
A experiência da maior crise sanitária do século XXI, os desafios enfrentados pela ciência brasileira e a necessidade de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) são temas centrais do livro Ainda há tempo: a pandemia de Covid-19 e a transformação do futuro, da pesquisadora emérita da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Nísia Trindade Lima. Na obra, a socióloga e sanitarista revisita os bastidores da pandemia de covid-19 a partir de sua atuação como presidente da Fiocruz, cargo que ocupou entre 2017 e 2022, período em que liderou a instituição durante a emergência sanitária.
Primeira mulher a presidir a Fundação em mais de um século de história, Nísia narra os desafios enfrentados pela instituição em um contexto marcado pela disseminação da covid-19 e pelas tensões provocadas pelo negacionismo científico adotado pelo governo federal da época. O livro reúne relatos sobre decisões estratégicas, articulações institucionais e a mobilização da Fiocruz para ampliar a produção de conhecimento, fortalecer a assistência à população e garantir o acesso a vacinas e outras tecnologias em saúde.
Ao longo da publicação, a autora destaca o papel da Fiocruz na construção de redes de cooperação com universidades, institutos de pesquisa, organismos internacionais, gestores públicos e movimentos sociais. Para Nísia, o enfrentamento da pandemia evidenciou que respostas eficazes às crises sanitárias dependem da atuação coordenada entre ciência, Estado e sociedade.
Mais do que um relato autobiográfico, a obra da ex-ministra da Saúde apresenta uma reflexão sobre os impactos da pandemia e os caminhos necessários para a construção de um futuro mais justo e preparado para novas emergências em saúde pública. O livro também aborda temas como desigualdades sociais, democracia, comunicação científica e a valorização das instituições públicas.
A autora define o livro como um “manifesto” em defesa da ciência, da memória e da ação coletiva. Ao registrar episódios marcantes da pandemia, Nísia busca preservar a memória de um dos períodos mais desafiadores da história recente do país e contribuir para que os erros cometidos durante a crise sanitária não se repitam, reforçando a importância das políticas públicas baseadas em evidências e do fortalecimento do SUS.
Lançamento em Brasília
Em uma noite marcada por reflexões sobre ciência, saúde pública e democracia, a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade Lima lançou, em Brasília, seu novo livro. O evento, realizado nesta terça-feira (1/7) na Livraria da Travessa, reuniu leitores, pesquisadores, estudantes e autoridades para um bate-papo seguido de sessão de autógrafos.
Ao lado do presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Arthur Chioro; do secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Jurandir Frutuoso e da diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, a autora compartilhou experiências vividas durante a pandemia e destacou a importância de registrar esse período da história. Nísia afirmou que o livro nasce do compromisso de preservar a memória coletiva sobre a maior crise sanitária das últimas décadas, valorizando o papel da ciência, das instituições públicas e da ação coletiva na defesa da vida.
Para a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, o lançamento da obra representa uma oportunidade de ampliar o debate sobre os aprendizados deixados pela pandemia e de reafirmar o compromisso com o fortalecimento do SUS. Segundo ela, Ainda há tempo apresenta uma mensagem assertiva sobre a responsabilidade coletiva de promover esperança e contribuir para a construção de um país em que todas as pessoas possam coexistir com dignidade.
Fabiana destacou ainda que a publicação estabelece conexões entre memória, ciência e democracia, ao abordar a história de forma sensível e mobilizadora. “É uma obra que liga pontos, emociona e toca porque fala da história do tempo presente”, afirmou.