Objetivo Estratégico 13: aperfeiçoamento da representação institucional da Fiocruz
Uma ação estratégica e estruturante para alcançar o objetivo 13 é a criação de um Programa de Desenvolvimento de Competências para a Representação Institucional. Por meio desse programa, as pessoas que atuam na agenda de representação poderão desenvolver suas competências interpessoais e se atualizarem sobre as prioridades institucionais, potencializando o conhecimento técnico individual, o que resultará no aprimoramento da representação institucional da Fiocruz em diversos fóruns, órgãos e eventos. Nesse programa, cada pessoa poderá ser protagonista de sua jornada de aprendizado e desenvolvimento e atuar ativamente para o alcance desse objetivo. Nesta primeira edição da série “Fala aê, guardião”, conversamos com João Miguel Estephanio, guardião do Objetivo Estratégico 13.
Serviço de Planejamento, Orçamento e Finança (Sepof/Fiocruz Brasília): Fale um pouco sobre você e as funções que você desempenha aqui na Fiocruz Brasília.
João Miguel Estephanio: Sou servidor da instituição desde 2006, tendo atuado em diversas unidades como Bio-manguinhos, Presidência, VPPIS [Vice-presidência Produção e Inovação em Saúde] e CRIS [Centro de Relações Internacionais]. Atualmente, trabalho na Gereb [Gerência Regional de Brasília – Fiocruz Brasília], no gabinete da Direção, apoiando em diversas iniciativas — especialmente àquelas relacionadas à representação institucional. Recentemente, fui aprovado como Analista de Gestão em Saúde, após anos como técnico.
Sepof: Qual a importância da representação da Fiocruz para você, enquanto profissional e cidadão?
JM: Um dos grandes desafios quando falamos em representação é entender o que ela realmente significa na prática. A representação institucional vai além de estar presente em um evento. Envolve participar da construção da agenda, refletir os valores e prioridades da instituição e garantir que nossas falas traduzam o compromisso institucional, não apenas visões individuais. Na Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz], com sua diversidade de áreas e unidades, isso é especialmente desafiador. A representação precisa ser feita com base na missão, visão e valores da instituição. E, como parte da Presidência, a Gereb tem um papel ainda mais relevante na articulação dessas pautas, seja com o Congresso Nacional, o Executivo, o Judiciário, o GDF [Governo do Distrito Federal] ou com as comunidades do território onde atuamos. É fundamental que todos os trabalhadores da Fiocruz Brasília compreendam que também exercem esse papel de representar a instituição — seja em ações de gestão, pesquisa, ensino ou parcerias. E, para isso, é essencial termos processos claros, capacitações e um entendimento coletivo de que representamos não só nossas expertises, mas a própria Fiocruz.
Sepof: Como você assumiu o papel de guardião desse objetivo?
JM: Primeiro, é importante destacar que a estratégia de criação dos guardiões foi extremamente acertada. Pela minha experiência na Fiocruz, percebo que, por mais relevantes que sejam as entregas — tanto para a gestão quanto para a sociedade —, se não houver alguém acompanhando de perto, essas ações acabam se perdendo em meio ao volume de demandas do dia a dia. A figura do guardião dá um rosto, uma referência concreta para aquele tema, alguém que se responsabilize por fazer o objetivo avançar e tocar as ações estratégicas. No meu caso, me tornei guardião durante o processo das oficinas de Planejamento Estratégico. Participei das discussões sobre os indicadores do objetivo e, naquele momento, o grupo perguntou se alguém gostaria de assumir essa responsabilidade. As pessoas ali presentes sugeriram meu nome, e eu aceitei. Foi um processo de legitimação coletiva, o que ajuda muito na hora de mobilizar e engajar colegas: posso lembrar que aquele compromisso foi construído em grupo. Esse objetivo é transversal à Fiocruz como um todo, ainda que, muitas vezes, esteja mais associado à atuação externa. Ele está presente em todas as atividades da instituição e, por isso, é essencial contar com o apoio de várias pessoas — trabalhadores e trabalhadoras — da casa.
Sepof: Por que é estratégico para a Fiocruz Brasília investir no aperfeiçoamento da sua representação institucional?
