Com foco na história de Girlene Almeida, a produção revela como o afeto e a política constroem a liberdade fora dos manicômios
Por Juliana Vargas e Fernanda Severo
“Eu não tenho controle remoto. Eu quero ser uma mulher descontrolada”. A frase de Girlene Almeida, 54 anos, sintetiza o espírito do segundo episódio da Websérie Diários de Salvador – Morar em Liberdade. Mais do que um registro sobre saúde mental, esta produção audiovisual é um manifesto sobre o direito ao desejo, à ocupação das ruas e à recusa das etiquetas que historicamente silenciaram mulheres em sofrimento psíquico.
Artesã e atriz do grupo de teatro Os Insênicos, Girlene é o rosto de uma resistência que não se isola. Mineira radicada na Bahia, ela transformou sua vivência em ação coletiva ao fundar o Papo de Mulher, espaço de acolhimento e escuta qualificada voltado para o fortalecimento do protagonismo feminino e o Bazar das Loucas, iniciativa de economia solidária para reinserção social que subverte o estigma transformando a loucura em símbolo de criatividade e independência financeira.
Militante ativa do Movimento de Rua e da Luta Antimanicomial, sua trajetória prova que a autonomia não é um estado solitário, mas uma conquista construída em rede. Diferente das lógicas de confinamento, o episódio mostra uma Salvador onde o cuidado acontece no palco, nas feiras de artesanato e nas assembleias políticas. Através do olhar de Girlene, o espectador é convidado a perceber a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS como uma engrenagem que devolve ao sujeito o seu lugar de cidadão e artista.
A produção é fruto do projeto “Memórias da Saúde Mental: Cultura, Comunicação e Direitos Humanos”, realizado pelo Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Nusmad) da Fiocruz Brasília em parceria com a TV Pinel e o Desmad/Ministério da Saúde.
Esta criação integra a Websérie Diários de Salvador – Morar em Liberdade (onde mora a resistência?), produzida pelo Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Nusmad) da Fiocruz Brasília e pela TV Pinel. O projeto faz parte da iniciativa “Memórias da Saúde Mental: Cultura, Comunicação e Direitos Humanos”, em parceria com o Desmad/Ministério da Saúde, e percorre capitais brasileiras para consolidar o fortalecimento de uma sociedade sem manicômios.
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