coronavírus, mas deve ser acompanhada de outras medidas igualmente relevantes, como a etiqueta respiratória, a higienização das mãos com água e sabão ou álcool a 70% e o distanciamento físico. Além da capacidade de filtragem, a eficácia de uma máscara depende de vários fatores, como a manipulação adequada e o tempo de uso. Pesquisas recentes apontaram que máscaras caseiras, com duas ou mais camadas de diferentes tecidos, quando usadas adequadamente, podem ter um desempenho semelhante às máscaras profissionais, como a N95, que tem uma eficácia de 99%.

 

 

Existe a possibilidade das máscaras vindas da China estarem contaminadas?

RESPOSTA: É falsa a notícia que circulou sobre máscaras importadas da China que estariam contaminadas com o novo coronavírus. Especialistas brasileiros afirmam não existir plausibilidade biológica de que o vírus resista nas máscaras durante o processo de fabricação, embalagem e o tempo entre o despacho do material na China e a chegada ao Brasil.

 

 

Qual a diferença, no impacto na contenção da pandemia, entre o isolamento total e o isolamento vertical? O que mostram as evidências de outros países?

RESPOSTA: O que chamam de isolamento vertical é uma abstração; aposta na possibilidade de que pessoas mais vulneráveis sejam protegidas, enquanto outras trabalham normalmente. Entretanto, a sociedade não se divide assim, pois, se o vírus circular muito, atingirá todo mundo. A experiência recente tem mostrado que o isolamento rigoroso pode diminuir o alcance da epidemia. Algumas experiências que combinaram testagem em grande quantidade com isolamento dirigido também tiveram sucesso por algum tempo. Neste momento, no Brasil, a única possibilidade de reduzir o impacto da epidemia é com isolamento rigoroso.

 

 

Como fazer isolamento em espaços reduzidos, onde, por exemplo, todos dormem no mesmo ambiente?

RESPOSTA: Nessas situações, é importante intensificar medidas que evitam a disseminação do vírus e a contaminação de outras pessoas, como o uso constante de máscaras por todos os moradores, a lavagem frequente das mãos com água e sabão, o não compartilhamento de objetos pessoais (roupas, pratos, copos, talheres etc.) e a limpeza diária do ambiente, em especial de superfícies e objetos que são frequentemente tocados pelas mãos (celulares, chaves, mesas, cadeiras, maçanetas, interruptores, pias etc.). A limpeza e higienização podem ser feitas com produtos à base de cloro (água sanitária). Manter um ambiente limpo e seco irá ajudar a reduzir a persistência do coronavírus nas superfícies

 

 

Mesmo achatada a curva de transmissão, após o fim da quarentena (e antes da vacina), a rotina normal não nos colocaria em risco novamente de ter um novo pico de transmissão?

RESPOSTA: Sim, se forem adotadas medidas capazes de reduzir a velocidade de expansão da doença e elas forem suspensas precocemente, certamente a transmissão voltará a se intensificar.

 

Situações de emergência, como a atual, justificam pular etapas e liberar vacinas e medicamentos para uso mais rapidamente? Quais as consequências? 

RESPOSTA: Em situações de emergência, as vacinas e medicamentos relacionados a ela devem ter prioridade tanto no financiamento e desenvolvimento de pesquisas, como nos processos de produção e regulação. Eventualmente, alguns procedimentos podem ser abreviados ou simplificados, desde que não se comprometam as etapas necessárias para avaliação de riscos e de eficácia dos produtos. Também nessas ocasiões, caso não haja ameaça à segurança das pessoas, os protocolos de pesquisa podem ser desenhados de forma a facilitar o acesso a medicamentos para quem mais precisa.

 

 

Quais as recomendações para quem precisar viajar neste momento?

RESPOSTA: Neste momento, em virtude da pandemia pelo novo coronavírus, as viagens nacionais e internacionais estão restritas ou suspensas. Diversos estados e países estão adotando como medida de prevenção a quarentena, com restrição da entrada de viajantes vindos de locais com circulação ativa do SARS-CoV-2. A orientação é que se fique em casa! Mas, se mesmo assim você precisar viajar, siga as orientações disponíveis no Portal Consular do Ministério das Relações Exteriores, na página do Ministério da Saúde e na página da Anvisa.

 

 

É recomendado que idosos tomem a vacina da gripe agora? Existe alguma contraindicação?

