Tai Chi Chuan ocupa a Fiocruz Brasília com curso de formação voltado à promoção da saúde e práticas integrativas

Fiocruz Brasília 4 de fevereiro de 2026


Roberta Quintino (Psat/Fiocruz Brasília)

 

Com movimentos fluidos e uma prática que integra mente, corpo e espírito, o Tai Chi Chuan, arte chinesa milenar, passa a ocupar a Fiocruz Brasília nos meses de fevereiro e março, como parte das ações de promoção da saúde e formação em práticas integrativas desenvolvidas pela instituição.

 

Nesta terça-feira (3/2), foi realizada a abertura do Curso Livre de Formação-Ação em Tai Chi Chuan, no auditório da Fundação. A iniciativa é promovida pelo Laboratório de Inovação em Práticas Integrativas em Saúde (Labipis), vinculado ao Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat) da Fiocruz Brasília, com apoio da deputada federal Erika Kokay.

 

A cerimônia de abertura reuniu representantes do Ministério da Saúde, instrutores, profissionais da saúde, além das educandas e educandos que participarão do curso. O momento contou, ainda, com uma apresentação de Tai Chi Leque, expressão da prática chinesa que contribui para o equilíbrio, a flexibilidade e a promoção da saúde integral.

 

 

Para a vice-diretora da Fiocruz Brasília, Denise Oliveira, o lançamento do curso de Tai Chi Chuan marca a valorização e importância de novas racionalidades médicas. “É uma questão emergente na área da saúde. Assim, o curso traz um percurso necessário para que essas práticas sejam valorizadas como práticas que integram e, sobretudo, trabalham de uma maneira que não vê o corpo como um elemento compartimentado. Que vai poder desenvolver todos os aspectos da vida, em que esse corpo é o nosso veículo de relação com o universo”, afirmou. Denise ressaltou também que o momento é estratégico para consolidar saberes de culturas ancestrais que oferecem resultados bem-sucedidos no acolhimento e no cuidado integral.

 

Direito à saúde

A proposta do curso articula formação teórica, prática corporal e reflexão crítica sobre o papel das práticas integrativas na promoção da saúde e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Para Ana Pontes, coordenadora do Núcleo de Educação a Distância (Nead/Fiocruz Brasília), a realização da formação no contexto de uma Escola de Governo reforça o compromisso institucional com uma visão ampliada do cuidado em saúde. “É muito importante que a formação em saúde incorpore práticas integrativas, com uma perspectiva mais sistêmica e holística. A saúde precisa ser compreendida como um todo, que exige cuidado de forma ampla, para além do olhar tradicional.”

 

O curso teve início no dia 3 de fevereiro e segue até 31 de março de 2026, com carga horária total de 120 horas, distribuídas em aulas presenciais e online. Além das práticas corporais, a formação aborda conteúdos como a história e os mestres do Tai Chi Chuan, código de conduta, fundamentos filosóficos e a relação entre a prática e a Medicina Tradicional Chinesa. As aulas serão ministradas pelo professor Magno Silva.

 

Integração cultural, cuidado e território

Praticante de Tai Chi Chuan desde o ano 2000, Daniel Amado, gestor de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde do Ministério da Saúde, ressaltou que a prática foi determinante em sua trajetória pessoal e profissional, influenciando sua escolha pela área da educação física e sua atuação no campo da promoção da saúde. “O Tai Chi Chuan mudou a minha forma de compreender saúde, autocuidado e responsabilidade sobre o próprio corpo. Essa visão, muito presente na medicina chinesa, me acompanhou ao longo da minha formação e atuação profissional”, relatou.

 

Segundo Daniel, a inserção das práticas integrativas na atenção básica tem impacto direto na transformação dos territórios e no cuidado com os próprios profissionais de saúde. Para ele, quando as práticas integrativas chegam às unidades de saúde, elas fortalecem o autocuidado dos profissionais e criam vínculos na comunidade.

 

Homenagem

A cerimônia de abertura contou com uma homenagem ao Mestre Woo, pioneiro do Tai Chi Chuan em Brasília. Seu legado foi fundamental para a consolidação da prática no Distrito Federal, atravessando décadas e contribuindo para a formação de gerações de praticantes e instrutores.

 

Moo Shong Woo, conhecido como Mestre Woo, nasceu em 1932, em Taiwan, e, em 1968, fixou-se em Brasília, onde, a partir de 1974, passou a ensinar Tai Chi Chuan na Praça da Harmonia Universal, localizada na Asa Norte. Mestre Woo faleceu em dezembro de 2025, aos 94 anos.

 

Durante a homenagem, Aristein Woo, filho do mestre, destacou que, ao longo dos anos, o Tai Chi Chuan deixou de ser para Mestre Woo uma prática individual e passou a se tornar uma missão coletiva.

 

“O alcance de uma pessoa é limitado. Mas quando essa missão se reparte e se multiplica entre muitas pessoas, o benefício para a humanidade cresce na mesma proporção”, afirmou.

 

Segundo Aristein, ainda nos anos 1980 o grupo de praticantes já estava consolidado, o que trouxe grande alegria ao Mestre Woo, que via na continuidade do ensino a verdadeira essência da prática. Ele também relembrou a disciplina rigorosa do pai, que manteve o hábito da prática diária ao longo de toda a vida, adaptando os movimentos às condições do próprio corpo com o passar dos anos.

 

“À medida que ele dava mais voltas em torno do sol, também adaptava a prática às condições daquele momento da vida. Nos últimos anos, praticava dentro de casa, em um horário ainda mais rigoroso, às três da manhã.”

 

Aristein ressaltou ainda que, para o Mestre Woo, o Tai Chi Chuan não era um conhecimento transmitido por palavras ou registros escritos, mas por meio do movimento, da respiração e meditação. “Quando vocês praticam e compartilham o Tai Chi Chuan, vocês também estão se cuidando. É uma prática que fortalece quem recebe e quem transmite”, afirmou, dirigindo-se aos educandos do curso.

 

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