Beatriz Muchagata (CTIS/Fiocruz Brasília)
Projeto inovador coordenado pelo CoLaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS/Fiocruz Brasília) apoia iniciativas comunitárias e solidárias em todo o Brasil, unindo ciência, tecnologia e saberes populares para promover saúde, inclusão e sustentabilidade
Criada em 2024 pela Fiocruz Brasília, por meio do CoLaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS), a Incubadora Social do Programa de Incubação de Soluções Sociotécnicas (PISS) é um projeto nacional que busca apoiar coletivos, comunidades e iniciativas econômicas solidárias com propostas inovadoras voltadas para a transformação social e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Incubadora Social do PISS tem como objetivo criar e fortalecer ambientes especializados e cooperativos de inovação, apoiando projetos que dialoguem com políticas públicas e tragam respostas concretas a desafios sociais, ambientais e econômicos. Os temas prioritários incluem saúde única e planetária, educação popular, agroecologia, bioeconomia, economia circular, soluções baseadas na natureza, tecnologias digitais, economia solidária, governança territorial e tecnologias sociais.
A iniciativa inspira-se no modelo Cerne (Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos), referência nacional desenvolvido pela Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de
Empreendimentos Inovadores) e Sebrae, que padroniza processos e fortalece a gestão de incubadoras. Além disso, utiliza os Níveis de Maturidade de Tecnologias Sociais (NMTS) para avaliar e apoiar a evolução das soluções, desde a fase de ideação até a possibilidade de escalabilidade como política pública.
As cinco fases do processo
O processo de incubação é estruturado em cinco fases complementares. A primeira é a sensibilização, que busca mobilizar pessoas, coletivos e instituições nos territórios para pensar soluções inovadoras e solidárias. Em seguida, ocorre a prospecção, fase em que os interessados recebem orientação e capacitação para a inscrição e elaboração de propostas.
A terceira etapa é a seleção, realizada por meio de edital público, que avalia os projetos de acordo com os objetivos do programa e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. Depois vem a incubação, considerada a fase central do processo, que inclui cursos, mentorias, diagnósticos, planejamento de atividades, formações comuns e específicas, além de monitoramento e avaliação contínua.
Por fim, a quinta fase é a graduação, que certifica os grupos que completaram a jornada e ainda os apoia na articulação com novos parceiros e oportunidades.
Importância e impactos esperados
Mais do que um espaço de formação, a incubadora é um instrumento estratégico de empoderamento social. Ao unir ciência, tecnologia e saberes tradicionais, promove a geração de trabalho e renda, a redução das desigualdades sociais, a ampliação do acesso a serviços públicos e a construção de territórios saudáveis, inclusivos e sustentáveis.
A proposta está alinhada à Agenda 2030 da ONU e ao Programa Institucional de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Fiocruz, fortalecendo práticas como a agroecologia, a inovação social e vigilância popular em saúde. A ideia é que as soluções incubadas não fiquem restritas a um território, mas possam ser replicadas, adaptadas e até transformadas em políticas públicas.
“O Programa de Incubação Sociotécnica do CoLaboratório da Fiocruz Brasília nasce para apoiar os grupos sociais que desejam contribuir com o SUS, com tecnologias digitais ou sociais. Queremos fortalecer a interação de iniciativas, principalmente àquelas das periferias urbanas e rurais, em uma economia solidária e ecológica, uma verdadeira economia para a vida, que conjuga ciência, saberes comunitários e sustentabilidade no cuidado com a saúde e com os territórios” destaca o coordenador do CTIS, Wagner Martins.
Um futuro construído coletivamente
O diferencial da incubadora é colocar a cooperação no centro do processo inovador, articulando redes sociotécnicas e estimulando soluções de impacto real na vida das pessoas. Com a Incubadora Social do PISS, a Fiocruz Brasília reafirma sua missão de integrar ciência, tecnologia e sociedade, contribuindo para um futuro mais solidário, saudável e sustentável.
Localizada na capital do país, a Fiocruz Brasília atua com base em três eixos principais — Integração, Inteligência e Formação — articulando suas ações com instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais. O CoLaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS) é o espaço estratégico dessa articulação. Ele funciona como um ambiente de cooperação entre governo, academia, sociedade civil e empresas, promovendo soluções científicas, sociais e tecnológicas que atendam às demandas da população e ampliem o acesso à saúde.