“Somos nota cinco na Capes!”, vibrou a diretora executiva da Escola de Governo Fiocruz-Brasília, Luciana Sepúlveda, anunciando que o Mestrado Profissional em Políticas Públicas em Saúde (MPPPS) recebeu a nota máxima na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
“Um trabalho orquestrado a muitas mãos”, segundo Luciana. Durante os últimos quatro anos que sucederam a aguardada notícia – que chegou como um presente em celebração aos 10 anos do Mestrado e aos 15 anos da EGF-Brasília –, um esforço coletivo, envolvendo a Comissão Coordenadora do Programa (CCP), Secretaria Acadêmica, o corpo docente e discente e a Direção da Escola, resultou na construção de um robusto relatório enviado à Capes.
“Este resultado reflete a dedicação de toda a equipe de docentes, discentes, egressos e trabalhadores da Escola e da gestão da nossa unidade, a integração de saberes, a articulação interinstitucional e o desejo de aprimorar as nossas ações a cada turma concluída, a cada avaliação recebida”, sublinhou a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio.
A Capes avaliou o Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas em Saúde (PPGPPS) stricto sensu no quadriênio 2021-2024, e levou em consideração a estrutura, a formação e o impacto na sociedade, conceituando com a nota máxima cinco, atribuída aos programas que ainda não possuem curso de doutorado.
De acordo com a avaliação, o Programa da EGF-Brasília demonstra consistência e coerência em relação aos elementos essenciais para o desenvolvimento de um curso no nível da formação stricto sensu e capacidade de sustentabilidade. A natureza transdisciplinar e intersetorial do Programa possibilita, ainda, uma articulação abrangente e profícua entre diversos campos do conhecimento que apresentam interface com o campo da saúde coletiva.
Formação
Um dos pilares avaliados pela Capes foi a formação do Programa, que obteve conceito “muito bom”. O documento destacou a qualidade e adequação das dissertações às áreas de concentração e linhas de pesquisa do mestrado: saúde e justiça social, e vigilância e gestão em saúde. Durante o quadriênio, foram apresentados 146 produtos finais.
De acordo com a Capes, os cinco produtos técnicos de destaque indicados pelo Programa apresentam temáticas diversas, abrangentes e oportunas para o campo da saúde coletiva com potencial de aplicabilidade.
Um dos trabalhos analisados foi o podcast “Podhans”, desenvolvido pela aluna Fernanda Cassiano de Lima, sob orientação da docente Mariella Oliveira-Costa em coorientação com a professora Fernanda Marques. O produto técnico transformou a caderneta sobre hanseníase do Ministério da Saúde em formato de áudio, em linguagem simples e episódios curtos, ampliando o acesso a informações sobre o cuidado e a saúde das pessoas acometidas pela hanseníase.
“Temos a responsabilidade em permanecer desenvolvendo atividades de alto nível para manutenção desta nota, mantendo o rigor das avaliações, e incentivando a comunicação científica, seja no fomento à participação de nossos alunos em espaços importantes para o diálogo científico, tal como feito no último congresso da Abrasco, seja por meio de nosso Seminário Interno que terá sua quarta edição neste ano e é uma possibilidade dos alunos apresentarem o andamento de suas pesquisas e aprenderem coletivamente com o trabalho dos colegas e dos professores convidados”, ressaltou a professora do MPPPS, Mariella Oliveira-Costa.
Para a diretora executiva da EGF-Brasília, Luciana Sepúlveda, o Programa permeia espaços e permite ao aluno ter uma dimensão do território onde atua, entender as necessidades reais do seu dia a dia e o seu papel como agente de transformação social. “Buscamos oferecer aos nossos alunos a oportunidade de expandir suas redes de contato, trocar experiências, que percebam a sua prática profissional de outra forma, e que, instrumentalizados, exercitem a sua capacidade e criatividade de pesquisa, de investigação a partir de suas realidades, que consigam mudar o local onde atuam. Essa é a característica de um mestrado profissional e o seu retorno para a sociedade”, destacou.
Corpo docente
A qualidade do corpo docente do Programa também foi outro ponto de destaque na avaliação da Capes. A diversidade dos perfis dos professores, sua compatibilidade e adequação à proposta do Programa, bem como suas áreas de atuação no SUS, tiveram reconhecimento “muito bom”.
