Fiocruz Brasília integra programação do Junho Violeta com foco na promoção dos direitos das pessoas idosas

Fiocruz Brasília 10 de junho de 2026


Com informações da Ascom do MDHC 

 

Nesta terça (9) e quarta-feira (10), Brasília recebe o evento Junho Violeta: “Tecnologias e Ancestralidade para o Enfrentamento das Violências contra a Pessoa Idosa”, realizado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (SNDPI), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no auditório da instituição, no Campus Universitário Darcy Ribeiro da UnB.

 

A iniciativa integra as ações do Junho Violeta, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento à violência contra a pessoa idosa. O objetivo do encontro é promover um espaço de diálogo, formação e articulação institucional sobre o papel das tecnologias e da ancestralidade no fortalecimento de estratégias de proteção, prevenção e promoção de direitos das pessoas idosas, com foco na valorização da tradição, da educação digital e na construção de redes de cuidado, proteção e participação social.

 

O evento acontece em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, e reúne especialistas, gestores públicos, conselhos de direitos, parlamentares, representantes da Rede Nacional de Proteção e Defesa dos Direitos Humanos das Pessoas Idosas (Renadipi), de povos e comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil, além de lideranças comunitárias e pessoas idosas de diferentes regiões do país para debater estratégias de proteção, inclusão e garantia de direitos.

 

Solenidade

Na cerimônia de abertura, nesta terça-feira (9), a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania substituta, Caroline Reis, ressaltou a importância de fortalecer políticas públicas capazes de responder aos desafios do envelhecimento da população brasileira.

 

“É uma grande satisfação participar dessa abertura que marca, também, o início da campanha nacional Junho Violeta. Para nós, ela é muito importante porque o envelhecimento da população brasileira é uma das maiores conquistas sociais do nosso tempo. Hoje, mais de 32 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais. Esse dado demonstra que estamos vivendo mais, mas essa realidade não alcança todas as pessoas da mesma forma”, afirmou.

 

“As oportunidades de envelhecer com saúde, dignidade e qualidade de vida continuam marcadas por desigualdades sociais, econômicas e territoriais. Por isso, é fundamental que as políticas públicas cheguem a todos os territórios e alcancem quem mais precisa. O nosso compromisso também passa pelo enfrentamento das múltiplas formas de violência que afetam as pessoas idosas e comprometem o exercício pleno de seus direitos”, reiterou.

 

Caroline destacou, ainda, que a combinação entre tecnologia e ancestralidade representa um dos principais desafios e oportunidades para a promoção dos direitos da população idosa.

 

“Garantir a inclusão digital é, também, uma forma de proteção e de promoção da cidadania. Ao mesmo tempo, a ancestralidade nos lembra que nenhuma sociedade constrói o futuro ignorando sua própria memória. A ancestralidade nos lembra que envelhecer carrega experiências que ajudam a orientar caminhos, fortalecer comunidades e ampliar nossa capacidade de enfrentar desafios coletivos”, declarou.

 

Na ocasião, a ministra substituta também apresentou resultados do programa Envelhecer nos Territórios, que vem sendo executado desde 2023 em municípios das cinco regiões do país. Foram formados mais de 500 agentes de direitos humanos da pessoa idosa e realizadas visitas a mais de 70 mil pessoas idosas do país.

 

A diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, destacou a satisfação em ver representadas, no auditório lotado, as múltiplas formas de envelhecer no Brasil. Segundo ela, a parceria com o Ministério dos Direitos Humanos fortalece a construção de agendas estratégicas voltadas à formulação de políticas públicas mais efetivas para a população idosa.

 

“Precisamos garantir uma vida mais digna para as pessoas idosas”, enfatizou.

 

Fabiana ressaltou ainda a importância de ampliar os espaços de debate sobre o envelhecimento, valorizando a participação social e o protagonismo das pessoas idosas. Para a diretora, é fundamental reconhecer e integrar os diversos saberes e experiências que compõem o envelhecer no país, promovendo o sentimento de pertencimento e assegurando o direito de envelhecer com dignidade, cidadania e inclusão.