JM: Porque precisamos construir confiança com diferentes partes interessadas — da academia, da sociedade civil, de outras instituições públicas. E essa confiança passa necessariamente pelas pessoas que representam a Fiocruz. Por exemplo, a agenda de diversidade, equidade e inclusão é algo muito caro à atual gestão, especialmente ao presidente Mario Moreira. Se uma pessoa, mesmo sendo especialista em determinado tema, utiliza durante uma representação institucional termos capacitistas, racistas ou etaristas — ainda que de forma inconsciente —, isso pode comprometer seriamente a imagem da instituição. As pessoas, muitas vezes, associam o indivíduo à Fiocruz: “o fulano da Fiocruz”, “a fulana da Fiocruz”. Portanto, é essencial que quem representa a instituição esteja alinhado com seus valores e compromissos. Nosso ambiente interno é bastante rico e diverso, e quem representa precisa entender e transmitir essa identidade institucional para além dos nossos muros. É por meio dessas interações que geramos valor público e isso exige preparo, informação e consciência do papel institucional que cada um exerce.
Sepof: Como você explicaria o Objetivo Estratégico 13 para alguém que acabou de chegar à instituição?
JM: De forma simples: aqui em Brasília, representamos a Fiocruz de muitas formas — e, independentemente da qualidade atual dessa representação, ela sempre pode ser aprimorada. O Objetivo Estratégico 13 traz para a agenda institucional a necessidade de trabalhar ações concretas e estabelecer indicadores que qualifiquem essa representação, sempre com foco no caráter institucional. Para que isso aconteça, as pessoas precisam estar bem informadas sobre a instituição, conhecer seus valores, prioridades e missão. Um exemplo disso é o Programa REP-IPÊ [Programa de Desenvolvimento das Competências para a Representação Institucional], voltado para o desenvolvimento de competências de representação institucional, com foco em propósito e excelência na execução. Esse propósito nasce do conhecimento: para representar bem, é preciso entender profundamente o que se está representando. No caso dos novos servidores, o processo de integração é fundamental. Eles precisam saber o que é a Fiocruz, onde ela está inserida — seja no território Brasília, no Brasil ou no cenário internacional — e que mensagens ela deseja transmitir. Prover continuamente informações estratégicas e qualificação de competências é essencial para que a representação institucional seja aprimorada. Esse é o cerne do Objetivo: oferecer um processo de aprendizado contínuo e as ferramentas necessárias para que as pessoas representem a Fiocruz da melhor forma possível.
Sepof: Em sua avaliação, as ações de representação institucional vêm sendo reconhecidas interna e externamente?
JM: Sim, com certeza. Uma das nossas ações estratégicas é justamente trabalhar o processo da representação institucional, e, atualmente, estamos desenvolvendo o mapeamento desse processo. A ideia é entender como as demandas de representação chegam até nós, quais etapas precisam ocorrer até a efetivação dessa representação e como o retorno é dado à instituição após a participação. Embora esse processo ainda esteja sendo formalizado, ele já é executado na prática há bastante tempo. E tanto o retorno que recebemos de instituições externas quanto o reconhecimento interno indicam que a presença da Fiocruz nesses espaços é bem avaliada. A participação é percebida como positiva. Claro, ainda temos desafios. Um deles é reduzir as percepções e vieses individuais e aumentar o uso de informações institucionais como base para a atuação dos representantes. Também é fundamental capacitar mais trabalhadores e trabalhadoras para esse papel e estruturar processos que funcionem de maneira fluida, sem burocracia excessiva, para garantir agilidade e controle. Espero que, numa próxima entrevista como esta, eu já possa responder a essa pergunta não apenas com base na percepção, mas com dados concretos, com base nos feedbacks das representações, para demonstrar o que está funcionando e onde estão as oportunidades de melhoria.
Sepof: Como tem sido estruturada a formação de profissionais para atuar nas agendas institucionais? Houve adesão às capacitações oferecidas?
