O lançamento reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil em um momento de acolhimento institucional, alinhamento e troca de experiências
Fábio Marques (Nusmad/Fiocruz Brasília)
A Fiocruz Brasília, por meio do Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Nusmad), realizou, no último dia 16 de abril, a aula inaugural do 2º ciclo do projeto Nós na Rede. A iniciativa do Ministério da Saúde, em parceria com a instituição, envolve ainda as Escolas de Saúde do SUS, Conass e CONASEMS, para qualificar profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em todo o país.
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A nova etapa formativa consolida o projeto como uma estratégia nacional de fortalecimento da saúde mental no Sistema Único de Saúde (SUS), ao promover formação baseada nas realidades territoriais e nas práticas cotidianas dos trabalhadores. O lançamento reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil em um momento de acolhimento institucional, alinhamento e troca de experiências.
A aula inaugural contou com a participação da diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, que destacou a importância do curso. “O Nós na Rede é uma estratégia fundamental para fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial no SUS, conectando formação e prática no território, qualificando o cuidado com base na escuta, no acolhimento e na integralidade. Iniciar uma nova turma é motivo de esperança, porque representa mais profissionais preparados para transformar realidades e promover um cuidado mais humano em todo o país.”
Também estavam presentes a coordenadora-geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Erika Almeida, que reforçou a estratégia do Nós na Rede. “Acreditamos na formação como uma estratégia central para transformar a realidade dos territórios, com os trabalhadores do SUS como protagonistas desse processo. É uma iniciativa que articula diferentes pontos da rede, conecta saberes e potencializa o trabalho coletivo, com uma parceria estratégica entre Fiocruz, Ministério da Saúde e escolas do SUS para responder às realidades locais em todo o país”, afirmou.
A mediação foi realizada pela assessora pedagógica Daiana Brito. O encontro também apresentou a aula temática “O trabalho em rede no SUS e a potência do território na Atenção Psicossocial”, ministrada por Renata Pimentel, autora e apoiadora educacional do curso. Participou, ainda, a egressa do primeiro ciclo, Teresa Cristina Vieira, que contou sua experiencia no projeto.
Durante o evento, foram exibidos registros do primeiro ciclo do projeto, além de depoimentos de participantes, evidenciando os impactos da formação na qualificação do cuidado em saúde mental e no fortalecimento do trabalho em rede, como relatou a egressa do 1º Ciclo, Teresa Cristina Vieira.
“O Nós na Rede me mostrou a potência da sensibilidade — não apenas aquela que mobilizamos para a técnica, para lembrar das legislações, dos fluxos ou para olhar nos olhos do paciente, do usuário, mas a sensibilidade voltada ao nosso próprio cuidado enquanto trabalhadores. Porque, se não formos gentis conosco, não conseguiremos ofertar nem o mínimo que essas pessoas precisam”, compartilhou, emocionada.
Formação com foco no território e no cuidado em liberdade
Criado em resposta aos desafios intensificados pela pandemia de covid-19, além de crises sociais, ambientais e climáticas que ampliam o sofrimento psíquico da população, o Nós na Rede vai além de um curso de formação. A proposta é fomentar um movimento contínuo de reflexão crítica sobre as práticas de cuidado, com ênfase na equidade, no enfrentamento ao racismo e na superação de modelos manicomiais.
Com mais de 19 mil participantes no primeiro ciclo, o projeto inicia sua segunda edição com número semelhante de estudantes matriculados, reforçando o alcance e a relevância do curso em todo o território nacional. A iniciativa segue ampliando sua capilaridade e reafirmando o compromisso com uma política de saúde mental mais digna, equânime e integrada para a população brasileira.
Entre os principais diferenciais do curso estão a abordagem territorializada, que parte das demandas reais dos serviços e comunidades e incentiva a transformação das práticas no cotidiano; a metodologia participativa, que valoriza a experiência dos trabalhadores e promove a construção coletiva do conhecimento; e o fortalecimento do cuidado em liberdade, alinhado aos princípios da Reforma Psiquiátrica, com foco na autonomia dos usuários e na construção de redes vivas de atenção.
Valorização dos trabalhadores do SUS
O projeto também reafirma o protagonismo dos profissionais da saúde como agentes de transformação social. Relatos de participantes destacam o Nós na Rede como uma experiência formativa que amplia o olhar sobre o cuidado, fortalece vínculos e contribui para práticas mais humanizadas no SUS.