E-book reúne reflexões sobre a relação entre comunicação, imprensa e saúde pública

Fernando Pinto 5 de novembro de 2026


A comunicação como direito fundamental, instrumento de promoção da saúde e estratégia de enfrentamento à desinformação é o tema central do e-book “As relações da saúde pública com a imprensa: covid-19, o que a comunicação tem a ver com isso?”. A publicação reúne reflexões e experiências sobre o papel da comunicação na construção de políticas públicas de saúde e no diálogo entre ciência e sociedade.

 

A obra é resultado do Seminário “As relações da saúde pública com a imprensa” promovido pela Assessoria de Comunicação da Fiocruz Brasília, iniciativa realizada desde 2008 e que, ao longo de suas edições, tem promovido debates sobre os desafios da comunicação no campo da saúde. A publicação destaca especialmente as discussões da sétima edição nacional e terceira internacional do evento, que teve como eixo central a pandemia de covid-19.

 

O período da emergência sanitária evidenciou a importância da comunicação para além da transmissão de informações. Em um cenário marcado pela circulação acelerada de conteúdos nas plataformas digitais, pela disseminação de notícias falsas e pelo crescimento de movimentos negacionistas, tornou-se ainda mais necessário refletir sobre estratégias de comunicação capazes de aproximar o conhecimento científico da população e fortalecer a confiança nas instituições.

 

A publicação aborda a comunicação em saúde como uma prática transversal, que articula diferentes saberes, atores sociais e formas de produção de conhecimento. Parte do entendimento de que saúde não se limita aos aspectos biológicos, mas envolve também condições de moradia, alimentação, trabalho, lazer, relações sociais e acesso à informação.

 

Nesse contexto, comunicar também significa contribuir para a garantia do direito à saúde. O acesso à informação qualificada influencia decisões individuais e coletivas, fortalece a participação social e amplia as possibilidades de compreensão e mobilização em torno das políticas públicas. A obra reforça, assim, a necessidade de uma comunicação dialógica, democrática e comprometida com as evidências científicas.

 

Além de discutir os desafios impostos pela pandemia e pela infodemia, o e-book propõe ampliar o debate sobre a comunicação em saúde para além dos períodos de emergência sanitária. Em um mundo hiperconectado, no qual diferentes pessoas e grupos também produzem e disseminam informações, a construção de estratégias de comunicação exige novas abordagens e o fortalecimento do diálogo com a sociedade.

 

Ao reunir diferentes perspectivas sobre o tema, a publicação contribui para o debate sobre o papel da imprensa, das instituições públicas, da ciência e dos profissionais de comunicação na defesa da vida e na efetivação do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Acesse o e-book: confira aqui a publicação. 

 

Curiosidade

As ilustrações que compõem o e-book são resultado de uma chamada pública que selecionou 25 trabalhos entre charges, cartuns, caricaturas e tirinhas sobre a covid-19 e suas consequências.

 

Aberta a desenhistas profissionais e amadores do Brasil e do exterior, a iniciativa recebeu mais de 250 trabalhos de autores de 33 países, entre eles Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Cuba, Estados Unidos, Filipinas, Itália, Marrocos, Reino Unido, Rússia e Ucrânia. O Irã se destacou pelo número de participantes, com 35 autores inscritos. No Brasil, foram recebidas obras de Alagoas, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.

 

Após o processo de curadoria, os 25 desenhos selecionados fizeram parte de uma exposição realizada durante o III Seminário Internacional e VII Seminário Nacional As Relações da Saúde Pública com a Imprensa, entre 7 e 11 de novembro de 2022. O desenho escolhido para a capa do ebook foi definido por júri popular, formado pelos seguidores da página da Fiocruz Brasília no Instagram, por meio de votação online.