RESPOSTA: Sim. Mesmo não tendo efeito contra a Covid-19, o Ministério da Saúde recomenda que todos os idosos tomem a vacina contra gripe. Não há contraindicação e a vacina irá proteger os idosos desta outra infecção respiratória (gripe), que também pode ser grave.

 

 

Vitamina C ou outras substâncias ajudam a prevenir a Covid-19?

RESPOSTA: Não. Não existe vitamina, terapia alternativa ou remédio licenciado capaz de evitar o contágio ou tratar a doença.

 

 

Atividade física é fator de proteção contra o coronavírus? É recomendada a prática de exercícios físicos ao ar livre neste momento?

RESPOSTA: Embora atividade física seja uma prática saudável, ela não melhorará a proteção contra o vírus. É importante, neste momento, manter distância de outras pessoas, não se aproximar de aglomerações e manter as práticas de higiene, com destaque para a higienização das mãos.

 

 

Faço parte do grupo que não poderá ficar em casa. Como devo me portar no atendimento ao cidadão?  

RESPOSTA: Manter distância mínima de um metro, evitar contato físico, não compartilhar objetos, higienizar com frequência mesas, balcões etc., lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou higienizá-las com preparação alcoólica.

 

 

Quais os procedimentos de higienização de roupas e calçados após a utilização em ambientes externos?

RESPOSTA: É importante analisar sobre quais ambientes externos estamos falando. Se o ambiente externo for um hospital, o rigor deverá ser maior do que se for um escritório, por exemplo. Mas, de modo geral, ao chegar da rua, o ideal é que a pessoa se dirija ao banheiro, tire a roupa e tome um banho. A roupa usada deve ser lavada com água e sabão, e quem manipula a roupa suja deve estar atento também. Não deve tocar na roupa suja e colocar as mãos no rosto, por exemplo. Igualmente, deve-se evitar andar com os calçados sujos da rua dentro de casa.

 

 

Costumo andar descalço em casa. Devo mudar esse hábito?

RESPOSTA: O ideal é não andar com os calçados sujos da rua dentro de casa.

 

 

Limpar a casa com água sanitária, misturada com água e algum detergente e desinfetante, mata o vírus?

RESPOSTA: O uso de um produto de limpeza é suficiente. Cuidado com a mistura de vários produtos diferentes, pois podem ocorrer reações químicas e liberação de substâncias tóxicas. Para mais informações sobre produtos usados na limpeza e conservação de ambientes, acesse a cartilha da Anvisa.

 

 

A limpeza de objetos como fechaduras, molho de chaves e outros aparelhos pode ser feita com a solução água sanitária, água e detergente? Ou pode ser feito apenas com álcool 70%?  

RESPOSTA: A limpeza de objetos pode ser feita com água e sabão, álcool ou outro produto de limpeza.

 

 

Aparelho celular, tablet, teclado do computador podem ser higienizados apenas com álcool 70% ou o álcool isopropílico mata o vírus também?

RESPOSTA: O álcool isopropílico tem menos risco de oxidar as peças de aparelhos eletrônicos. Entretanto, ele provoca maior secura da pele, é mais tóxico e tem menor atividade contra vírus. Para mais informações, acesse nota do Conselho Federal de Química.

 

 

Existem muitos tipos de álcool. Todos eles são indicados para a prevenção ao novo coronavírus? Receitas caseiras de álcool gel são seguras?

RESPOSTA: Não, diversas pesquisas apontam que a melhor eficácia do álcool etílico contra microrganismos patogênicos, a exemplo do SARS-CoV-2, é a encontrada nas soluções alcoólicas a 70%. É desaconselhável a produção de álcool gel em casa, tanto pelos riscos associados à manipulação do líquido inflamável, como pela impossibilidade de garantir a qualidade do produto. Mais informações na nota do Conselho Federal de Química

 

 

Quando não se tem álcool em gel, o que usar para higienizar as mãos na rua?

RESPOSTA: O uso do álcool em gel é recomendado quando não for possível a lavagem das mãos. Lavar as mãos com água e sabão é uma das formas mais eficientes de se proteger da contaminação pelo novo coronavírus. Na rua, você pode buscar locais que disponibilizem água corrente e sabão: higienize as mãos por, pelo menos, 20 segundos e evite ao máximo tocar superfícies e objetos que são frequentemente tocados por muitas pessoas. Se possível, fique em casa!

