Escola de Soberania Alimentar forma lideranças e fortalece hortas urbanas em territórios populares

Fiocruz Brasília 13 de março de 2026


Formação articula agroecologia, economia solidária e organização comunitária para implantar hortas urbanas, hortas medicinais e sistemas de compostagem em territórios de moradia popular em São Paulo

 

Beatriz Muchagata (Colaboratório CTIS/Fiocruz Brasília)


A Escola de Soberania Alimentar da Coordenação de Movimentos Populares (ESA/CMP), em parceria com a Fiocruz, está promovendo um curso de formação em tecnologias sociais voltadas à soberania alimentar. A iniciativa busca estimular a criação de hortas urbanas, hortas medicinais e práticas de compostagem em territórios de moradia popular, contribuindo para a promoção da saúde e para o fortalecimento da segurança alimentar e nutricional em áreas urbanas.


A ação integra o Acordo de Cooperação nº 85/2024 e articula formação teórica e prática para apoiar comunidades organizadas na produção de alimentos saudáveis, no fortalecimento da organização comunitária e na construção de sistemas alimentares urbanos mais sustentáveis e solidários.


A proposta combina processos formativos com intervenções nos territórios. A Escola de Soberania Alimentar da CMP funciona como espaço pedagógico central do projeto, onde ocorrem os cursos e as atividades educativas. A partir dessa formação, são desenvolvidas ações práticas voltadas à implantação de hortas urbanas e sistemas de compostagem em áreas de moradia popular vinculadas aos movimentos sociais.

 

As experiências estão sendo implementadas em dois territórios no estado de São Paulo: na região central da capital paulista, em moradias populares conquistadas por meio da luta social, e no município de São Bernardo do Campo, também em áreas organizadas por movimentos de moradia. Nesses locais, os conhecimentos trabalhados ao longo do curso são aplicados na prática, estimulando a produção de alimentos saudáveis, a cooperação comunitária e o fortalecimento de iniciativas locais de soberania alimentar.

 

O processo formativo é dividido em dois módulos. O primeiro aborda os territórios em disputa, discutindo os projetos populares de moradia como formas de resistência e de construção de novas territorialidades, além de refletir sobre o direito à cidade. Nesse momento também são debatidos temas como soberania alimentar, segurança alimentar e nutricional e economia solidária como base para a organização coletiva da produção. Durante essa etapa, também é discutido o papel das técnicas na transformação dos territórios, inspirado na perspectiva do geógrafo Milton Santos, que compreende as técnicas como mediações fundamentais na produção e na reorganização do espaço.

 

O segundo módulo é voltado para a aplicação prática dessas tecnologias sociais. As atividades incluem a implantação de hortas urbanas — com destaque para as hortas medicinais — e o desenvolvimento de sistemas de compostagem, além do planejamento de sua implementação nos territórios participantes. A metodologia busca integrar teoria e prática, permitindo que o aprendizado se traduza em ações concretas nas comunidades.

 

Com carga horária total de 44 horas, o curso é realizado em formato híbrido, com encontros presenciais na Escola de Soberania Alimentar e atividades on-line síncronas. Participam da formação moradores e lideranças de territórios de moradia popular, incluindo ocupações urbanas e projetos habitacionais acompanhados pela Coordenação de Movimentos Populares.

 

A iniciativa contribui para fortalecer práticas agroecológicas e processos de organização comunitária, apoiando o enfrentamento da fome, a promoção da saúde e a construção de sistemas alimentares urbanos mais justos e sustentáveis, com protagonismo das comunidades e dos movimentos populares.