Projeto “SUS com a gente” forma educadores populares para atuação em saúde no Espírito Santo

Fiocruz Brasília 27 de fevereiro de 2026


Mateus Quevedo (Angicos/Fiocruz Brasília)

 

Atividade realizada em Vitória preparou lideranças comunitárias para coordenar 45 turmas nas regiões norte, sul e metropolitana do estado

 

Entre os dias 25 e 27 de fevereiro, o Centro de Treinamento Dom João Batista, em Vitória (ES), sediou a formação de educadores e educadoras do projeto “SUS com a gente: formação de agentes populares de saúde no Espírito Santo”. A iniciativa é realizada pelo Núcleo de Educação Popular, Cuidado e Participação na Saúde (Núcleo Angicos) da Fiocruz Brasília.

 

A atividade reuniu lideranças comunitárias e representantes de movimentos sociais de diferentes regiões sul, norte e metropolitana do estado que atuarão como educadores e educadoras populares no curso de formação de agentes populares de saúde. Ao todo, serão 45 turmas distribuídas nos territórios capixabas.

 

Durante os três dias de imersão, os participantes mergulharam em temas centrais para a atuação como educadores populares: análise de conjuntura, fundamentos da educação popular em saúde, a Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS-SUS), histórico, princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), além dos quatro eixos que estruturam o projeto político-pedagógico do curso.

 

Formação na prática: avaliação dos participantes

Para os educadores e educadoras que vivenciaram a formação, o encontro foi muito além da transmissão de conteúdo. A metodologia participativa e o acolhimento às diferentes realidades foram aspectos destacados por quem esteve presente.

 

“Foi leve e participativo. A dinâmica permitiu a integração do grupo, o trabalho de pesquisa e a construção da mandala do SUS fez o grupo mergulhar na história a passos da militância. O trabalho dos eixos foi dinâmico e as apresentações foram criativas e diversas. Gratidão por fazer parte do projeto”, avaliou Rosemberg Moraes Caitano, educador do município de Serra, na região metropolitana.

 

Na mesma linha, Carlos Eduardo dos Santos, o Cadu, educador de Nova Almeida, também na Serra, ressaltou a coerência entre a proposta do projeto e a forma como a formação foi conduzida: “o curso apresentou de forma dinâmica e eficaz a ideia de educação popular na prática. A oportunidade da troca de experiências foi fundamental para a construção de conexão, pertencimento e para a motivação em participar desse projeto. A formação cumpre o seu papel e nos prepara para aplicar a educação popular em nosso território”.

 

Sheila Santos Sousa, educadora do território Sapê do Norte, no município de Conceição da Barra, também compartilhou sua percepção. “A formação foi muito boa e contemplou o material que já havia sido compartilhado conosco. Mesmo intensa, não foi cansativa. Foi dinâmica, respeitou as escutas com acolhimento, a diversidade e as vivências.”

 

A diversidade de trajetórias marcou o encontro. Entre os educadores em formação, há quilombolas, lideranças de periferias urbanas, agentes comunitários, integrantes de movimentos culturais e ambientalistas. Essa pluralidade reflete a aposta do projeto em fortalecer o cuidado em saúde a partir dos saberes e das realidades de cada território.

 

Importância estratégica para os territórios

A formação de educadores e educadoras populares é a etapa que antecede o início das turmas com agentes populares de saúde. O objetivo é qualificar lideranças locais para que possam, nos territórios, multiplicar conhecimentos e fortalecer a participação comunitária no SUS, articulando saberes científicos e ancestrais, promovendo saúde e ampliando o controle social.

 

Janete Valani, coordenadora regional do projeto no município de Castelo, reforçou a relevância da iniciativa para as comunidades capixabas. “O projeto SUS com a gente tem uma importância estratégica para os territórios do Espírito Santo, especialmente nas comunidades quilombolas, assentamentos, na agricultura familiar, grupos culturais e beneficiários de programas de políticas públicas, como o Minha Casa Minha Vida. Ao formar agentes educadores populares, o projeto fortalece o SUS a partir da base, do chão, da comunidade, onde a vida realmente acontece”, destacou Janete, que complementou que a formação é mais do que repassar informações sobre saúde: “promove consciência crítica, autonomia e protagonismo, valorizando os saberes populares e construindo conhecimento por meio do diálogo. Não é uma formação ‘de cima pra baixo’, mas um processo coletivo em que todos ensinam e aprendem”.

 

O projeto “SUS com a gente” prevê a formação de 1.200 agentes populares de saúde no Espírito Santo, com duração de quatro meses e carga horária de 96 horas, divididas entre Tempo Escola e Tempo Comunidade. A proposta é que os agentes atuem como replicadores, fortalecendo uma rede de cuidado compartilhado e territorial.