Roberta Quintino (Psat / Fiocruz Brasília)
Depois de seis meses de atividades, o Curso Livre Agentes Populares de Promoção da Saúde e da Igualdade Racial (APPSIR) chegou ao fim no último dia 3 de julho, em Porto Alegre (RS). A etapa final reuniu educandos, educadoras e convidados para a conclusão da formação, que, ao longo do percurso, mobilizou mais de 200 pessoas em atividades de reflexão, troca de experiências e construção coletiva.
Vinculado ao Núcleo de Equidade, Gênero e Raça do Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat) da Fiocruz Brasília, o curso reuniu lideranças negras de movimentos sociais, representantes de religiões de matriz africana, integrantes de conselhos de direitos e profissionais da saúde. Desde janeiro deste ano, a formação buscou preparar agentes populares para atuar em seus territórios, fortalecendo iniciativas de promoção da saúde, enfrentamento ao racismo e articulação comunitária.
A turma foi formada por 16 agentes populares que já desenvolvem ações em diferentes comunidades. Durante a formação, os participantes aprofundaram discussões sobre direitos humanos, participação social, promoção da saúde, igualdade racial e os desafios vividos nos territórios, sempre relacionando esses temas às experiências concretas de quem atua junto à população.
Na última etapa, realizada entre os dias 29 de junho e 3 de julho, foram debatidos assuntos como os desafios atuais da saúde pública, o papel dos quilombos e terreiros como espaços de cuidado, as medicinas tradicionais e ancestrais afro-brasileiras, além da Educação Popular em Saúde e da construção de políticas públicas voltadas à equidade.
Para a ativista racial Artie Alika Ferreira Felix, de Caçapava do Sul (RS), um dos principais aprendizados do curso foi compreender a importância histórica da organização comunitária na conquista e na defesa dos direitos relacionados à saúde. Segundo ela, essa percepção fortaleceu o sentimento de pertencimento e ampliou sua disposição para seguir contribuindo com ações voltadas ao fortalecimento do cuidado coletivo em seu território.
A formação também abriu novas possibilidades de atuação prática. Entre as iniciativas que Artie pretende desenvolver estão a produção de materiais sobre a realidade da saúde local e a criação de espaços permanentes de diálogo com a comunidade, favorecendo a circulação de informações e a construção coletiva de soluções para os desafios do território.
Ela afirma que a convivência com participantes de diferentes regiões e trajetórias também ampliou sua compreensão sobre o cuidado em saúde. “A mobilização comunitária é importante para a construção da equidade em saúde. É na coletividade e na pluralidade que conseguimos construir uma saúde que leve em conta as interseccionalidades dos indivíduos, concebendo, assim, um cuidado mais eficiente.”