Roberta Quintino (Psat/Fiocruz Brasília)
Entre os dias 6 e 10 de abril, foi realizado o segundo módulo do Curso Livre de Formação-Ação de Agentes Populares de Promoção da Saúde e da Igualdade Racial (APPSIR), reunindo 17 educandas e educandos de diferentes territórios, na Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A atividade contou com debates, místicas, trocas de saberes, poesia e expressões culturais que fortaleceram a dimensão coletiva e política da formação.
Realizado pelo Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho da Fiocruz Brasília (Psat), com apoio do Ministério da Igualdade Racial e da deputada Daiana Santos (PCdoB/RS), o curso busca formar agentes populares para atuar em seus territórios com olhar crítico, compromisso e atuação articulada com movimentos sociais e políticas públicas. A proposta integra teoria e prática, valoriza os saberes populares e incentiva ações concretas de enfrentamento ao racismo estrutural a partir das realidades vividas nas comunidades.
O módulo teve como tema central “Estado, Democracia e Movimentos Sociais: Disputas e Contradições Estruturais”, com debates sobre a história do movimento negro, participação social e controle democrático, além de reflexões sobre territórios negros, saúde e organização comunitária no Rio Grande do Sul. A programação incluiu ainda o seminário “Desconstruindo o mito do Rio Grande do Sul ‘branco’ e uma oficina prática sobre como exercer o controle social para incidência política.
Voltado para lideranças negras de movimentos sociais e organizações da sociedade civil, integrantes de conselhos de direitos e outros espaços de participação, além de trabalhadoras e trabalhadores da saúde, a formação estimula a construção coletiva de conhecimentos e o fortalecimento de estratégias de atuação nos territórios. Ao longo da formação, os participantes desenvolvem metodologias participativas e ampliam sua capacidade de incidir sobre políticas públicas, fortalecendo redes locais de promoção da saúde e igualdade racial.
A formação tem se consolidado como um processo de transformação pessoal, política e profissional. Para a psicóloga e educanda Roselaine Pontes, participar do curso de Agente Popular de Promoção da Saúde e Igualdade Racial (APPSIR) “tem sido uma verdadeira virada de chave” em sua trajetória.
“Essa experiência tem impactado profundamente não apenas a minha vida pessoal e familiar, mas também os territórios onde atuo como APPSIR. Ressignificar meu lugar como mulher negra, reconhecendo minha história, minha identidade e minha potência, tem sido um processo transformador e extremamente gratificante”, destaca a educanda.
Ela ressalta ainda que, enquanto profissional da psicologia, o curso ampliou o seu olhar e fortaleceu sua atuação, “especialmente na compreensão das realidades dos povos originários e das comunidades quilombolas. Também me proporcionou ferramentas importantes para contribuir no enfrentamento ao racismo, oferecendo suporte aos territórios diante das diversas formas de violência racial e suas implicações”.
Roselaine reforça o sentido coletivo da formação, que é “ser um braço ativo dentro do território, contribuindo para a promoção da saúde e da igualdade racial. Ela completa dizendo que, “tem sido uma experiência de grande significado, que vem fortalecendo não apenas minha prática profissional, mas também meu compromisso com a transformação social”.
Durante o módulo, momentos de mística e expressão cultural também marcaram a formação. A educanda Thainá Dias, evocou a força da ancestralidade como elemento da luta e da atuação dos agentes populares. “Nunca se esqueçam do nosso poder ancestral. A nossa missão é não deixar essa história se apagar. Como agentes populares em igualdade racial, precisamos carregar isso sempre e seguir em frente pelos nossos ancestrais”, afirmou.
Para o coordenador do Psat, André Fenner, a iniciativa reafirma a importância da formação-ação como estratégia para fortalecer os povos a partir dos territórios.“É ampliando a participação e fortalecendo o controle social que contribuímos para a construção de políticas e serviços públicos justos e promotores de saúde que podemos, de fato, enfrentar o racismo nas suas diversas formas”.
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