Fiocruz Brasília leva ao Rio de Janeiro formação sobre saúde e comunicação popular

Fiocruz Brasília 26 de junho de 2026


Roberta Quintino (Psat/ Fiocruz Brasília)

 

Ao longo de três dias, mais de 70 educandos de movimentos populares, organizações comunitárias e instituições públicas do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espírito Santo compartilharam experiências sobre saúde, comunicação, território e participação social. Vindos de realidades diferentes, como periferias urbanas, municípios do interior, comunidades tradicionais e coletivos organizados, eles encontraram pontos em comum nas dificuldades enfrentadas diariamente para garantir direitos e construir formas coletivas de cuidado.

 

A formação aconteceu entre os dias 22 e 24 de junho, no Rio de Janeiro, e deu início ao primeiro módulo do Curso Livre de Promoção da Saúde e Participação Social, iniciativa vinculada ao projeto Territórios de Cuidado, desenvolvido pelo Programa de Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat) da Fiocruz Brasília.

 

Entre os educandos, Mário Lúcio, integrante da Famílias Atípicas de Palmas (FAP-MG). Recém-chegado ao movimento social, ele conta que a formação ampliou sua visão sobre os desafios vividos em outros territórios e a importância da construção coletiva. “É muito fácil eu falar que está doendo, mas não conhecer a dor do outro”, refletiu. Para ele, o encontro foi uma oportunidade de conhecer novas experiências, trocar aprendizados e fortalecer conexões com pessoas que atuam em diferentes frentes de luta social.

 

Para Luciane Vieira, da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro) de Maricá (RJ), um dos aspectos mais importantes da atividade foi a possibilidade de discutir a saúde para além dos serviços de atendimento e reconhecer a influência da cultura, dos vínculos comunitários e das condições de vida sobre o bem-estar das pessoas. “Nós pudemos falar sobre um conceito muito mais amplo de saúde, falar sobre cultura e todas as expressões que a cultura nos traz. Sempre quando a gente está junto e consegue se ouvir, saem muitas coisas boas, muita riqueza”, afirmou.

 

Estruturado em três módulos, o curso busca fortalecer a participação social a partir das experiências concretas dos territórios, reconhecendo que saúde não se produz apenas dentro de hospitais, clínicas ou unidades básicas, mas também nas relações comunitárias, na organização popular, no acesso a direitos e nas condições em que as pessoas vivem e trabalham. A iniciativa integra o programa Territórios Saudáveis e Sustentáveis na Promoção do Cuidado, que articula conhecimento científico e saberes populares para fortalecer práticas de cuidado em diferentes regiões do país. Atualmente, o projeto está presente em 15 regiões brasileiras, envolvendo os 26 estados e o Distrito Federal.

 

Nesta primeira etapa, os debates se concentraram na Determinação Social da Saúde e na comunicação popular. As atividades discutiram como fatores como moradia, renda, trabalho, acesso à água, alimentação, transporte e meio ambiente influenciam diretamente os processos de adoecimento e de promoção da saúde. A comunicação popular foi debatida também como uma ferramenta estratégica para fortalecer a participação social e ampliar a circulação de informações produzidas pelos próprios territórios.

 

Participaram desta etapa representantes de municípios como Belford Roxo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Maricá, Campos dos Goytacazes e Paraty, no Rio de Janeiro; Belo Horizonte, Betim, Juiz de Fora e Cataguases, em Minas Gerais; além de Serra, Conceição da Barra e Itapemirim, no Espírito Santo.

 

Fotos: Wellington Lenon