Mais de um bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais em todo o mundo, segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em setembro de 2025. Ansiedade e depressão estão entre as condições mais prevalentes. No Brasil, dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicam aumento de 143% nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais em relação a 2024, evidenciando um cenário que demanda atenção e responsabilidade.
Diante desse contexto, o Correio Braziliense realizou, nesta quinta-feira (29/1), o evento “Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil”, com o objetivo de ampliar o debate sobre os fatores de adoecimento psíquico, os desafios da assistência e a construção de uma cultura de cuidado no país.
O encontro reuniu autoridades e especialistas para discutir estratégias de autoconhecimento, prevenção e promoção da saúde mental em âmbito nacional. A programação contou com dois painéis: o primeiro abordou os fatores de adoecimento mental e os desafios da assistência; o segundo debateu caminhos para a construção de espaços de escuta e cuidado.
A Fiocruz Brasília participou do segundo painel, representada pela pesquisadora Mariana Nogueira, do Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Nusmad). Para a pesquisadora, a promoção de espaços de debate é fundamental para ampliar a compreensão de que a saúde mental é uma questão social, política e econômica.
Segundo Mariana, iniciativas como a do Correio Braziliense contribuem para reforçar que o cuidado em saúde mental está diretamente relacionado às condições de vida e de trabalho da população. “Esse tipo de debate ajuda a publicizar e ampliar a discussão de que saúde mental não é uma responsabilização individual. Ela é garantida, fundamentalmente, a partir de boas condições de vida, condições dignas de trabalho e, portanto, da implementação de políticas públicas que atendam às necessidades da classe trabalhadora”, afirmou.
A pesquisadora destacou a importância de que as propostas debatidas por instituições sejam incorporadas pelo poder público, ao ressaltar que o Brasil apresenta elevados índices de adoecimento e mortes entre trabalhadores e trabalhadoras, associados a condições de vida marcadas pelo sofrimento e à precarização das relações de trabalho. “É fundamental que as propostas produzidas aqui sejam acolhidas e discutidas pelos diferentes entes governamentais e se traduzam no fortalecimento do SUS e em políticas públicas concretas”, afirmou.
Durante o painel, Mariana também chamou atenção para a relação entre sofrimento mental e o aumento do consumo de álcool e outras drogas. Segundo ela, a abordagem do Nusmad vai além da análise individual dos transtornos mentais. “Observamos um aumento do sofrimento psíquico associado à precarização do trabalho, ao crescimento da informalidade e ao agravamento da violência de gênero contra as mulheres. Esses fatores são centrais para compreender o cenário atual”, explicou.
Para a pesquisadora, o uso de substâncias lícitas ou ilícitas deve ser analisado a partir do contexto social. “A relação entre adoecimento psíquico e uso de drogas está diretamente ligada à piora das condições de vida. Cabe ao Estado reconhecer e acolher essas formas de sofrimento, que são coletivas”, afirmou.
Ela concluiu reforçando a necessidade de investimento contínuo em políticas públicas de saúde mental. “É essencial fortalecer o Sistema Único de Saúde e a Rede de Atenção Psicossocial, garantindo cuidado integral às pessoas em sofrimento psíquico”, finalizou.
Clique aqui e assista ao CB.Debate “diálogos sobre a saúde mental no Brasil”.
Confira em nosso Flickr a galeria de fotos. Acesse aqui.
Com informações do Correio Braziliense.