Fiocruz Brasília e Codeplan firmam convênio que cria rede de inteligência cooperativa no DF

Fernando Pinto 13 de setembro de 2021


Na última sexta-feira, 10 de setembro, a Fiocruz Brasília firmou convênio na área de políticas públicas de promoção de territórios saudáveis e sustentáveis com a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). A iniciativa tem como objetivo compreender as diferentes realidades do Distrito Federal (DF) e subsidiar estratégias para trabalhar junto com os territórios em situação de vulnerabilidade.

 

O projeto está ancorado em experiências como o Radar de Territórios, coordenado pela Fiocruz Brasília, e vai contribuir para o projeto Brasília Inteligente, do Governo do Distrito Federal. As ações são pautadas também pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, em especial aqueles relacionados com saúde e bem-estar, cidades e comunidades sustentáveis, e redução das iniquidades.

  

Para tanto, Fiocruz e Codeplan propõem a criação de uma Rede de Inteligência Cooperativa, com ações de ensino, pesquisa e aplicação, por meio de parcerias interinstitucionais e com a formação de pesquisadores populares sociais. A parceria busca promover ações que envolvam instituições de ciência e o Poder Executivo. Os resultados serão encaminhados à Secretaria de Saúde para o aprimoramento do combate à Covid-19. O projeto é financiado por emendas parlamentares de autoria do deputado distrital Leandro Grass e da deputada federal Erika Kokay.

 

A vice-diretora da Fiocruz Brasília, Denise Oliveira e Silva, ressaltou que o convênio vai contribuir para a compreensão do que são Territórios Saudáveis e Sustentáveis (TSS) e na disseminação da ciência. O grande desafio da Fiocruz Brasília é romper o distanciamento entre a ciência e o cidadão nos territórios. “É importante falar de TSS na fila do pão e dentro do ônibus”, afirmou.

 

Durante a assinatura do convênio, o presidente da Codeplan, Jean Lima, ressaltou que parcerias como essa fortalecem as instituições de pesquisa do país e auxiliam na criação de evidências para as políticas públicas. “Hoje damos um grande passo nessa parceria para o combate à pandemia e às desigualdades sociais no DF”, declarou.

 

O deputado distrital Leandro Grass afirmou que o convênio vai contribuir para valorizar a democracia social e garantir políticas públicas que atendam, de fato, às atuais necessidades dos territórios do DF. Grass enfatizou que não há democracia sem a participação dos cidadãos e cidadãs nas políticas públicas. “A cidadania é exercida na possibilidade de as pessoas efetivarem e serem parte da sua própria dignidade, e esse projeto representa isso”, disse. A deputada federal Erika Kokay também ressaltou que os territórios são espaços de participação fundamental para sustentar a democracia e para a construção de direitos. “Essa iniciativa parte destes pressupostos fundamentais para que possamos esperançar”, afirmou. 

 

A assinatura do convênio ocorreu dentro da programação do webinário “Pesquisa e desenvolvimento para a governança territorial saudável e sustentável no DF”, que contou com a apresentação do projeto das Salas de Cooperação Social e do projeto Brasília Inteligente, além de uma roda de conversa sobre as experiências de formação de agentes de governança territorial.

 

Salas de Cooperação Social

A diretora de Estudos Urbanos Ambientais da Codeplan, Renata Florentino, apresentou o projeto “Rede de Salas de Cooperação Social nas Regiões Administrativas do DF”, que tem como objetivo realizar o levantamento e o compartilhamento de informações em tempo real, com relatórios que subsidiem os gestores públicos na tomada de decisões, sobretudo em momentos de crise, como é o caso da pandemia da Covid-19.

 

Cidade Estrutural e Sol Nascente serão os primeiros territórios contemplados pela iniciativa, mas a previsão é que as Salas de Cooperação Social sejam implantadas em todas as Regiões Administrativas do DF. O convênio prevê que a Fiocruz Brasília capacitará pesquisadores populares com curso de formação para que possam, em campo, verificar as estratégias comunitárias utilizadas durante a pandemia para a construção de territórios saudáveis, sejam elas de prevenção, em prol da vacinação, cuidados pós-contágio e recuperação.

 

O projeto busca desenvolver metodologia participativa para monitorar as condições sanitárias, em tempo real, e gerar respostas ágeis no enfrentamento da Covid-19 e de outras doenças comuns nos territórios. “Vamos ter a chance de reunir agentes comunitários, pesquisadores e membros da comunidade para fazer essa investigação sobre o que está ao alcance do território durante a pandemia”, explicou a diretora da Codeplan.

 

Agentes de governança territorial

O coordenador de Integração Estratégica da Fiocruz Brasília, Wagner Martins, apresentou a experiência de formação de agentes populares em governança territorial. O curso foi uma iniciativa do Instituto Federal de Brasília (IFB) em parceria com a Escola de Governo Fiocruz – Brasília, e capacitou pesquisadores populares para atuarem na Cidade Estrutural (DF) como Agentes de Governança Territorial.

 

A partir do curso, os estudantes desenvolveram ações para o enfrentamento da pandemia e suas consequências nos territórios – a proposta voltada à Cidade Estrutural foi selecionada por meio de chamada pública da Fiocruz, aproximando alunos, docentes e atores populares do território.

 

A pandemia trouxe a necessidade de a sociedade buscar a construção de redes de cooperação, e foi criada uma rede de parceria potente para enfrentar a Covid-19 no DF. “Só com cooperação, solidariedade e empatia vamos conseguir enfrentar as consequências que essa doença traz”, disse o coordenador. “Precisamos executar ações de intervenção junto com a comunidade e com as lideranças do território”, concluiu.

 

Uma das ações em andamento é o Fundo de Resiliência Solidária (FRS), cujo objetivo principal é auxiliar pessoas das comunidades em maior vulnerabilidade social, severamente afetadas pelos impactos socioeconômicos da Covid-19. O Fundo é administrado pelo Banco Comunitário Estrutural, por meio do Movimento de Educação e Cultura da Estrutural (Mece).

 

 

Brasília Inteligente

Já o subsecretário de Tecnologias de Cidades Inteligentes do DF, Luciano Cunha de Souza, apresentou o projeto Brasília Inteligente, que tem o propósito de acelerar a adoção de tecnologias para tornar as Regiões Administrativas mais humanas e sustentáveis.

 

Segundo o subsecretário, a proposta é melhorar a qualidade de vida da população por meio do aperfeiçoamento de tecnologias, além de trabalhar com soluções técnicas para resolver demandas do DF. “Precisamos criar soluções sustentáveis para unir o poder público e a população, e gerar melhores resultados no território. Cidade inteligente é uma cidade que escuta e conversa com seus cidadãos”, enfatizou.

 

Participaram ainda do evento o subsecretário de Infraestrutura e saúde do DF, Mário Henrique Furtado; a presidente do Conselho de Saúde do DF, Jeovânia Rodrigues; e agente popular Candace Costa Cunha, egressa do Curso de Especialização em Governança Territorial para o Desenvolvimento Saudável e Sustentável.

 

Fotos: Sergio Velho Junior/Fiocruz Brasília