Cecília Andrade e Fernanda Severo
Em comemoração à segunda edição do Abril Indígena, iniciativa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Fiocruz Brasília promove a exposição “Sopro Humano: Yanomami e Ye’kwana sustentando a terra floresta”, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A abertura da mostra será na segunda-feira, 27 de abril, na Escola de Governo Fiocruz-Brasília, e ficará exposta até 26 de junho de 2026.
A exposição nasce de um processo coletivo de escuta, presença e construção institucional diante de uma das mais graves crises humanitárias contemporâneas no Brasil: a situação vivida pelos povos yanomami e ye’kwana, especialmente no estado de Roraima, em 2023.
Originada a partir do projeto “Fortalecimento das Políticas de Defesa e de Promoção dos Direitos Humanos para os Povos Indígenas do Estado de Roraima”, desenvolvido no âmbito da Fiocruz Brasília em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a exposição emerge como desdobramento sensível de uma iniciativa voltada à construção de redes de cuidado, proteção e garantia de direitos para esses povos.
Mais do que apresentar resultados institucionais, Sopro Humano traduz, em linguagem expositiva, os caminhos percorridos por esse projeto: as escutas realizadas com lideranças indígenas, os territórios visitados e as histórias dos povos yanomami e ye’kwana, atravessadas por violações, mas também por resistência, cultura e potência de vida.
Ao longo de sua concepção, o projeto estruturou ações concretas de fortalecimento da rede de proteção, como a implementação do Centro de Referência em Direitos Humanos para Yanomami e Ye’kwana (CREDHYY) e de um Centro de Atendimento Integrado à Criança Yanomami e Ye’kwana (CAICYY), além de processos formativos voltados a profissionais que atuam nos Centros. É nesse percurso, entre políticas públicas, territórios e vidas, que a exposição se inscreve.
Sopro Humano é um gesto de tradução: transforma dados, diagnósticos e estratégias institucionais em experiência sensível. Convida o público a atravessar dimensões que vão além da informação, tocando aspectos culturais, humanos e éticos que sustentam a existência desses povos.
A exposição se organiza a partir de três eixos narrativos:
Inspirada pela ideia de que o cuidado é também um ato político, Sopro Humano propõe um espaço de encontro entre o público e realidades que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas. Ao dar forma, imagem e voz às experiências dos povos yanomami e ye’kwana, a exposição reafirma a centralidade desses povos na construção de suas próprias narrativas.
O “sopro” que nomeia a exposição não é apenas metáfora: é vida que resiste, é presença que insiste, é humanidade que se afirma mesmo diante da violação, nos territórios e nas histórias dos povos yanomami e ye’kwana. Mais do que uma exposição, Sopro Humano é um convite à escuta, à reflexão e ao compromisso coletivo com a defesa dos direitos dos povos Yanomami e Ye’kwana e com a construção de futuros possíveis.
Essa primeira edição integra os registros das fotógrafas Karina Zambrana, da Organização Pan-America da Saúde (OPAS), Bruno Mancinelli (Casa de Governo em Roraima), Daniela Pinheiro, Márcia Cruz, Icléia Castro e Sônia Corrêa do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), que estiveram no Território Yanomami e em Boa Vista (RR) em diferentes momentos. Fomos guiados pelas mãos que sustentam o céu da terra-floresta de David Kopenawa e pelas falas-testemunhos das jovens Daiana Yanomami e Edneia Ye’kwana, que trabalham como intérpretes nos Centros de Referência de Roraima CREDHYY e CAICYY.
Serviço
Sopro Humano: Yanomami e Ye’kwana sustentando a terra floresta
Data: 27 de abril a 26 de junho
Horário: das 8h às 17h
Local: Escola de Governo Fiocruz-Brasília, Avenida L3 Norte, s/n, Campus Universitário Darcy Ribeiro
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