Iris Pacheco (Psat/Fiocruz Brasília)
Entre os dias 4 e 8 de maio, aconteceu o módulo presencial das duas turmas do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família com Ênfase na Saúde da População do Campo (PRMSFCampo). A formação reuniu residentes, tutores e pesquisadores para debater os desafios da saúde coletiva nos territórios rurais, considerando as especificidades sociais, culturais e territoriais das populações do campo.
Os debates abordaram temas como território e territorialidades, planejamento em saúde, gênero, raça e classe, Estado, sociedade e políticas públicas, além da saúde integral da mulher. As discussões partiram da compreensão de que as populações do campo vivenciam realidades distintas dos contextos urbanos, exigindo políticas públicas e práticas de cuidado voltadas às suas especificidades.
A fisioterapeuta e pesquisadora colaboradora do Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat), Luiza Garcia, destacou a importância de fortalecer a atenção integral à saúde das mulheres dentro da Atenção Básica a partir de uma atuação multiprofissional articulada e comprometida com a integralidade do cuidado. “A Atenção Básica tem a possibilidade do atendimento multiprofissional a partir de políticas que promovem a atenção integral à mulher em todas as fases da vida. É importante os profissionais realizarem reuniões e discussão dos casos para que os atendimentos fiquem mais uniformizados”, afirmou.
A fisioterapeuta e pesquisadora colaboradora do Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat), Luiza Garcia, destacou a importância de fortalecer a atenção integral à saúde das mulheres dentro da Atenção Básica a partir de uma atuação multiprofissional articulada e comprometida com a integralidade do cuidado. “A Atenção Básica possibilita o atendimento multiprofissional por meio de políticas que promovem a atenção integral à mulher em todas as fases da vida. É importante que os profissionais realizem reuniões e discussões de casos para que os atendimentos sejam mais uniformizados,” afirmou.
A pesquisadora também chamou atenção para as desigualdades raciais que atravessam o acesso à saúde. Para ela, mulheres pretas, pardas e indígenas seguem sendo as mais afetadas pela violência obstétrica e pela negligência institucional nos serviços de saúde.“Isso se dá pelo racismo estrutural e institucional presente há anos em nosso país, fazendo com que essas mulheres, muitas vezes, acabem morrendo sem um atendimento digno. Cabe aos profissionais de saúde conhecer esses dados e lutar para serem agentes de mudança desse cenário, e é nesse viés que a residência se insere”, ressaltou.
Luiza destacou ainda que as políticas públicas de saúde da mulher têm avançado globalmente ao ampliar o olhar sobre o cuidado feminino para além da gestação e do parto, incorporando dimensões sociais, territoriais e de direitos humanos. No Brasil, ela aponta que a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) representa um avanço, embora ainda existam lacunas em relação às mulheres do campo, ribeirinhas e de outras populações tradicionais.
“No Brasil, a PNAISM, desde 2004, busca promover essa perspectiva. Entretanto, a política apresenta falhas ao abordar determinadas populações, como as mulheres do campo e as mulheres ribeirinhas. Atualmente, a política passa por uma reformulação que busca preencher essas lacunas e dar visibilidade a essas falhas que inviabilizam o acesso dessas populações”, explicou.
Já o enfermeiro e tutor da residência, Vinicius Vieira, destacou o papel da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) na promoção da saúde coletiva em territórios historicamente vulnerabilizados.
Para ele, a PNAB fortalece a aproximação entre profissionais de saúde e comunidades, contribuindo para um cuidado integral e comprometido com os princípios do SUS. “A PNAB, como política transversal, aproxima profissionais e população na lógica de um cuidado integral e longitudinal, levando saúde a quem mais precisa, seguindo os princípios da equidade, integralidade e universalidade. Reafirma, assim, o cuidado com os povos do campo, contribuindo para o pacto de um SUS para todos, sem distinção e sem barreiras geográficas”, afirmou.
Ao discutir os impactos das políticas públicas na qualidade de vida da população, Vinicius ressaltou a importância de indicadores relacionados ao envelhecimento e ao cuidado com a pessoa idosa. Segundo ele, o aumento da expectativa de vida precisa estar acompanhado de debates sobre qualidade de vida, acesso à cultura, lazer e saúde.
O enfermeiro também defendeu a construção de políticas intersetoriais entre saúde e cultura, articulando gestores públicos, agentes culturais, profissionais da saúde e a sociedade civil. “Penso que esses atores, junto à sociedade, têm papel fundamental nessa articulação, por meio de rodas de debate, seminários, pesquisas ampliadas e compilação conjunta de dados que discutam cultura e saúde numa perspectiva ampliada”, concluiu.
O Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família com Ênfase na Saúde da População do Campo (PRMSFCampo) é uma pós-graduação lato sensu realizada pela Fiocruz Brasília, e buscam se especializar profissionais de saúde na atenção básica, com um olhar direcionado à realidade das populações do campo, das águas e das florestas.
Com duração de dois anos tem uma característica central de agregar profissionais de diversas áreas da saúde, possibilitando um debate integrado sobre saúde e cuidado. Atualmente, são duas turmas em andamento, sendo uma iniciada no início deste primeiro semestre de 2026.
Fotos: Luara Dal Chiavon (Psat/Fiocruz Brasília)