 

 

Que Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) devem ser utilizados pelos profissionais da saúde?

RESPOSTA: O tipo de EPI depende da atividade desenvolvida; no entanto, para a maioria dos profissionais, recomenda-se o uso de máscara cirúrgica, luvas, óculos ou protetor facial, aventais descartáveis e gorro (para procedimentos que geram aerossóis), assim como a utilização de calçado fechado durante o expediente. Nos procedimentos geradores de aerossóis (como intubação ou aspiração traqueal, ventilação mecânica invasiva e não invasiva, ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação e coletas de amostras nasotraqueais), os profissionais de saúde deverão utilizar máscaras N95, FFP2 ou equivalentes.

 

 

Quais as orientações para dentistas e consultas odontológicas?

RESPOSTAS: Os profissionais da assistência odontológica encontram-se entre as categorias profissionais da saúde que apresentam um elevado risco de contaminação e disseminação do SARS-CoV-2, em virtude da produção de aerossóis durante os procedimentos odontológicos. Os profissionais devem avaliar criteriosamente, caso a caso, a necessidade de realizar o procedimento. Se não for urgente, adie. Se não puder ser adiado, mantenha rigorosa rotina de biossegurança a fim de reduzir o risco de contaminação, como: higienizar as mãos com água e sabonete líquido ou preparação alcoólica (70%), seguindo os 5 momentos; usar gorro, óculos de proteção ou protetor facial (preferencialmente o protetor facial), avental impermeável, luvas de procedimento, máscaras N95 (PFF2) ou equivalente. Clique aqui para mais informações sobre os procedimentos

 

 

Como os Agentes Comunitários de Saúde devem se proteger?

RESPOSTA: Devem utilizar máscara cirúrgica e manter distanciamento físico de 2 metros durante a recepção dos  usuários na unidade; higienizar frequentemente as mãos com água e sabonete ou com álcool 70%, seguindo os 5 momentos. Ao realizar visitas domiciliares, recomenda-se que essas visitas ocorram em ambientes externos a casa. Deve-se também suspender as atividades em grupo, a fim de evitar a transmissão local.

 

 

Qual a orientação para os profissionais da saúde quando retornam a seus domicílios?

RESPOSTA: Não apenas os profissionais de saúde, mas qualquer pessoa deve adotar cuidados essenciais ao voltar para casa, como medida para evitar a disseminação do novo coronavírus. Entre esses cuidados podemos citar: não entrar calçado na residência (o ideal é deixar os sapatos do lado de fora); ao entrar, evitar tocar em qualquer objeto e ir direto para o banheiro ou outra área, como a lavanderia, onde é possível retirar a roupa e imediatamente colocá-la para lavar (nessa etapa de retirada da roupa suja, deve haver o mínimo de agitação e manuseio possível); em seguida, tomar banho e higienizar acessórios, como bolsas, chaves e locais que tenham sido tocados (por exemplo, as maçanetas).

 

 

Existem vacinas e medicamentos em desenvolvimento no Brasil e no mundo? 

RESPOSTA: Sim, diversas iniciativas para desenvolver vacinas e medicamentos para prevenção e tratamento da Covid-19 estão em desenvolvimento. No Brasil, a Fiocruz e outras instituições públicas de pesquisa têm liderado essas frentes de estudos.

 

 

Quais as estratégias para que a informação alcance a maior parte da população brasileira?

RESPOSTA: É fundamental utilizar diferentes estratégias de informação e comunicação, articuladas com a educação. É importante diversificar as linguagens e os canais de veiculação, de modo a atingir os diferentes segmentos de públicos. Sabemos que hoje as mídias sociais e os aplicativos de conversa no celular são muito eficientes para a disseminação de informações, mas não se pode esquecer que boa parte da população ainda não tem acesso à internet, de modo que investir na comunicação por tv, rádio, cartazes etc. também é importante, assim como mapear e investir na formação de multiplicadores das informações (professores, profissionais da saúde, lideranças comunitárias, representantes de movimentos sociais etc.). Outros pontos que merecem destaque são o enfrentamento das fake news e o fortalecimento de uma comunicação cada vez mais baseada no diálogo, na qual indivíduos e grupos não só recebem informações, como também são ouvidos, trazendo suas demandas e contribuições ao debate.

 

 

Fechar estabelecimentos é necessário?

