Mateus Quevedo (Angicos/Fiocruz Brasília)
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) realizaram o I Encontro Nacional Saúde Camponesa e Agroecologia, entre os dias 25 e 27 de março, em Luziânia (GO). A atividade reuniu agricultores de 16 estados do Brasil e pesquisadores da Fiocruz para discutir saúde, agroecologia, alimentação e território diante de desafios atuais, como a insegurança alimentar, as emergências climáticas e as desigualdades socioambientais.
A fim de integrar experiências científicas e populares e identificar possibilidades de ações futuras conjuntas, o encontro dialogou sobre quatro eixos temáticos principais: transição agroecológica, abastecimento popular de alimentos, plantas medicinais e saúde mental.
O trabalho de grupos aproximou as ações que agricultoras e agricultores realizam nos territórios e as ações desenvolvidas por diferentes unidades técnico-científicas da Fiocruz, como a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), o Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS/VPAAPS), a Fiocruz Pernambuco e a Fiocruz Brasília.
O coordenador da Agenda de Saúde e Agroecologia da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), André Burigo, explicou que o encontro buscou avançar nas ações de cooperação entre a instituição e o MPA, a fim de incidir na produção de conhecimento que tenha impacto no Sistema Único de Saúde (SUS) e na melhoria das condições de vida e de saúde de quem está no campo e nas cidades.
“Temos uma epidemia de obesidade e sobrepeso que sobrecarrega o SUS com um conjunto de doenças, sofrimentos e mortes relacionado à hipertensão, à diabetes, às doenças cardíacas e metabólicas, e que tem uma relação muito forte com a alimentação”, afirmou Burigo.
Segundo o coordenador, a promoção da alimentação saudável passa por fortalecer a agricultura familiar, por responder às demandas por direitos e por políticas públicas deste segmento da população, incluindo as de saúde, e pela transição para sistemas alimentares sustentáveis e justos.
Para a representante da coordenação do MPA, Denilva Santos, o encontro foi um momento para fortalecer o trabalho que o Coletivo de Saúde já desenvolve nos estados de atuação do MPA, bem como os modos de vida camponeses que conservam a biodiversidade e produzem alimentação saudável. “Quando a gente fala de saúde é no sentido mais amplo: passa pelo prato de comida, pela agroecologia, pela vida de qualidade, pela soberania”, destacou.
O pesquisador do Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat/Fiocruz Brasília), Jorge Machado, ressaltou que é preciso ampliar os eixos de formação, comunicação e educação popular, aproximando cada vez mais essa parceria das necessidades dos territórios. “É fundamental essa cooperação da Fiocruz com o MPA, estruturada em eixos como saúde mental, transição agroecológica e plantas medicinais e abastecimento popular, integrando a promoção da saúde ao modo de vida camponês e agroecológico. Temos fortalecido práticas como cooperativas e grupos de cuidado, com o apoio crescente da vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde”, ponderou.