JM: Estamos num momento ainda de experimentação dessa ação estratégica. Criamos, neste ano, o programa de formação chamado “Foco em Competência”, que busca desenvolver as habilidades necessárias para uma boa representação institucional. A ideia é que cada pessoa reconheça quais competências precisa aprimorar — por exemplo, comunicação — e também compreenda melhor as agendas institucionais prioritárias. A formação envolve não só o domínio técnico, mas também o conhecimento das prioridades da gestão. Às vezes, a pessoa sabe que existe um Conselho Deliberativo, um Conselho Superior, mas não tem clareza de quais são as agendas prioritárias da presidência. Por exemplo, diversidade e inclusão, internacionalização, ou temas ligados à ciência, à tecnologia e à inovação. Para que a representação institucional aconteça de forma estratégica, é preciso que quem representa tenha essas informações em mãos. Caso contrário, tende a se restringir à sua área técnica, sem perceber oportunidades de articulação mais amplas. Convidamos, na abertura do programa, o diretor executivo Juliano Lima, que trouxe pontos muito concretos sobre as prioridades estratégicas da Fiocruz. Isso foi muito positivo, porque amplia a visão dos participantes e os prepara para representar institucionalmente de forma mais conectada com a direção da Fundação. A proposta da capacitação é ser contínua, leve, mas efetiva — trazendo informações relevantes e se adaptando à diversidade de perfis da instituição. Afinal, temos desde ex-ministros até técnicos com formações muito distintas. Até o momento, percebemos um bom engajamento e estamos confiantes de que alcançaremos as metas estabelecidas para este ano. A ideia é crescer gradualmente. Começamos de forma conservadora, com um número menor de participantes — coordenadores de grupos de pesquisa, gestores, diretores — para testar o formato. A sugestão de realizarmos os encontros presenciais nos mesmos dias das reuniões do Conselho Consultivo veio da Fabiana [Damásio, diretora da Fiocruz Brasília], e foi uma decisão muito acertada. Com isso, ampliamos a participação já na largada. O retorno foi muito positivo. Tivemos dois momentos presenciais que coincidiram com a recepção dos novos vice-presidentes. Cada um deles compartilhou a orientação estratégica de sua área temática — meio ambiente, educação, comunicação, produção, assistência, inovação —, o que permitiu uma visão ampliada e concreta para os representantes da turma piloto. Isso tem nos ajudado a sair do nível mais genérico e oferecer, de fato, o olhar estratégico da Fiocruz para quem está na linha de frente da representação.
Sepof: Há alguma pesquisa de satisfação em andamento ou a avaliação do programa ainda se baseia em percepções?
JM: Como consideramos que o programa REP-IPÊ de capacitação é o coração da nossa estratégia para o aprimoramento da representação institucional, a pesquisa de satisfação ficou um pouco em segundo plano nesse primeiro momento. Ainda estamos discutindo quais metodologias poderemos utilizar e pensamos em rodar uma primeira versão experimental, para entender o que funciona. Então, ainda não chegamos nessa etapa de implementação da pesquisa, pois nosso maior foco está, por enquanto, no desenvolvimento do programa.
Sepof: Como está sendo realizado o monitoramento das agendas de representação institucional? Já foi estabelecida alguma rotina para esse acompanhamento?
JM: Isso está sendo estruturado dentro do mapa do processo. Esse fluxo inclui entradas, saídas e documentos de apoio. Por exemplo, criamos um formulário de formalização da demanda de representação — ou seja, quando a demanda chega, independentemente da área de origem, ela precisa ser registrada formalmente. Além disso, teremos um banco de dados com os trabalhadores e trabalhadoras que estão em função de representação. Essa expressão ajuda as pessoas a se enxergarem nesse papel institucional, ainda que não tenham um cargo formalizado como “representante”. Esse registro também documenta quem vai executar a representação, qual é a demanda, quais são os objetivos e quem responde por ela. O gabinete será o setor responsável por registrar a entrada da demanda e repassar as informações necessárias. O representante, por sua vez, deverá dar um retorno: como foi a experiência, se a representação cumpriu o objetivo, se houve oportunidade de articulação com outras agendas ou áreas, e assim por diante. A ideia é que o próprio processo traga esse acompanhamento de forma estruturada e contínua. Hoje, infelizmente, isso ainda não acontece de forma sistemática. Se alguém perguntar quantas representações tivemos no ano, por exemplo, é preciso pesquisar nos e-mails, levantar dados manuais — o que dificulta muito. E como pensar algo estratégico que não é devidamente monitorado? Esse é um dos grandes desafios da implementação do processo: garantir que ele funcione na prática e que nos permita acompanhar, avaliar e aperfeiçoar continuamente as ações de representação institucional.
