Em audiência na Câmara, Fiocruz apresenta dados sobre produção de vacinas

Fernando Pinto 8 de junho de 2021


O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, participou nesta segunda-feira, 07 de junho, de audiência pública na Câmara dos Deputados, sobre o atual estágio da produção de vacinas no país, e a previsão de produção do imunizante totalmente nacional. “A Fundação começa a produzir a vacina com o IFA totalmente nacional, a previsão é que em outubro seja entregue ao PNI uma vacina 100% nacionalizada”, declarou o vice-presidente.

 

Krieger apresentou uma breve atualização da linha do tempo de implementação da primeira e segunda fase de produção da Vacina Oxford-AstraZeneca-Fiocruz e do início do processo de produção nacional do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), além de enfatizar que a Fiocruz já entregou quase 51 milhões de doses de vacina ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), desde o início da produção no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), em abril de 2021.

 

Conforme informou o vice-presidente, em breve, será formalizado um contrato para a aquisição adicional de IFA importado para processamento final de outros 50 milhões de doses, que irão compor as entregas do segundo semestre, juntamente com a produção nacional. Krieger apresentou também um panorama da atualização mundial do uso da vacina Oxford-AstraZeneca, que no Reino Unido é a vacina mais administrada, chegando a 70% do total de imunizantes aplicados até agora no país. Segundo os dados, no Reino Unido com apenas uma dose da vacina já se conseguiu alcançar 70% de proteção contra o vírus na segunda semana após a aplicação, alcançando 94% de proteção ao final do primeiro mês, ainda com a primeira dose, além da efetividade da vacina com a queda dos números de novos casos, redução da mortalidade e diminuição da infecção e transmissibilidade após completado o ciclo vacinal com as duas doses aplicadas. “Esses dados mostram que a aplicação da vacina Covid-19-AstraZeneca-Fiocruz vai auxiliar o Brasil a obter resultados tão impactantes como os do Reino Unido”, completou.

 

O diretor de Estratégia Institucional do Instituto Butantan, Raul Machado Neto, destacou as ações em andamento no Instituto relacionadas à Covid-19, que são: a transferência de tecnologia da vacina Coronovac com a empresa chinesa Sinovac, que passará a ser produzida integralmente no próprio Instituto; resultados do Projeto Serrana, estudo clínico que o Butantan conduz na cidade de Serrana, interior de São Paulo, para entender o impacto da vacinação na redução de casos graves da doença e na transmissibilidade do novo coronavírus; o andamento da produção da vacina ButanVac, imunizante totalmente nacional e que será produzido pelo Instituto usando a plataforma da inoculação do vírus em ovos embrionados, mesma técnica já utilizada pelo Butantan na produção da vacina da gripe; a rede de plasma para doação de quem já se recuperou da Covid, com objetivo de ajudar no tratamento dos pacientes; e a produção e testes clínicos do soro hiperimune anti-Sars-CoV-2, desenvolvido em parceria com a USP (Universidade de São Paulo).   

 

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros destacou os números da vacinação no Brasil, segundo os dados apresentados, até o momento já foram aplicadas mais de 71 milhões de doses em todo o país, sendo mais de 48 milhões como 1º dose e aproximadamente 23 milhões como 2º dose. “Pelo menos 30% da população vacinal do país já receberam a primeira dose do imunizante fornecida pelo Butantan e Fiocruz”, enfatizou.

 

Participaram ainda da audiência, o coordenador-geral do Complexo Industrial da Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde do Ministério da Saúde, Myron Pires; o diretor do departamento de Direitos Humanos e Cidadania do Ministério das Relações Exteriores, João Lucas Quental; e o secretário de pesquisa e informação científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcelo Morales.

 

A audiência, realizada por videoconferência, foi convocada em conjunto pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, tendo como requerentes os parlamentares, deputada Perpétua Almeida, deputado Luis Miranda e deputada Luiza Erundina. Veja a reunião na íntegra clicando aqui.