RESPOSTA: Sim. A implantação das medidas preventivas não farmacológicas, como o distanciamento social, tem sido apontada como eficaz e de grande impacto na redução da transmissão do SARS-CoV-2. Nesse sentido, o fechamento de estabelecimentos de atividades consideradas não essenciais visa promover esse distanciamento ao evitar aglomeração de pessoas.

 

 

E quanto ao fechamento de fronteiras?

RESPOSTA: O fechamento de fronteiras é uma das estratégias que podem ser adotadas na contenção da disseminação do SARS-CoV-2 (de um país com transmissão para outro onde não há circulação do vírus). A decisão pelo fechamento pode ser total ou parcial. Alguns países, entre eles o Brasil, já implementaram normativas que estabelecem restrição de entrada de estrangeiros no território.

 

 

Restrições ainda maiores podem vir a ser necessárias?

RESPOSTA: A depender da quantidade de casos, internações e óbitos que houver ao longo do tempo, podem ser necessárias medidas mais rigorosas, como a proibição de circulação de pessoas.

 

 

Como a vigilância em saúde contribui neste momento?

RESPOSTA: O papel da vigilância é fazer o monitoramento da epidemia, orientar e adotar medidas de controle. A vigilância pode apontar as estratégias pertinentes em cada momento e as condições para tornar as restrições mais rigorosas ou menos, bem como identificar as situações de maior risco.

 

 

Quando e como saberemos se as medidas tomadas estão sendo eficazes? Qual a previsão de voltarmos à vida normal?

RESPOSTA: O comportamento da Covid-19 ainda é muito pouco conhecido; muitas perguntas, como a duração da epidemia, ainda não têm resposta definitiva. A experiência de cidades e países que vivenciaram ou estão vivenciando a pandemia pelo SARS-CoV-2 tem apontado algumas medidas com capacidade de impactar na curva de adoecimento pelo novo coronavírus, como o distanciamento físico. Nesses locais, estudos de cenários apontam que o retorno à normalidade depende do quão precocemente são instituídas as ações de prevenção e a adesão da população às orientações de ficar em casa. No geral, estima-se uma duração em torno de 3 a 6 meses, podendo se estender por mais tempo.

 

 

GRUPOS DE RISCO

 

Tenho diagnóstico de sarcoidose, embora não apresente nenhum sintoma há mais de 10 anos. Também tenho um diagnóstico de distúrbio pulmonar obstrutivo leve. Sou considerado grupo de risco?

Quem tem rinite alérgica e doenças autoimunes é população de risco para a doença?

RESPOSTA: Doenças crônicas, especialmente aquelas que atingem o sistema respiratório ou afetam o sistema imunológico, podem deixar a pessoa mais vulnerável à Covid-19, o que só reforça a importância das medidas de prevenção.

 

 

Uma pessoa bem magra, com IMC abaixo do normal, porém sem nenhuma doença, é considerada em grupo de risco para o coronavírus?

RESPOSTA: Com base nas informações disponíveis, os estudos apontam como grupo de risco para agravamento da Covid-19 os indivíduos com mais de 60 anos e os indivíduos, em qualquer idade, que apresentem comorbidades ou doenças preexistentes, incluindo: doença pulmonar crônica ou asma moderada a grave; problemas cardíacos graves; pessoas imunocomprometidas (tratamento contra câncer, tabagismo, transplante de medula óssea ou órgão, deficiências imunológicas, HIV/Aids não controlado, uso prolongado de corticosteróides e outros medicamentos que enfraquecem o sistema imunológico); obesidade grave (Índice de Massa Corporal [IMC] igual ou superior a 40); diabetes, doença renal crônica em diálise e doença hepática.

 

 

O risco é aumentado para pessoas com doenças neurológicas? E para pessoas com diabetes? Por quê? Nesses casos, são necessárias medidas adicionais?