 

O secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, destacou que a proposta do evento é ampliar o olhar sobre o conceito de tecnologia, legitimando também os conhecimentos tradicionais, as práticas culturais e os saberes transmitidos entre gerações como ferramentas fundamentais para a promoção dos direitos humanos.

 

“Construímos este Junho Violeta para falar sobre tecnologias e ancestralidade para a prevenção e redução da violência contra as pessoas idosas e, mais do que isso, para falar sobre inteligência ancestral voltada à garantia e à promoção de direitos para as pessoas idosas, suas famílias e comunidades”, afirmou.

 

O secretário também chamou atenção para os Dados do Disque 100 que registraram, até 1º de junho deste ano, mais de 92 mil denúncias de violência contra pessoas idosas e mais de 500 mil violações de direitos registradas pelos canais oficiais de denúncia.

 

“A violência contra a pessoa idosa é algo muito cotidiano e muito presente entre nós. Por isso, não dá para ficar quieto. Não dá para fingir que não é com a gente. Qualquer tipo de violência precisa ser denunciada e enfrentada”, enfatizou.

 

Entregas

Durante o evento, foi apresentada uma série de entregas, com destaque para o anúncio da Rede Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (Renadipi), considerada uma demanda histórica dos movimentos e instituições que atuam na pauta do envelhecimento. “Trata-se de um mecanismo voltado à construção de ações intersetoriais e ao reconhecimento da diversidade dos grupos que envelhecem no Brasil, mas que ainda enfrentam o preconceito, a discriminação e a desigualdade social”, destacou o secretário.

 

Também foram anunciados a expansão dos programas Envelhecer nos Territórios, Viva Mais Cidadania, Vida Digna em Casa e Viva Mais Cidadania Digital, além do lançamento do Guia Orientativo para o Desenvolvimento de Competências Digitais e Midiáticas da Pessoa Idosa no Brasil e o anúncio dos cursos sobre Intergeracionalidade em parceria com o Ministério da Educação (MEC), e “Disseminadores dos Direitos da Pessoa Idosa”, da Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Outro destaque foi o lançamento do Estatuto da Pessoa Idosa em Cordel.

 

“É urgente falar dos territórios, dos bairros e das comunidades que precisam ser cada vez mais acolhedores e respeitosos com o direito de viver e envelhecer. Estamos expandindo programas que fortalecem redes locais de proteção, qualificam serviços e ampliam o acesso à cidadania”, acrescentou Alexandre da Silva.

 

Ao longo dos dois dias, o público poderá visitar a exposição de projetos de valorização das pessoas idosas de Povos e Comunidades Tradicionais, participar de atividades no espaço de cuidados com práticas integrativas e conhecer iniciativas apresentadas na feira de produtos.

 

O evento contou, ainda, com a presença do vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDPI), Epitácio Luiz Epaminondas, conhecido como Luizão; a representante do Coletivo Jatobá 60+ da Fiocruz Brasília, Celina Roitman; o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Cristian Morales; e a assistente social Joilma de Oliveira dos Santos, do Programa Cidade Madura.

 

Combate ao preconceito

A abertura contou com a apresentação do cordelista, advogado, professor e pesquisador potiguar, Aderbal Ferreira, de 67 anos, que levou ao público reflexões sobre envelhecimento, ancestralidade e preconceito etário, mesclando humor, cultura popular e defesa dos direitos humanos.

 

“Eu vejo as pessoas no dia a dia sofrendo preconceito mesmo. Nem chamo de etarismo, chamo de preconceito pela idade. Isso é horrível. Por isso é importante falar sobre esse enfrentamento e criar espaços como este para discutir a realidade das pessoas idosas”, afirmou.

 

Representando a sociedade civil, a conselheira nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Marlene Aparecida Gonçalves, de 60 anos, destacou os desafios enfrentados pelas pessoas idosas, especialmente aquelas que vivem em contextos de vulnerabilidade social e racial.

 

“Represento a sociedade civil e a população negra, e estou na ponta, no interior, em contato direto com as pessoas idosas, especialmente com as mulheres negras. A realidade é muito difícil. Envelhecer na sociedade atual ainda é um desafio muito grande para muitas pessoas”, afirmou.

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