Beatriz Muchagata (Colaboratório CTIS/Fiocruz Brasília)
Construído com participação de comunidades e instituições, documento reúne ações de prevenção, resposta e fortalecimento da resiliência dos territórios até 2030
Como preparar comunidades e instituições para enfrentar os impactos de eventos climáticos extremos? Essa é uma das questões que orientam o Plano Popular Territorial para Enfrentamento dos Efeitos do El Niño no Paraná – Horizonte 2030, construído a partir da união entre dados oficiais e os conhecimentos de quem vive nos territórios.
O plano é uma iniciativa da Fiocruz Brasília, por meio do CoLaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS), em parceria com a Força Nacional do SUS, o Ministério das Cidades e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre outras instituições.
Mais do que um documento de diagnóstico, o Plano Popular, profundamente articulado à Agenda 2030 dos ODS, é uma ferramenta de planejamento construída de forma participativa. Ele reúne informações sobre ameaças e vulnerabilidades existentes no Paraná e, ao mesmo tempo, identifica capacidades e formas de organização já presentes nas comunidades que podem contribuir para a prevenção e a resposta aos desastres.
A construção contou com a participação de 62 brigadistas populares em uma oficina de Diálogos Prospectivos Territoriais, realizada em julho de 2026, em Rio Bonito do Iguaçu. A atividade identificou ameaças, vulnerabilidades e fatores de resiliência nos territórios, utilizando metodologia desenvolvida pelo CoLaboratório CTIS por meio da Plataforma de Inteligência Cooperativa com a Atenção Primária à Saúde (PICAPS).
Segundo o coordenador do CoLaboratório CTIS, Wagner Martins, o processo parte de uma análise territorial capaz de orientar ações concretas para a redução dos riscos e o fortalecimento das capacidades existentes nas comunidades.
“O Plano, elaborado por quem vive nos territórios, partiu de uma análise de situação que georeferenciou ameaças, vulnerabilidades e potencialidades que existem no estado do Paraná para orientar a formulação das estratégias que vão afastar as ameaças, reduzir as vulnerabilidades e utilizar as potencialidades. Esse mapa digital será um instrumento de apoio ao monitoramento territorial”, explica.
Planejar antes do desastre
A proposta parte do entendimento de que os impactos de um desastre não dependem apenas do fenômeno climático, mas também das condições sociais e ambientais dos territórios. Por isso, o plano busca fortalecer a capacidade de prevenção, preparação, resposta e recuperação das comunidades.
Para isso, são apresentados seis eixos de ação: soberania alimentar e compras públicas; economia solidária e tecnologias sociais; comunicação de risco e alerta comunitário; infraestrutura resiliente; integração de dados e determinantes sociais; e cuidado psicossocial e brigadas de emergência.
As ações incluem, entre outras medidas, o fortalecimento das brigadas populares, a melhoria da comunicação de risco, a criação de estratégias de segurança alimentar, a integração de informações para identificar populações vulneráveis e o fortalecimento das redes de cuidado.
O plano também estabelece responsabilidades compartilhadas entre comunidades, SUS, Defesa Civil, municípios, governo estadual, universidades e instâncias de participação social, deixando claro que a atuação comunitária não substitui as responsabilidades do poder público.
Com horizonte até 2030, o Plano Popular Territorial é pensado como um instrumento vivo, que pode ser acompanhado, atualizado e aprimorado de acordo com as necessidades dos territórios. A proposta é transformar conhecimento, participação social e organização comunitária em estratégias concretas para reduzir os impactos dos desastres e fortalecer a proteção da população.
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