RESPOSTA: Pessoas com mais de 60 anos e as que têm doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, problemas cardíacos, obesidade e doenças que atingem o sistema respiratório ou afetam o sistema imunológico, podem ser mais vulneráveis à Covid-19. Algumas doenças neurológicas também podem aumentar o risco. Para essas pessoas, recomenda-se:
• Adote o distanciamento social. Não beije, abrace ou toque outras pessoas;
• Não frequente locais com aglomerações ou alta circulação de pessoas;
• Caso necessite utilizar transporte público, opte por horários de menor movimento de pessoas;
• Doentes crônicos não podem descuidar dos tratamentos em andamento. Caso utilize medicamento de uso contínuo, procure seu médico ou posto de saúde para buscar uma receita com validade ampliada, principalmente no período de outono e inverno. Isso reduz o trânsito desnecessário nos postos de saúde e farmácias;
• Não compartilhe objetos de uso pessoal, como copos, pratos e talheres;
• Evite fazer compras em mercados e feiras em horários de pico;
• Mantenha-se saudável, alimente-se bem e pratique exercícios físicos regularmente em locais abertos e arejados;
• Lave sempre as mãos com água e sabonete ou higienize-as com álcool 70%, e evite tocar o rosto.

 

 

Ter anemia é um fator de risco para agravamento da Covid-19?

RESPOSTA: Anemia ocorre quando o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal. A hemoglobina é uma substância encontrada nas hemácias (glóbulos vermelhos), no sangue, e tem como função o transporte de oxigênio para os tecidos. Anemia não é uma doença, e sim um sinal de doença. Ela pode ser a única ou a principal manifestação clínica de algumas doenças, ou pode ser apenas um dos sinais e sintomas encontrados em outras. A anemia, por si só, não é um fator de risco para uma pessoa com Covid-19 desenvolver uma forma grave da doença. Contudo, uma pessoa que desenvolve uma forma grave de Covid-19 e apresenta insuficiência respiratória vai ter seu quadro agravado se tiver anemia, pela falta de hemoglobina para o transporte de oxigênio. O Comitê de Hematologia e Hemoterapia Pediátrica da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) recomenda cuidados quanto à prevenção e tratamento da Covid-19 em crianças e adolescentes com algumas doenças hematológicas, entre as quais a doença falciforme, a talassemia maior ou intermediária, e a aplasia / hipoplasia de medula óssea, nas quais a anemia é parte importante do quadro clínico e que, por vezes, são conhecidas popularmente como anemias. Leia as recomendações da ABHH

 

 

Qual o risco para as gestantes?

RESPOSTA: Atualmente, não existem estudos que demonstrem que a gravidez, por si só, seja um risco para Covid-19 ou que mulheres grávidas tenham maior risco do que a população geral. 

 

 

Qual o risco para as crianças? Em caso de infecção, o procedimento é diferenciado?

RESPOSTA: Com base nas evidências disponíveis, as crianças não correm maior risco de adoecimento por Covid-19, em relação aos adultos. Em geral, as crianças apresentam sintomas mais leves da doença. Entretanto, mesmo crianças podem ter agravamento da doença. Crianças com sinais e sintomas respiratórios, com febre que não baixa, dificuldade para respirar ou que parecem não estar bem devem ser levadas a uma unidade de saúde.

 

 

Existe registro de crescimento da doença entre os jovens, inclusive com casos graves?

RESPOSTA: Por ser um vírus novo, a suscetibilidade é geral, ou seja, todas as pessoas e faixas etárias estão sob risco de adoecimento. Os casos graves de Covid-19 não são exclusivos para os grupos considerados de risco elevado, como os idosos. Por isso, o mais importante é adotar as medidas preventivas, como o isolamento físico.

 

 

Trabalhadores usuários do transporte público estão mais expostos?

RESPOSTA: Qualquer local de aglomeração aumenta o risco de exposição e transmissão do SARS-CoV-2, já que essa transmissão acontece de uma pessoa doente para outra e por contato próximo (contato físico, espirros, tosse, superfícies contaminadas).

 

 

Trabalhadores da saúde estão mais expostos? Os casos tendem a ser mais graves entre esses profissionais?

RESPOSTA: Os profissionais da saúde que atuam diretamente na assistência aos casos suspeitos ou confirmados de Covid-19, dada a especificidade do trabalho que desenvolvem, são considerados um grupo vulnerável. Alguns países, como Itália e Espanha, identificaram que, respectivamente, 10% e 12% dos casos de Covid-19 ocorreram em profissionais da saúde. No Brasil, já foram confirmados diversos casos de profissionais da saúde que adoeceram.

 

 

Qual a situação das populações indígenas?

RESPOSTA: Considerando a reconhecida vulnerabilidade das populações indígenas às doenças respiratórias e em função do risco de transmissão do novo coronavírus, foi elaborado o “Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus (Covid-19) em Povos Indígenas”. Mais informações na página do Ministério da Saúde

 

 

A zika atingiu, inicialmente, regiões menos desenvolvidas e mais desiguais. O coronavírus trilha o percurso inverso?

