Para quem nunca havia saído de Brasília de avião, atravessar as nuvens rumo ao Rio de Janeiro já parecia uma aventura. Mas a viagem reservava muito mais do que uma primeira decolagem. Entre apresentações científicas, encontros com jovens pesquisadores de todo o país e a descoberta de um dos cenários mais emblemáticos da ciência brasileira, três estudantes da Fiocruz Brasília viveram dias que dificilmente serão esquecidos.
Déborah da Silva, Sarah Yasmin e Melissa Vitória, jovens de 16 anos, estudantes do Centro de Ensino Médio 111 do Recanto das Emas, representaram a unidade na 3ª Jornada Nacional de Iniciação Científica da Rede do Programa de Vocação Científica (Provoc), realizada na Fiocruz, no Rio de Janeiro. O evento integrou as comemorações dos 40 anos do Provoc e reuniu mais de 200 estudantes de diferentes estados brasileiros para compartilhar pesquisas, experiências e trajetórias construídas a partir da iniciação científica.
Para as três jovens, a jornada começou antes mesmo da abertura oficial do evento. Foi no aeroporto, diante dos portões de embarque, que vieram a ansiedade, o frio na barriga e a expectativa de viver algo totalmente novo.
“Eu imaginava que ia ficar com medo, mas foi pelo contrário. Foi muito legal”, contou Déborah, lembrando da primeira viagem de avião. “A ciência nos leva para lugares incríveis, nos traz conhecimentos, experiências e nos faz conhecer pessoas incríveis”, completou.
Sarah também carregava receios. “Eu sempre tive muito medo de avião”, confessou. Mas a experiência acabou se transformando em uma conquista pessoal. “Foi algo novo para mim, desafiador. Quando cheguei aqui no Rio, achei tudo tão incrível. Fiquei toda boba vendo tudo.”
Já Melissa alimentava uma expectativa especial. Entre as atividades programadas, uma delas ocupava lugar de destaque em sua imaginação: conhecer o Castelo Mourisco, símbolo histórico da Fiocruz. “Eu estava muito ansiosa para conhecer o castelo”, contou. Antes mesmo de chegar, já havia pesquisado fotos e histórias sobre o local. E quando finalmente avistaram o edifício pela primeira vez, o encantamento veio de forma espontânea. Entre olhares atentos e expressões de surpresa, as estudantes caminharam pelos jardins de Manguinhos admirando a arquitetura que tantas vezes haviam visto apenas em fotografias.
Mais do que visitantes, elas chegaram ao Rio de Janeiro como pesquisadoras. Durante a jornada, as estudantes apresentaram trabalhos desenvolvidos no âmbito do Provoc. As pesquisas abordaram temas diretamente relacionados ao cotidiano e aos desafios contemporâneos da sociedade brasileira, como o impacto das redes sociais, a circulação de informações e fake news e as percepções sobre ciência e cientistas entre estudantes do ensino médio.
Entre os trabalhos apresentados estavam Redes Sociais, Envelhecimento e Direito à Saúde: interações e debates em grupos virtuais de pessoas idosas; A relação dos estudantes com a ciência: do cotidiano às fake news no CEM 111; e Percepção sobre cientistas e ciência no CEM 111: representação e estereótipos.
A experiência de compartilhar os resultados das pesquisas com estudantes de diferentes regiões do país também trouxe desafios. Melissa admitiu o nervosismo antes da apresentação, mas encarou o momento como parte do aprendizado. “Estou um pouco nervosa para apresentar, mas já sei o que vou falar”, disse.
Ao longo do encontro, os jovens participaram de debates, atividades culturais e trocas de experiências que reforçaram o papel da ciência como ferramenta de transformação social e ampliação de horizontes.
Na abertura da jornada, a coordenadora da Rede Provoc, Cristiane Nogueira, destacou a iniciação científica como um instrumento de democratização do acesso ao conhecimento, capaz de aproximar jovens da produção científica e ampliar oportunidades de formação e cidadania.
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, também ressaltou a importância de investir nas novas gerações, reafirmando o compromisso da instituição com a formação de jovens pesquisadores e com a construção de uma ciência cada vez mais conectada aos desafios da sociedade brasileira.
Para as bolsistas da Fiocruz Brasília, a dimensão dessa experiência talvez seja melhor traduzida pelas próprias descobertas. “Eu nunca imaginei que estaria aqui no Rio de Janeiro pela Fiocruz”, disse Melissa. “Desde que entrei na Fiocruz tenho tido muitas oportunidades e aprendido coisas que nunca imaginei”, completou Sarah.
Entre apresentações, novos aprendizados e a emoção da primeira viagem de avião, as três voltaram para Brasília levando mais do que certificados e fotografias. Voltaram com a certeza de que a ciência pode abrir caminhos antes inimagináveis, inclusive aqueles que começam no laboratório de uma escola e terminam, literalmente, acima das nuvens.
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