A Fiocruz Brasília participou, na última sexta-feira (20), da cerimônia de afiliação do Brasil à Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reúne governos e instituições comprometidos com a promoção de ambientes mais inclusivos para o envelhecimento.
A iniciativa tem como objetivo incentivar a criação de ambientes que promovam a participação, a segurança e o bem-estar das pessoas idosas, além de estimular a troca de experiências e o apoio mútuo entre cidades e comunidades.
Durante cerimônia, a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, destacou a importância da articulação entre instituições para avançar na agenda do envelhecimento. “A adesão à rede global significa assumir um compromisso coletivo entre gestores, conselhos, instituições de pesquisa e a sociedade para construir cidades que respeitem os direitos das pessoas idosas e garantam mais autonomia e dignidade”, afirmou.
Damásio também chamou atenção para os desafios nos territórios. “É importante que a gente pense em cidades mais responsivas às necessidades das pessoas idosas, com mais acessibilidade, mais segurança e condições de mobilidade que garantam o direito de ir e vir”, disse. Segundo Damásio, a construção dessa agenda envolve esforços contínuos e integração entre diferentes setores. “Estamos construindo uma agenda propositiva para responder a essas transformações e fortalecer o direito a uma vida digna ao longo do envelhecimento”, completou.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, afirmou que a entrada do Brasil na iniciativa está associada ao compromisso com a promoção de direitos. “Estamos falando de construir territórios onde envelhecer não seja sinônimo de exclusão, mas de pertencimento, respeito e participação”, declarou.
Macaé também destacou a necessidade de articulação entre diferentes áreas e países. “Garantir dignidade às pessoas idosas exige uma atuação integrada, intersetorial e também uma cooperação internacional, porque as políticas públicas têm impacto direto na redução das desigualdades”, afirmou.
Dados apresentados durante a cerimônia indicam que o Brasil possui cerca de 36 milhões de pessoas idosas, sendo o grupo etário que mais cresce no país. Esse cenário está associado, entre outros fatores, à ampliação de políticas públicas, incluindo ações no âmbito do Sistema Único de Saúde e do Sistema Único de Assistência Social.
O representante da Organização Pan-Americana da Saúde e a OMS no Brasil, Cristian Morales destacou o cenário de envelhecimento populacional. “Sabemos que o mundo está envelhecendo rapidamente e, no Brasil, esse processo ocorre de forma acelerada, o que traz novos desafios para as políticas públicas”, disse.
Ele também ressaltou o papel da Rede Global nesse contexto, conectando cidades e países e apoiando os membros na busca de soluções para garantir ambientes mais inclusivos e preparados para o envelhecimento. Segundo Morales, o cenário exige respostas integradas. “Esse processo demanda um novo olhar para políticas em áreas como saúde, assistência social, educação e mobilidade, com atuação intersetorial”, completou.
Já o secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Alexandre da Silva, ressaltou a necessidade de adaptação dos espaços sociais ao processo de envelhecimento da população. Ele afirmou que a proposta do programa é oferecer diretrizes que possam ser adotadas por municípios em diferentes contextos, com o objetivo de promover dignidade e respeito às pessoas idosas. Também mencionou a ampliação de iniciativas voltadas a diferentes grupos sociais e a articulação entre governos, conselhos e instituições. “Estamos falando de uma política que considera a diversidade do país e busca incluir diferentes comunidades e realidades no centro das ações públicas”, completou.

A mesa da cerimônia contou ainda com a participação de Arilda de São Sabbas, representante do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa; Dolores Moreira, da Rede Nacional dos Gestores Estaduais e Distrital dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa; Thiago de Sá, coordenador da Rede Global na OMS; e James Fitzgerald, diretor do Departamento de Sistemas e Serviços de Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde.
O Coletivo Jatobá 60+, iniciativa da Fiocruz Brasília voltada à promoção de debates e ações sobre envelhecimento, também esteve presente na cerimônia. A participação do coletivo reforça a atuação institucional na agenda e a articulação com diferentes atores na construção de propostas relacionadas ao tema.
Rede Global e envelhecimento saudável
Criada em 2006 pela Organização Mundial da Saúde, a iniciativa Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas tem como objetivo orientar a adaptação de ambientes, serviços e políticas públicas ao envelhecimento da população. Em 2010, foi instituída a Rede Global, com a proposta de conectar cidades, comunidades e organizações comprometidas com a construção de territórios mais acessíveis e inclusivos.
Atualmente, a Rede Global reúne 1.739 cidades e comunidades membros em 57 países e territórios. A região das Américas concentra a maior parte dessas adesões, com 1.009 cidades distribuídas em 18 países e territórios que já integram ou estão em processo de adesão. No Brasil, 69 cidades são certificadas como Amigas da Pessoa Idosa pela OMS. Além do município do Rio de Janeiro, o estado do Paraná também integra a Rede como membro afiliado.
No Brasil, a adesão do governo federal à Rede amplia as possibilidades de cooperação internacional, intercâmbio de experiências e desenvolvimento de soluções baseadas em evidências. As cidades e comunidades participantes são avaliadas em aspectos como transporte, habitação, participação social, inclusão, comunicação, acesso à informação, apoio comunitário, serviços de saúde e acessibilidade dos espaços públicos.
Um desafio global, com resposta local
Durante a cerimônia, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania lançou o Programa Nacional Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas, voltado à promoção da autonomia, da inclusão e da participação plena da população idosa nos territórios.
O programa passa a organizar, no âmbito federal, a articulação dessa agenda no país e prevê adesão voluntária de estados, municípios e do Distrito Federal. A proposta busca fomentar ações integradas que considerem a diversidade das velhices e assegurem direitos em diferentes realidades territoriais.
A iniciativa está estruturada em 12 eixos de atuação: participação e integração comunitária; segurança e enfrentamento a todas as formas de violência; cuidado ao longo da vida; inclusão digital; emprego e inclusão social; saúde; educação; cultura, lazer, turismo e esporte; moradia e habitação; meio ambiente e justiça climática; acessibilidade e mobilidade; e garantia dos direitos humanos da pessoa idosa.
Entre os objetivos estão a ampliação das oportunidades de participação social, o fortalecimento de ações de prevenção e enfrentamento à violência e à discriminação, o apoio à construção de sistemas integrais de cuidado, a promoção da inclusão digital, a valorização dos saberes e experiências das pessoas idosas, o estímulo a políticas habitacionais adequadas e o fortalecimento das redes de proteção e dos espaços de participação social.
Confira o álbum de fotos da cerimônia