Mais de 2 toneladas de resíduos por ano: estudo expõe impacto ambiental dos testes RT-qPCR

Nathállia Gameiro 13 de fevereiro de 2026


Um estudo desenvolvido pelo farmacêutico Luan Augusto, do Programa de Residência Multiprofissional em Vigilância em Saúde da Fiocruz Brasília, revelou que a rotina de testes RT-qPCR utilizados no diagnóstico de doenças respiratórias pode gerar mais de duas toneladas de resíduos sólidos por ano apenas no Distrito Federal. A pesquisa, realizada no Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), campo de atuação da vigilância laboratorial dos residentes do Programa, analisou os impactos ambientais e financeiros associados às práticas laboratoriais na saúde pública.

O trabalho recebeu menção honrosa no VI Congresso Internacional de Inovação em Saúde (VI Inovatec) e também foi reconhecido na IV Feira de Inovação Tecnológica do Distrito Federal, sendo classificado como o segundo melhor trabalho apresentado na modalidade comunicação oral, entre mais de 200 pesquisas submetidas ao congresso.

O estudo foi conduzido entre agosto e setembro de 2025, período sem surtos de doenças endêmicas na região. Esse recorte permitiu avaliar a geração de resíduos em condições regulares de funcionamento do laboratório, a partir das demandas rotineiras dos serviços de saúde do DF.

O custo invisível

A pesquisa quantificou os resíduos descartáveis necessários para a realização de uma única placa de exames contendo 96 amostras (capacidade máxima processada simultaneamente) do painel respiratório, principal demanda da área de biologia molecular do Lacen-DF.

Entre os materiais avaliados estão luvas, máscaras, capotes, kits de extração de RNA, kits e placas de amplificação e tubos primários de amostras.

Os resultados demonstraram que cada placa gera aproximadamente 3.144,35 gramas de resíduos sólidos, o que, em projeção anual, ultrapassa duas toneladas de insumos descartados.

Do ponto de vista ambiental, o impacto é ainda mais significativo, já que grande parte desses materiais é composta por polipropileno, polímero que, quando incinerado, pode liberar gases potencialmente tóxicos. Sob a perspectiva orçamentária, o custo estimado relacionado a esses resíduos é de aproximadamente R$ 3.500,00 por ano.

Reconhecimento e impacto para a saúde pública

Realizado em Brasília, entre os dias 21 e 23 de novembro, o VI Inovatec é um congresso internacional de grande relevância, consolidado como espaço estratégico para divulgação de pesquisas e inovações com impacto direto na saúde pública.

O residente Luan Augusto, um dos autores do trabalho, destaca que os achados do estudo contribuem para ampliar o debate sobre os impactos ambientais e financeiros nas rotinas laboratoriais e reforçam a importância de integrar inovação tecnológica, responsabilidade ambiental e eficiência na gestão de recursos públicos. 


Para ele, o reconhecimento evidencia o compromisso formativo da instituição. “Desafio e inovação são princípios que movem a residência na Fiocruz Brasília. Somos continuamente instigados a oferecer o nosso melhor em cada campo de atuação, e esse reconhecimento demonstra a relevância do trabalho desenvolvido”, afirma.