A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), a Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (Saps/MS) e o Campus Virtual Fiocruz divulgam o curso online, gratuito e autoinstrucional Mudanças climáticas e a atuação da Atenção Primária à Saúde. A nova formação visa fortalecer a capacidade adaptativa dos territórios e a integração entre cuidado, vigilância e gestão de riscos de desastres e emergências em saúde pública qualificando profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) para atuar diante dos efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde das populações. As inscrições já estão abertas! O curso tem carga horária de 45h, é voltado especialmente a profissionais da APS, mas aberto a todos os interessados na temática.
A atuação da APS é abordada de forma transversal em todos os módulos, contemplando os cuidados à saúde relacionados a diferentes tipos de eventos climáticos, os impactos sobre a infraestrutura e os processos de trabalho, a saúde dos trabalhadores e a articulação com a Vigilância em Saúde, a Defesa Civil e outros setores envolvidos na resposta nos territórios. O curso está organizado em cinco módulos sequenciais, tem caráter introdutório e utiliza diferentes recursos pedagógicos, como ilustrações, infográficos, mapas interativos, vídeos, entrevistas, além de textos, matérias e documentos oficiais.
Sua trilha de aprendizagem parte da compreensão das mudanças climáticas, de seus efeitos sobre a saúde e de conceitos relacionados à gestão de riscos de desastres e emergências em saúde, e avança para situações cada vez mais frequentes no país, como inundações, deslizamentos, secas, estiagens, ondas de calor e frio, incêndios florestais e queimadas.
Além dos conteúdos conceituais e técnicos, a formação conta com depoimentos de profissionais que vivenciaram situações relacionadas a eventos climáticos extremos em diferentes localidades. Os relatos apresentam experiências concretas sobre os impactos desses eventos nos serviços e territórios, os desafios encontrados e as estratégias adotadas para lidar com essas situações, aproximando o conteúdo das diferentes realidades encontradas pelos trabalhadores da APS.
Saberes sistematizados, olhar territorial e capacidade adaptativa da APS
Para a coordenadora acadêmica da formação, Vânia Rocha, que é pesquisadora colaboradora do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde, ligado à Escola Nacional de Saúde Pública (Cepedes/Ensp/Fiocruz), o curso responde a uma necessidade concreta dos serviços de saúde diante da intensificação dos eventos climáticos no país. Ele pretende contribuir para sistematizar saberes, promover o olhar territorial e fortalecer a capacidade adaptativa da APS diante dos desafios atuais e futuros impostos pelas mudanças climáticas.
“Os eventos climáticos produzem impactos em todas as regiões do Brasil, afetando diretamente a saúde das populações, causando danos à infraestrutura dos estabelecimentos de saúde e, em muitos casos, interrompendo a prestação de serviços. Essa realidade exige cada vez mais organização e capacidade de preparação e resposta local para enfrentar os efeitos diretos e indiretos das mudanças do clima”, afirma ela.
De acordo com Vânia, o curso busca apoiar gestores e trabalhadores da APS na organização dos serviços antes, durante e depois da ocorrência de eventos extremos. “No Sistema Único de Saúde, a Atenção Primária à Saúde é essencial na coordenação dos serviços de atenção e cuidado, especialmente em momentos críticos, como desastres e eventos climáticos extremos. Quando os profissionais se sentem mais preparados para lidar com os efeitos de curto, médio e longo prazo desses eventos, a partir da realidade de cada território, também se sentem mais seguros e capazes de exercer suas funções”, destaca Vânia.
Mudanças climáticas, saúde e atuação nos territórios
Essa iniciativa integra as ações desenvolvidas no âmbito da cooperação técnica entre a Ensp/Fiocruz e a Saps/MS, coordenada, na Escola, pela Vice-Direção de Escola de Governo em Saúde (VDEGS/Ensp). Vânia divide a responsabilidade do curso com Carlos Machado de Freiras, pesquisador titular da Ensp e coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (Cepedes/Ensp).