RESPOSTA: Podemos dizer que sim. Apesar do novo coronavírus não fazer distinção de classe social, no Brasil, a pandemia de Covid-19 entrou a partir de pessoas que retornaram de viagens ao exterior e tem se mostrado mais incidente, até o momento, nas classes sociais mais abastadas. Entretanto, o vírus já se espalha para todos os estratos sociais e pode-se prever que as consequências entre os mais pobres serão mais graves.

 

 

CARACTERÍSTICAS DO VÍRUS

 

É verdade que o novo coronavírus não se dá bem no calor?

RESPOSTA: Ainda não existem estudos suficientes sobre a correlação do clima e da temperatura na transmissibilidade e disseminação do SARS-CoV-2. Diferentemente de outros vírus respiratórios, como os que causam resfriado e gripe, que apresentam maior ocorrência nos períodos de clima frio, a sazonalidade e a dinâmica da Covid-19 ainda são pouco conhecidas.

 

 

Os animais podem transmitir o novo coronavírus?

RESPOSTA: Sabe-se por estudos científicos que vários tipos de coronavírus são capazes de infectar animais e podem ser transmitidos, tanto para outras espécies de animais quanto para os humanos. No caso do SARS-CoV-2, existem evidências científicas que associam alguns tipos de morcego como fonte original de infecção do novo coronavírus. Em relação aos animais de companhia, apesar de alguns poucos relatos desses animais com infecção pela Covid-19, ainda não existem evidências de que eles sejam fonte de infecção para os seres humanos. Recomenda-se, no entanto, a observância dos princípios básicos de higiene quando em contato com os animais.

 

 

Qual é a gravidade?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify.

 

Afinal, quem é esse novo coronavírus e, se ele é novo, quem seriam os antigos coronavírus?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify

 

Por que vários desses novos vírus começam na China? Seria uma coincidência ou não?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify

 

Qual a capacidade de mutação do coronavírus?

RESPOSTA: Ainda não se sabe ao certo, mas, aparentemente, os vírus que estão causando a doença nos diferentes países do mundo não são muito diferentes geneticamente.

 

O que ainda não se sabe sobre o Covid-19?

RESPOSTA: Existem ainda muitas incertezas em relação ao novo coronavírus, como a letalidade, por exemplo.

 

O que devemos esperar para os próximos meses com relação ao vírus?

RESPOSTA: É mais uma das incertezas. Em alguns países, como na China, estima-se em três meses a duração da epidemia, mas isso pode variar de um lugar para outro. O ideal seria uma duração mais longa, mas com um aumento menos abrupto do número de casos, com menos pessoas doentes ao mesmo tempo.

 

É verdade a notícia que tem circulado a respeito de pessoas testando positivo para o coronavírus semanas após serem consideradas curadas? Se sim, o que isso nos diz sobre este vírus?

RESPOSTA: Sim, é verdadeira essa notícia. Alguns pacientes, especialmente na China, voltaram a apresentar resultados positivos em testes laboratoriais, dias após não apresentarem mais sintomas. No entanto, como o vírus SARS-CoV-2 é ainda pouco conhecido, não existem estudos suficientes sobre esses achados. Algumas hipóteses têm sido levantadas, como, por exemplo, a alta sensibilidade do teste diagnóstico utilizado (PCR), que pode estar captando fragmentos remanescentes da infecção pelo coronavírus. Outra possibilidade é que o teste cujo resultado foi negativo pode não ter sido feito de forma adequada. Ou, ainda, o novo coronavírus pode provocar uma infecção bifásica, isto é, ele persistiria no organismo e, após algum tempo, reapareceria com outros sintomas. Mas tudo isso são hipóteses na tentativa de explicar esses achados.

 

 

A longo prazo, seria possível a erradicação da Covid-19?

RESPOSTA: Não. Por se tratar de uma doença que tem, além do homem, animais como reservatórios do vírus, a erradicação é improvável, já que isso implicaria a extinção do vírus do meio ambiente. Nessas situações, trabalha-se com a possibilidade de eliminação da circulação do vírus entre os seres humanos, o que é possível, por exemplo, com medidas de controle e a vacinação em massa da população. Para a Covid-19, a vacinação ainda não está disponível.

 

 

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Matéria atualizada em 04/05/2020.