O corpo docente é formado por 35 docentes permanentes e 21 colaboradores. De acordo com a Capes, apresenta um perfil interdisciplinar, todos doutores, com número expressivo com formação na área de saúde coletiva. Evidencia-se atuação coerente com o campo das políticas públicas de saúde e alinhada à natureza de intersetorialidade do Programa. Todo o corpo docente encontra-se inserido no Sistema Único de Saúde (SUS), com presença de professores que ocupam ou ocuparam cargos de gestão nas esferas municipal, estadual e federal.
Impacto para a sociedade
Para a coordenadora do Mestrado Profissional, Noely Moura, a nota cinco aumenta a responsabilidade do Programa, principalmente no que tange o fortalecimento do SUS e a sociedade.
“Para os próximos quatros anos, que envolvem a avaliação, acredito que o nosso olhar deva estar voltado para a comunidade como ponto principal. Devolver à sociedade não somente a contrapartida científica, de pesquisa, mas aproximar a Fiocruz da população de fato”, afirma a coordenadora que acredita que essa responsabilidade é compartilhada com o corpo discente: “como aluno de um mestrado da Fiocruz, ter a preocupação e o compromisso com o SUS, com a comunidade, em fazer a diferença”.
Perspectivas para o futuro
A pontuação da Capes veio como incentivo a mais para os projetos futuros que a EGF-Brasília vislumbra. De acordo com Luciana, o Programa já está estruturando um curso de Doutorado Profissional, bem como a realização de uma segunda turma temática em Vigilância em Saúde, em parceria com a Fiocruz Rondônia e a Secretaria de Saúde daquele estado.
Segundo a coordenadora do MPPPS, Noely Moura, é preciso ampliar o olhar regional, trabalhar de forma integrada com as demais unidades da Fiocruz, levar oportunidades para os alunos e profissionais que atuam no SUS em outras localidades.
A busca pelo fortalecimento de redes entre instituições para ampliar e descentralizar a oferta e a construção de um plano de internacionalizar o Programa, alinhado à política de internacionalização da educação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também estão nos planos da Escola, uma vez que foi um dos pontos bem avaliados pela Capes.
Inclusão e diversidade
Agendas importantes para a EGF-Brasília, esses quesitos foram observados na qualificação Capes, que destacou: “o programa também evidencia, de forma detalhada, ações afirmativas adequadas à permanência dos alunos e destaca que essas ações, ao longo do tempo, trouxeram a agenda para todas as áreas institucionais e se refletem no acesso de mais estudantes com deficiência”.
Desde 2019, a Escola incluiu ações afirmativas em seus processos seletivos, em conformidade com as normas da Fiocruz e a Portaria Normativa nº 13/2016 do Ministério da Educação, reservando 30% das vagas. “Ações afirmativas, inclusão e diversidade são pontos que precisamos manter e melhorar, não só na Escola, mas em toda a nossa unidade”, afirmou Noely.
Formação no Centro-Oeste
O Mestrado Profissional em Políticas Públicas em Saúde (MPPPS), do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas em Saúde (PPGPPS), foi credenciado pela Capes em 2014, iniciando no ano seguinte com duas linhas de pesquisa: Saúde e Justiça Social e Vigilância e Gestão em Saúde. O curso surge, então, como resposta às lacunas de formação para a gestão pública, em particular no Distrito Federal e na Região Centro-Oeste do país.
O Programa visa formar gestores reflexivos, capazes de articular o conhecimento científico às necessidades do campo da saúde, considerando os saberes do território. Até agosto de 2025, foram formados 246 mestres em políticas públicas em saúde. O Programa contou também com a participação de mais de 2 mil alunos especiais nas disciplinas isoladas, em uma década de existência.
“O Mestrado nasceu como a resposta integradora da nossa unidade para o fortalecimento da formação stricto sensu como forma de fazer com que a ciência pudesse estar a serviço do SUS e segue cumprindo o seu propósito com primor e o mesmo compromisso de, cada vez mais, construirmos estratégias de aprimoramento de práticas que defendam a saúde como um direito, democratizem o conhecimento, enfrentem as desigualdades e fortaleçam a saúde pública no Brasil”, ressaltou a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio.
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