Sepof: Quais são os riscos de não se planejar e acompanhar sistematicamente a representação institucional?
JM: A ausência de planejamento pode transformar a representação em algo quase informal, autorizado apenas por conveniência. Pessoas com conhecimento técnico acabam assumindo esse papel, mas o risco é alto. Mesmo com boa intenção, esse tipo de representação pode gerar lacunas, distorções e até danos à imagem institucional — especialmente quando o representante não tem domínio sobre outras agendas que extrapolam sua área técnica. Isso pode comprometer a reputação da Fiocruz e, com ela, a nossa capacidade de captar recursos, celebrar parcerias e executar projetos importantes. Nosso maior financiamento vem do orçamento público, mas também temos muitas captações via projetos. Se a imagem da instituição estiver desgastada ou mal compreendida, isso pode fechar portas. E, no fim das contas, o impacto negativo não é só interno — afeta diretamente a sociedade.
Sepof: Quais foram as principais conquistas até agora?
JM: Fizemos muita coisa, até me surpreendo quando paro para refletir. Lançamos o Programa REP-IPÊ. Também desenhamos e alinhamos com a direção o mapa do processo. Já estamos recebendo feedbacks positivos sobre essas ações. É gratificante ver pessoas que estão na linha de frente da representação reconhecendo a importância do que estamos construindo. Algumas, inclusive, me procuraram sugerindo a inclusão de temas com os quais trabalham, como a agenda de pesquisa, criando interseções com outros Objetivos Estratégicos. Isso mostra que o Programa também está funcionando como um ponto de convergência dentro do nosso planejamento. Reforço que a figura do Guardião foi uma estratégia muito acertada — ajudou a dar rosto e voz ao Objetivo e tem sido essencial para os resultados que estamos alcançando. Tenho certeza de que, muito em breve, teremos evidências concretas de que o aprimoramento da representação institucional está realmente acontecendo.
Sepof: Algum resultado te surpreendeu?
JM: O interesse genuíno das pessoas pelo Programa REP-IPÊ foi uma surpresa positiva. No início, havia receio de resistência — falar de treinamento, às vezes, soa como sobrecarga. Mas o que aconteceu foi o oposto: recebemos feedbacks muito bacanas. Criamos um canal no Teams com todos os participantes — mesmo quem não pôde comparecer aos encontros presenciais recebe ali os resumos das reuniões, os slides apresentados, os principais pontos discutidos. Isso garante que ninguém fique de fora da informação e ajuda a manter o engajamento. As pessoas precisam ver o desdobramento das ações, senão fica difícil mobilizar de novo no futuro. Essa comunicação contínua ajuda a nutrir esse vínculo. Além disso, tivemos uma ideia muito bacana da coordenadora do Serviço de Gestão do Trabalho (Segest), Kátia Zeredo: as “pílulas do conhecimento”. A cada mês, escolhemos um tema — por exemplo, ética e integridade — e divulgamos um texto leve, com indicação de cursos gratuitos e certificados da Enap [Escola Nacional de Administração Pública]. São capacitações curtas, de 15 a 30 horas, que se encaixam na rotina. Tudo isso contribui para manter o engajamento constante das pessoas no Programa.
Sepof: Qual ação mais simbólica do Objetivo você destacaria?
JM: Sem dúvida, a experiência de coordenar o REP-IPÊ. A Fabiana me indicou para essa coordenação, e tem sido uma jornada muito enriquecedora. A capacitação contínua, alinhada às diretrizes da gestão, é essencial para que possamos, de fato, aprimorar nossa representação institucional. Levar informação atualizada, fortalecer competências e criar espaços de diálogo têm sido diferenciais importantes para avançarmos com consistência.
Sepof: Se você tivesse que resumir o Objetivo Estratégico 13 em uma frase inspiradora, qual seria?
JM: Todos nós somos guardiões daquilo que a instituição quer deixar de legado. Por isso, a representação da Fiocruz — em qualquer instância ou fórum — deve ser feita de maneira estratégica e alinhada aos nossos valores: fortalecimento do SUS, equidade, diversidade, inclusão e todas as agendas que promovem saúde, qualidade de vida e felicidade para o povo brasileiro.