Formação-Ação fortalece vigilância popular em saúde do trabalhador e trabalhadora no DF

Fiocruz Brasília 26 de junho de 2026


O segundo encontro do curso reuniu representantes de diversas categorias para debater saúde mental, racismo ambiental e estratégias de organização nos territórios

 

Na tarde desta quarta-feira (24), estudantes, residentes, enfermeiros, trabalhadores da limpeza urbana, entregadores por aplicativo, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), representantes de cooperativas, pesquisadores e profissionais de instituições públicas participaram do segundo encontro do Curso de Formação-Ação em Vigilância Popular em Saúde da Trabalhadora e do Trabalhador. 

 

A iniciativa é promovida pelo Fórum Sindical em Saúde, Trabalho e Direitos Humanos do Distrito Federal e Região, gerido pelo Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat) da Fiocruz Brasília, em conjunto com o Sindicato das Enfermeiras e dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnf-DF), o Sindicato dos Trabalhadores de Limpeza Urbana do DF (Sindlurb) e o Sindicato dos Bancários do DF. O objetivo é fortalecer a participação popular na construção de ações de vigilância em saúde do trabalhador, articulando diferentes categorias e territórios.

 

O encontro começou com uma mística realizada pelos assentados da reforma agrária, atividade cultural e de acolhimento que abriu os trabalhos do dia. Em seguida, os participantes se apresentaram e compartilharam suas expectativas para o curso por meio de uma única palavra. Entre as expressões escolhidas estavam luta, esperança, resiliência, fortalecimento, acolhimento, união, empatia e transformação.

 

Durante a atividade, o professor da Fiocruz e membro da Executiva do Fórum Sindical em Saúde, Trabalho e Direitos Humanos do DF e Região, Jorge Machado ,e a antropóloga, pesquisadora e integrante do Fórum, Jaqueline Bonne, apresentaram a metodologia do curso, baseada na construção coletiva do conhecimento e na articulação entre teoria e prática.

 

“A proposta permite que os participantes desenvolvam ações de vigilância popular a partir das realidades vividas em seus territórios e locais de trabalho”, explicou Jorge Machado.

 

Segundo ele, a vigilância popular em saúde do trabalhador parte do princípio de que quem vivencia diariamente a realidade do trabalho conhece profundamente os problemas do território.

 

Entre os temas centrais desta edição estão a saúde mental e o racismo ambiental, identificados pelo Fórum como questões recorrentes nas diferentes categorias participantes. A proposta é que esses temas sirvam como ponto de partida para a construção de diagnósticos e ações voltadas à promoção da saúde e à defesa dos direitos dos trabalhadores.

 

A metodologia prevê a realização de atividades presenciais, chamadas de “tempo escola”, e ações nos territórios, denominadas “tempo comunidade”. Nesses encontros comunitários, os participantes deverão levantar informações sobre suas realidades, identificar situações que afetam a saúde dos trabalhadores e construir propostas de intervenção.

 

Para Jaqueline Bonne, o curso busca fortalecer a capacidade dos próprios trabalhadores de produzir informações sobre seus territórios e transformá-las em ações concretas de mobilização, reivindicação e defesa de direitos.

 

“Temos aqui enfermeiros, garis, entregadores por aplicativo, trabalhadores do campo, estudantes e pesquisadores. Essa diversidade é uma das maiores riquezas do curso. Quando diferentes experiências se encontram, conseguimos compreender melhor os desafios da saúde do trabalhador e construir respostas coletivas para problemas que muitas vezes são comuns a vários territórios”, afirmou.

 

Já o presidente do SindEnf-DF, Jorge Henrique, acredita que a participação dos enfermeiros e enfermeiras reforça a importância de incluir a enfermagem nos processos de vigilância popular, já que esses profissionais vivenciam diretamente os impactos das condições de trabalho na saúde da população e dos trabalhadores.

 

A programação também contou com atividades em grupo. Inicialmente, os participantes se reuniram por categoria ou organização de origem para discutir suas realidades, o que permitiu a identificação de demandas, desafios e características comuns de cada território e processo de trabalho. Esses grupos serão responsáveis por desenvolver as atividades do tempo comunidade, etapa da formação em que os participantes realizarão ações e levantamentos em seus territórios e locais de atuação.

 

Na sequência, foram formados quatro grupos mistos, que reuniu trabalhadores de diferentes áreas e territórios. Cada grupo ficou responsável por construir sua identidade coletiva, escolher um nome, uma palavra de ordem, um representante para a relatoria das discussões e uma atividade de mística a ser apresentada nos próximos encontros da formação.

 

Ao final do curso, os resultados das atividades desenvolvidas pelos grupos serão sistematizados e apresentados em um seminário, que irá contribuir diretamente  para a construção de um observatório popular voltado à saúde da trabalhadora e do trabalhador no Distrito Federal.

 

A expectativa é que o processo formativo deixe como legado uma rede permanente de vigilância popular, capaz de articular diferentes categorias e fortalecer a participação social na construção de políticas públicas voltadas à saúde, ao trabalho e à qualidade de vida da população trabalhadora.

 

Fotos: Camila Piacesi