Segundo o vice-diretor de Escola de Governo em Saúde da Ensp/Fiocruz, Eduardo Melo, incorporar as mudanças climáticas à agenda da Atenção Primária significa reconhecer que seus efeitos já fazem parte do cotidiano dos territórios e dos serviços de saúde. Ele afirma que fenômenos como o El Niño, que podem influenciar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do país, também evidenciam a importância de preparar os serviços para lidar com riscos climáticos. Assim, a APS tem posição estratégica tanto pela proximidade com as populações quanto pela possibilidade de articular cuidado, vigilância e outras políticas e setores. “O novo curso é uma dimensão importante para ampliar essa capacidade de resposta e faz parte do esforço de cooperação entre a Ensp e a Saps/MS para enfrentar desafios contemporâneos do SUS”.
O compromisso da gestão federal envolve apoiar a organização do trabalho das equipes de saúde nos territórios, como destaca a coordenadora-geral de Saúde da Família e Comunidade da e Secretaria de Atenção Primária (Saps/MS), Ana Cláudia Cardozo Chaves. Segundo ela, no âmbito da gestão federal do SUS, temos o compromisso de cooperar com estados e municípios na organização da Atenção Primária diante dos efeitos das mudanças climáticas. “Preparar a APS para os impactos das mudanças climáticas passa por apoiar as equipes na reorganização dos processos de trabalho, de modo articular entre o cuidado e a vigilância no acompanhamento da população. O curso estimula e oferece subsídios para que gestores e trabalhadores organizem ações e serviços a partir das necessidades e dinâmicas de cada território”, explicou.
Já a coordenadora-geral de Acesso e Equidade na Atenção Primária à Saúde da Saps/MS, Lilian Silva Gonçalves, aponta que a formação de gestores e profissionais da APS é fundamental para fortalecer a capacidade do SUS para prevenir, preparar, responder e se recuperar dos impactos das emergências climáticas na saúde da população. “A partir de uma abordagem territorial, é possível reconhecer as vulnerabilidades e necessidades específicas de cada comunidade, planejar ações mais adequadas às realidades locais e garantir a continuidade do cuidado, especialmente para as populações em situação de maior vulnerabilidade. Este curso é uma oportunidade para ampliar conhecimentos, qualificar as práticas profissionais e fortalecer uma atuação integrada e orientada pela promoção da equidade em saúde, contribuindo para uma APS mais preparada, resiliente e capaz de proteger a saúde e a vida das pessoas diante dos desafios das mudanças climáticas”, defendeu ela.
Conheça a estrutura da nova formação e inscreva-se:
Módulo 1 – Mudanças climáticas em saúde
Aula 1: Impactos ambientais das mudanças climáticas e efeitos na saúde
Aula 2: Conceitos principais: Emergências em Saúde Pública e eventos climáticos extremos
Aula 3: Gestão de riscos de desastres e emergências em saúde (GRDE em saúde)
Aula 4: A APS como área estruturante do cuidado integral à saúde e sua atuação na GRDE em saúde
Módulo 2 – Desastres intensivos
Aula 1: Eventos climáticos extremos, emergência climática e emergências em saúde pública
Aula 2: Os desastres intensivos e seus efeitos na saúde
Aula 3: Atuação da APS diante de desastres intensivos nas etapas da GRDE em saúde
Módulo 3 – Desastres extensivos
Aula 1: Inundações graduais, seca e estiagens
Aula 2: Os desastres extensivos e seus efeitos na saúde
Aula 3: Atuação da APS em inundações graduais, secas e estiagens
Módulo 4 -Extremos de temperatura
Aula 1: Ondas de calor e de frio
Aula 2: Efeitos das ondas de calor e de frio na saúde
Aula 3: Atuação da APS diante de temperaturas extremas nas etapas da GRDE em saúde
Módulo 5 – Eventos intensificados pelas mudanças climáticas
Aula 1: Incêndios florestais e queimadas
Aula 2: Os efeitos das queimadas e dos incêndios florestais na saúde
Aula 3: Atuação da APS diante de queimadas e incêndios florestais nas etapas da GRDE em saúde
*Jùlia da Matta é jornalista da Vice-Direção de Escola de Governo em Saúde da Ensp/Fiocruz
LEIA TAMBÉM