Comunidade de Práticas junto à população em situação de rua passa a integrar a Plataforma IdeiaSUS

Fernanda Marques 17 de dezembro de 2021


A Comunidade de Práticas Atenção Primária à Saúde e População em Situação de Rua no Contexto da Covid-19 (ComPAPS) passou a integrar a Plataforma IdeiaSUS, um espaço que reúne, compartilha e discute experiências e práticas em saúde para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O lançamento ocorreu nesta quarta-feira (15/12) e contou com a participação da diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio; do vice-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Charles Tocantins; do coordenador do IdeiaSUS e assessor de Relações Institucionais da Presidência da Fiocruz, Valcler Rangel; do consultor em web tecnologias do IdeiaSUS, Gilvan Mariano; e do coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Vanilson Torres.

 

Fabiana Damásio fez um breve histórico da ComPAPS. Lembrou a articulação feita pelo Centro de Relações Internacionais (CRIS) da Fiocruz, por meio da qual se iniciou a parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Fundação Rockefeller. O objetivo era desenvolver estratégias para o enfrentamento da Covid-19, considerando, especialmente, as populações mais vulnerabilizadas. “Essa tem sido uma linha prioritária de atuação da Fiocruz, buscando construir soluções junto com essas populações, em interlocução com os movimentos sociais e suas demandas”, disse Fabiana. A diretora da Fiocruz Brasília destacou que desigualdades históricas se agravaram durante a pandemia, reforçando a importância de se trabalhar com a população em situação de rua.

 

Inicialmente, foi pensada uma Comunidade de Práticas que envolveria quatro unidades federativas. No entanto, com a formação da rede, e a participação do Conasems e das Unidades regionais da Fiocruz, foi possível ampliar o projeto para todo o país. “Fomos desenhando a metodologia e, em contato com as equipes de Consultório na Rua, identificamos em cada estado moderadores que pudessem fazer a articulação no território e reunir as principais práticas voltadas à população em situação de rua”, contou Damásio. “Estruturar uma Comunidade de Práticas é fundamental para ações coletivas e efetivas em todo o território nacional, com escuta ativa e construção de estratégias que realmente venham para promover as condições de vida e saúde dessa população”, acrescentou.

 

No IdeiaSUS, a ComPAPS ganha um espaço de intercâmbio de conhecimento e troca de experiências. Gilvan Mariano explicou que, na perspectiva de redes colaborativas virtuais, o IdeiaSUS é formado por Comunidades, Rodas e Banco de Práticas, além de produtos de informação. A ComPAPS é a quinta Comunidade na Plataforma, ao lado de outras que abordam Saúde Mental e Atenção Psicossocial, Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), Experiências e Práticas Acessíveis e Inclusivas, e Saúde e Ambiente. Na ComPAPS, os participantes têm acesso a notícias, calendário, atividades, fórum, portfólio de práticas e acervos (de imagens, publicações e vídeos). “Um diferencial é que existe um ambiente para cada um dos 27 núcleos estaduais”, comentou Gilvan.

 

Para Charles Tocantins, entre as lições da pandemia, estão a importância da ciência como bússola orientadora de nossas atividades e o fortalecimento da Atenção Primária e do SUS, “maior patrimônio brasileiro, fundamental no enfrentamento da pandemia e na proteção da vida”. O vice-presidente do Conasems destacou a necessidade de resgatar os princípios do SUS, em especial a luta contra as iniquidades sociais. “É nesse contexto que nosso projeto se volta a uma das populações mais vulnerabilizadas e invisibilizadas do país. Para uma política pública forte, é preciso estabelecer diretrizes e discutir práticas e experiências que atendam a esses brasileiros”, afirmou.

 

Segundo Valcler Fernandes, é preciso reconhecer o valor das experiências como geradoras de debate e conhecimento. “O IdeiaSUS cria e abre um espaço de troca onde os protagonistas são aqueles que atuam na prática. Há muito o que aprender com a população em situação de rua e as equipes da Atenção Primária. Suas ideias e soluções precisam ser divulgadas, sistematizadas e produzir conhecimento”, pontuou.

 

Muitas das prescrições feitas durante a pandemia não se aplicavam à realidade da população em situação de rua. “Para quem está na rua, como faz para não sair de casa? Essa ordem não adianta, só atrasa! Oferecem abrigo por conta da necessidade de isolamento, mas e quando a pandemia passar? Temos que voltar para a rua?”, questionou Vanilson Torres. Para o coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, a negação de direitos é um processo histórico, e a luta por esses direitos tem que ser contínua. “A invisibilidade dessa população é muito grande, não existem nem mesmo dados sobre ela. Precisamos desenvolver mecanismos para que essas pessoas estejam de fato dentro do SUS, não só na teoria, mas na prática”, ressaltou.  

 

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