Fiocruz Brasília e MDA lançam livro sobre agricultura familiar e saúde durante a Conferência Nacional

Fiocruz Brasília 27 de março de 2026


Por Roberta Quintino (PSAT/Fiocruz Brasília)

 

Na quarta-feira (25), durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário Frei Sérgio Görgen, foi lançado o livro Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar na Promoção da Saúde e de Sistemas Agroalimentares Saudáveis, Sustentáveis e Solidários, no estande do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), em Brasília.

 

O livro é resultado de uma parceria entre a Fiocruz Brasília e o MDA, por meio do Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho (PSAT), e reúne reflexões, análises e experiências que evidenciam a relação entre saúde, ambiente e trabalho no campo. Além disso, a publicação aponta caminhos concretos para o fortalecimento da agricultura familiar e para a construção de sistemas agroalimentares saudáveis, sustentáveis e solidários.

 

Organizado em três partes, o livro apresenta, inicialmente, reflexões sobre a reconstrução e o fortalecimento do MDA, destacando a integração entre políticas públicas e a promoção da saúde. Em seguida, reúne 49 experiências de todo o Brasil protagonizadas por agricultoras e agricultores, técnicos, movimentos sociais, universidades, cooperativas e organizações da sociedade civil. A terceira parte sistematiza essas experiências, analisando seus territórios, sujeitos e aprendizados, e apontando caminhos para políticas públicas baseadas no que já vem sendo construído nos territórios.

 

A construção da obra partiu de um chamamento público que buscou integrar tanto produções acadêmicas quanto saberes populares. Para André Fenner, coordenador do PSAT e um dos organizadores do livro, esse processo ressalta a potência da articulação entre diferentes formas de conhecimento. “A ideia foi aproximar a questão da saúde com a agricultura familiar e mostrar os vínculos entre essas pautas. A saúde é um tema transversal, que atravessa o trabalho, a produção e a vida das famílias”, destacou.

 

Fenner também chama atenção para o significado político da publicação ao destacar que o livro contribui para preencher uma lacuna na produção institucional sobre o tema nos últimos anos, dada à conjuntura governamental. Segundo ele, houve um período sem registros sistematizados sobre a agricultura familiar, e a obra surge como resposta a esse vazio, reunindo experiências e evidências que ajudam a compreender os caminhos em construção no país.

 

Na avaliação de Iracema Moura, o livro se consolida como uma referência para a qualificação de políticas públicas em diferentes níveis. “A obra apresenta experiências inspiradoras que unem agroecologia, saúde coletiva e soberania alimentar, reforçando a agroecologia como uma visão política capaz de transformar as relações no campo e garantir alimentos de qualidade para toda a sociedade”, afirmou.

 

Ela também destaca que a principal contribuição da publicação, no contexto atual, é apontar a possibilidade real de enfrentar, de forma integrada, desafios estruturais como a fome, as mudanças climáticas e o avanço de doenças relacionadas ao consumo de alimentos ultraprocessados.

 

Um dos trechos do livro sintetiza essa perspectiva ao afirmar que “a promoção da saúde está intrinsecamente ligada à agricultura familiar, uma vez que a produção local de alimentos, além de sustentar a economia das comunidades rurais, desempenha um papel vital na garantia de uma alimentação saudável e do bem-estar das populações”. O texto também destaca que práticas baseadas na diversidade alimentar e no cultivo sustentável têm impacto direto na preservação ambiental e na qualidade de vida.

 

Nesse sentido, o livro se apresenta como uma ferramenta política e estratégica. Ao dar visibilidade a experiências concretas de norte a sul do país, construídas nos territórios por agricultores, movimentos sociais e instituições públicas capazes de sustentar um projeto de desenvolvimento rural baseado na vida, na saúde e na justiça social.

 

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