Proteção às mulheres: Fiocruz Brasília participa de debate no Correio Braziliense

Adrielly Reis 27 de janeiro de 2026


O nó na garganta, o incômodo, o sentimento de insegurança… É impossível passar indiferente às mulheres que viraram números de estatísticas, vítimas do feminicídio. São quatro por dia. Só no Brasil, mais precisamente. O motivo? Eles alegam que são vários. Mas é somente pelo fato de… pasme! Serem mulheres.

 

Em 2025, 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio em todo o país, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Destas, 28 eram do Distrito Federal (DF). Já os registros de violência sexual somaram quase 34 mil casos no primeiro semestre de 2024. De acordo com a promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios, Adalgiza Maria Aguiar, 86% das vítimas do DF eram mulheres negras, moradoras de regiões vulnerabilizadas.

 

Em comparação com 2015, quando houve a tipificação do crime de feminicídio e foram registradas 535 mortes, teve crescimento de 316% em 10 anos em relação aos números de 2025. Ao todo, 13.448 mulheres foram mortas em dez anos pelo fato de serem mulheres, o que representa uma média de 1.345 crimes por ano.

 

Para discutir ações concretas e políticas públicas em defesa da vida das mulheres, o Correio Braziliense promoveu o CB.Debate “Pela Proteção das mulheres: um compromisso de todos”, nesta terça-feira (27).

 

A pesquisadora da Fiocruz Brasília, Socorro Souza, integrante do Colaboratório Com Elas pelo fim do Feminicídio no DF, foi uma das painelistas do painel “O papel da sociedade no combate à violência contra a mulher”, que abordou a mobilização social, a mudança cultural e o engajamento coletivo na prevenção das agressões.

 

Socorro Souza, destacou que a principal barreira no enfrentamento à violência contra as mulheres está na distância entre as políticas públicas e a realidade vivida nos territórios. Segundo ela, a falta de compreensão sobre como funciona a rede de proteção e a ausência de políticas que considerem as desigualdades estruturais ampliam os riscos para mulheres em situação de violência.

 

A pesquisadora falou das ações que estão sendo desenvolvidas pelo Colaboratório Com Elas, principalmente na Cidade Estrutural, como a pesquisa-ação, ainda em andamento, que identificou que organizações de mulheres com mais de dez anos de atuação comunitária no DF relatam dificuldades para orientar vítimas sobre como proceder, especialmente em casos de ameaça à vida. “Mesmo com histórico de luta e organização, muitas mulheres ainda não sabem como acessar o sistema de proteção”, afirmou ao complementar: “nós estamos ouvindo essas mulheres, de fato? Precisamos criar lugares seguros de escuta, e que seja uma escuta sensível”, ressaltou Socorro.

 

Para enfrentar essa realidade, o evento organizado pelo Correio Braziliense reuniu nomes como as ministras Marina Silva e Luciana Santos, além de magistradas e especialistas. O primeiro painel abordou a responsabilidade institucional do Estado.

 

Clique aqui e assista ao CB.Debate “Pela Proteção das mulheres: um compromisso de todos”.

A galeria de fotos pode ser conferida aqui.

Com informações do Correio Braziliense.