Fiocruz e Emater articulam apoio técnico para manter hortas comunitárias no RS

Fiocruz Brasília 10 de abril de 2026


Roberta Quintino (Psat/Fiocruz Brasília)

 

Nesta terça-feira (7/4), a Fiocruz Brasília, por meio do Programa de Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat), realizou uma reunião com a Emater do Rio Grande do Sul para apresentar o trabalho de hortas comunitárias desenvolvido a partir do curso de Agentes Populares de Promoção da Saúde e da Igualdade Racial em Porto Alegre e região metropolitana.

 

“Dentro dessa mobilização de realização dos cursos, implementamos hortas como recurso pedagógico, buscando produzir evidências sobre segurança alimentar junto a grupos coletivos de mulheres dessas regiões de Porto Alegre, especialmente após os eventos climáticos e as enchentes no Rio Grande do Sul”, explicou o coordenador do Psat e pesquisador da Fiocruz, André Fenner.

 

A reunião com a Emater teve como objetivo compartilhar experiências e levantar demandas relacionadas ao fortalecimento dessas iniciativas. Entre as principais necessidades apontadas estão o apoio em assistência técnica, a aquisição de insumos e ferramentas, o abastecimento de água para as hortas, a instalação de sistemas de irrigação — especialmente importantes no contexto pós-secas — e a realização de análises de solo para garantir a ausência de contaminação.

 

Também foi destacada a importância de ampliar a capacitação das comunidades envolvidas, com a oferta de cursos sobre manejo agroecológico, processamento de alimentos e gestão de hortas comunitárias.

 

Fenner ressaltou ainda que a articulação com a Emater visa estabelecer, futuramente, acordos de cooperação técnica que garantam a continuidade das nove hortas criadas a partir do processo formativo. “A proposta é que cada instituição atue em frentes convergentes, fortalecendo ações em Porto Alegre e na região metropolitana, com impactos diretos para a população gaúcha, especialmente mulheres em situação de vulnerabilidade”, afirmou.

 

As hortas estão distribuídas em municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, como São Leopoldo, Novo Hamburgo, Canoas, Sapucaia do Sul e Alvorada, além de territórios das zonas Norte e Sul da capital. As iniciativas atendem principalmente mulheres em situação de vulnerabilidade social, muitas delas impactadas pelas enchentes e outros eventos extremos associados às mudanças climáticas em 2024.

 

Durante a reunião, o Psat também apresentou sua atuação na interface entre saúde e agricultura, destacando o papel da agricultura urbana. Experiências como as hortas comunitárias, segundo o programa, vão além da produção de alimentos, configurando-se como espaços de convivência, promoção da saúde e cuidado coletivo.

 

Participaram do encontro o presidente da Emater, Claudinei Baldisera; a assessora da Diretoria Técnica, Luana Machado; a gerente técnica Sandra Dalmina; e as coordenadoras estaduais das áreas de Assistência Técnica e Extensão Rural Social (ATERS), Regina da Silva Miranda e Leila Ghizzoni.