A formação de lideranças qualificadas é um dos pilares para o fortalecimento das políticas públicas no Brasil. Diante de desafios complexos e da necessidade de ampliar a capacidade de resposta às diferentes realidades da população, iniciativas voltadas ao desenvolvimento de competências estratégicas ganham relevância na administração pública federal.
Nesse contexto, as servidoras Juliana Bezerra e Katia Zeredo, da Fiocruz Brasília, participaram da quinta edição do Programa LideraGOV, voltado à formação de lideranças inovadoras e de alto impacto no serviço público federal.
Criado em 2020, o programa é realizado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e conta, desde 2023, com a parceria do Ministério da Igualdade Racial (MRI). A iniciativa é direcionada a servidores públicos federais e tem como foco o fortalecimento de competências relacionadas à liderança estratégica, inovação, integridade e gestão orientada a resultados.
Diversidade
A edição 5.0 reuniu participantes de 29 órgãos federais, representando 15 unidades da Federação e 36 carreiras públicas. A composição da turma foi marcada pela diversidade: 58% de pessoas negras e 32% de pessoas com deficiência.
A formação teve duração de 9 meses e é divido em três blocos: Liderando a si mesmo, Liderando equipes e Liderando organizações. Foram desenvolvidas competências relacionadas à liderança estratégica, inovação, integridade e gestão orientada a resultados, com foco na melhoria da prestação de serviços à população.
Para Katia Zeredo, um dos aspectos mais marcantes do programa foi a possibilidade de aplicar imediatamente os conhecimentos no ambiente de trabalho. Desde o primeiro encontro, destacou “a possibilidade de praticar imediatamente os conceitos e ferramentas no meu contexto real de trabalho”, o que tornou o aprendizado mais significativo e transformador. Segundo ela, o alinhamento entre teoria e prática foi essencial para consolidar os aprendizados e ampliar sua capacidade de liderança com maior intencionalidade e responsabilidade institucional.
Juliana destaca que a experiência no programa trouxe aprendizados consistentes sobre liderança pública, especialmente sob a perspectiva da promoção de ambientes mais diversos e inclusivos. À frente da coordenação de gestão da Fiocruz Brasília, a servidora acredita que a participação no Programa colaborou para o seu desenvolvimento como profissional e ampliou as possibilidades de atuação como liderança, independentemente de cargo ou função. “Termos pessoas egressas desse tipo de Programa em nossa unidade é um grande privilégio e uma esperança de avançarmos em formas de gestão mais humanizadas, engajadoras e que contribuam para uma melhor geração de valor público”, afirma.
Já Katia, coordenadora do Serviço de Gestão de Pessoas da unidade, destaca que a experiência também ampliou sua compreensão sobre o papel da diversidade nas instituições públicas. Antes do programa, já considerava que as pessoas são o principal ativo organizacional. Após a formação, reformulou essa percepção: “A diversidade de pessoas é o ativo mais importante da instituição. E o mais importante dos aprendizados foi respeitar e incentivar a presença dessa diversidade de pessoas no serviço público, para inspirar e serem inspiradas por colegas e gestores em um propósito de servir à sociedade”, completa.
De acordo com Katia, a própria composição da turma impactou diretamente o processo formativo, já que esta foi a primeira turma a ser selecionada com vagas distribuídas entre ampla concorrência e grupos com reserva para pessoas negras, indígenas, quilombolas, com deficiência e pessoas trans. O que, segundo ela, favoreceu um ambiente de escuta, integração e troca de experiências, tornando o processo formativo mais profundo e conectado à realidade do serviço público brasileiro.
Katia acrescenta que a representatividade qualifica a formulação de políticas públicas, inclusive na área da saúde. “Acredito que a representatividade qualifica de forma substantiva a formulação de políticas públicas, não só em saúde, mas em todos os setores. Quando os espaços de formulação não refletem a pluralidade da sociedade brasileira, há maior risco de fazer diagnósticos incompletos e soluções padronizadas. A representatividade contribui para incorporar experiências concretas e reduzir os vieses decisórios.”
Os aprendizados do programa já começaram a ser incorporados na rotina de trabalho da unidade. Juliana explica que, ao longo das sessões do Programa, algumas ferramentas foram implementadas de forma piloto e compartilhadas com outras lideranças.
“Um exemplo é a Roleta da Assertividade, que nos ajuda na prática da escutatória. Outro exemplo é a Premiação que realizamos como piloto na Coordenação de Gestão no final de 2025, como uma forma de valorização e reconhecimento da equipe. Algumas ferramentas foram compartilhadas com outras lideranças da equipe da gestão para podermos disseminar os aprendizados e possibilitar que os conhecimentos pudessem chegar a mais pessoas da nossa equipe”, conta Bezerra.
Produção coletiva
Como parte das atividades da edição 5.0, os participantes lançaram, no dia 4 de fevereiro, a obra Diversidade que Transforma: lideranças para um serviço público mais inclusivo, justo e eficiente. O livro reúne relatos e propostas organizados em três eixos: trajetórias no serviço público; convivência e liderança na diversidade; e sugestões para fortalecer justiça, pluralidade e eficiência na administração pública.
Com o tema “Engajamento no trabalho e liderança no setor público: Como o Programa LideraGOV atua nessa conexão”, o relato das servidoras conecta as ferramentas e aprendizados do programa como formas de promoção do engajamento de equipes.
Katia explica que o capítulo ao qual contribuiu enfatiza a centralidade das pessoas na geração de valor público. “Nosso capítulo enfatiza que não há entregas de qualidade sem pessoas engajadas, dispostas a inspirar e a serem inspiradas, movidas pelo propósito de servir à sociedade. O serviço público precisa de pessoas engajadas e capazes de reconhecer na diversidade não um obstáculo, mas um catalisador para soluções mais aderentes à realidade.” Ela considera que participar da elaboração de um livro que tem o objetivo de inspirar a construção de políticas e práticas públicas mais inclusivas, representativas e eficazes foi uma experiência significativa.
Juliana também recomenda a participação de outros colegas no programa. “Acredito que mais e mais servidores e servidoras da Gereb [Gerência Regional de Brasília] devam tentar participar do programa. Temos carência de formação de lideranças para o serviço público e esse Programa atua diretamente nessa lacuna.”
O que é o LideraGOV?
O Programa LideraGOV é uma iniciativa de desenvolvimento de lideranças da administração pública federal, criada em 2020. Realizado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), com parceria do Ministério da Igualdade Racial (MRI) desde 2023, o programa tem como objetivo fortalecer competências de liderança com foco em inovação, diversidade, integridade e resultados.
A formação tem duração média de um ano e é destinada a servidores públicos federais estáveis, selecionados por meio de processo seletivo. As atividades podem ocorrer nos formatos presencial, semipresencial e a distância.