OE 11: Aumento da capacidade de desenvolvimento de pesquisa e inovação alinhada às necessidades das populações para aprimoramento das políticas públicas para saúde
Elaborar um Plano de Desenvolvimento de Pesquisa para a Fiocruz Brasília foi uma das metas alcançadas do Objetivo Estratégico 11, em 2025, que prevê o aumento da capacidade de desenvolvimento de pesquisa e inovação. Nesta edição do “Fala aê, guardiã”, a pesquisadora Flávia Elias, coordenadora de Programas e Projetos da unidade, fala mais sobre o Plano e sua efetividade para projetar a instituição como estratégica de Estado para a saúde pública, com foco na produção de conhecimento científico voltado às demandas do Sistema Único de Saúde e demais políticas sociais. Flávia Elias afirma: “a pesquisa tem um destino claro de buscar novos saberes e práticas para atender às necessidades da população”.
Serviço de Planejamento, Orçamento e Finança (Sepof/Fiocruz Brasília): Para começarmos, poderia nos contar um pouco sobre sua área e como você assumiu o papel de guardiã do Objetivo Estratégico (OE) 11?
Flávia Elias: Atualmente, estou como coordenadora de Programas e Projetos (CPP) da Fiocruz Brasília, área da unidade com grande aproximação com a pesquisa por ser composta por oito dos 12 Grupos de Pesquisa certificados na Fiocruz. Além da CPP, e, visando ao fortalecimento da pesquisa da instituição, foi implementada a Comunidade de Pesquisa, justamente para incluir no monitoramento os Grupos de Pesquisa que estão localizados nas demais áreas da unidade. Para coordenar a Comunidade de Pesquisa, foi criado um grupo condutor com participação de profissionais com experiência na gestão da pesquisa: Márcia Motta, Marge Tenório e Alexandro Pinto. Desta forma, considerando as atribuições do acompanhamento e monitoramento da CPP e da Comunidade de Pesquisa da Fiocruz Brasília, assumimos o papel de contribuir para o Aumento da Capacidade de Desenvolvimento da Pesquisa e Inovação.
Sepof: O título do OE11 fala em “aumento da capacidade de desenvolvimento de pesquisa e inovação”. Por que é estratégico para a Fiocruz Brasília focar nisso?
FE: É estratégico para a Fiocruz Brasília investir em pesquisa e inovação porque isso fortalece a capacidade de responder os desafios de políticas públicas de saúde e sociais, gera soluções tecnológicas e tecnologias sociais como devolutivas à comunidade em geral, e posiciona a unidade como instituição estratégica de Estado e no ecossistema nacional de ciência e tecnologia.
Sepof: Como esse objetivo equilibra a liberdade de pesquisa com a necessidade de direcionar esforços para as demandas mais urgentes das políticas públicas?
FE: O OE11, principalmente a partir dos desdobramentos do Plano de Desenvolvimento de Pesquisa, mostrou a necessidade da criação de uma agenda de pesquisa para a Fiocruz Brasília. A agenda de pesquisa está em construção e tem o objetivo de alinhar a expertise dos grupos e núcleos da unidade com as demandas e necessidades do SUS e demais políticas sociais, considerando a participação social. Adicionalmente, temas emergentes podem surgir, buscando inovações para processos de promoção da equidade, acessibilidade e inclusão.
Sepof: A parte mais importante do Objetivo parece ser a frase: “… alinhada às necessidades das populações para aprimoramento das políticas públicas para saúde“. Como o OE11, na prática, garante que nossas pesquisas não fiquem “na gaveta” e ajudem realmente a melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS)?
FE: No Plano de Desenvolvimento de Pesquisa, dentre outras, constam as dimensões de devolutiva de resultados e divulgação técnica e científica dos resultados dos projetos e pesquisas da Fiocruz Brasília. No Plano, além das dimensões citadas, constam objetivos, como aperfeiçoar políticas públicas de saúde e sociais, resolver ou mitigar problemas que dependam do conhecimento científico e produzir conhecimento para o fortalecimento do SUS e demais políticas sociais. O Plano já foi apresentado no colegiado da Direção, contribuindo com os resultados do OE11, de ampliação da capacidade de pesquisa e inovação, e com o monitoramento e avaliação dos projetos e pesquisas da unidade.
Sepof: O monitoramento de maio de 2025 apontou dois grandes desafios: o financiamento (D2) e a participação dos líderes de pesquisa (D1). Vamos falar de financiamento. O desafio (D2) menciona a dificuldade com chamadas públicas. No entanto, a Ação Estratégica 11.A – “Instituir um Plano de Fomento à Pesquisa”-, já foi concluída. O que é esse Plano e como ele está nos ajudando a superar esse desafio de captação de recursos?
FE: O Plano de Desenvolvimento de pesquisa, quando implementado, permitirá promover e prospectar mecanismos de fomento, ele não necessariamente garante o financiamento para as pesquisas da unidade, mas foi organizado para contribuir com a proposição de chamadas para fomento a estudos, pesquisas, desenvolvimento tecnológico e inovação para a Fiocruz Brasília com financiamento que envolve recursos próprios da Fiocruz e outros mecanismos de fomento captados pelos pesquisadores em outras chamadas públicas, estudos desenvolvidos no âmbito de Termos de Execução Descentralizada (TED). Ainda relacionado ao financiamento, o Plano traz como apêndice uma proposta de diretrizes com metas e atividades a serem pactuadas em projetos de cooperação técnica que prevejam repasse de recursos financeiros, a fim de conferir organicidade aos processos de trabalhos internos na Gerência Regional de Brasília (Gereb).
Sepof: Sobre o outro desafio (D1), de “participação e contribuição dos líderes”, a Ação 11.C busca “definir a estrutura de comunidade de pesquisa da Fiocruz”. O que está sendo feito para estruturar essa comunidade e estimular essa governança colegiada?
FE: Para alcance do que esta ação se propõe, foram realizadas reuniões semestrais, para as quais todos os líderes foram convidados, utilizando, inclusive, o espaço do conselho consultivo da Fiocruz Brasília. Nas oportunidades, foram apresentadas as minutas do Plano de Desenvolvimento de Pesquisa, da proposta de portaria com metas e diretrizes a serem pactuadas em projetos de cooperação técnica que prevejam o repasse de recursos e das áreas e eixos de pesquisa da unidade, para discussão e construção conjunta. Iniciamos uma atividade quinzenal chamada de Sessão de Pesquisa, organizada por Gustavo Matta e João Vitor Santos, que trata da realização de rodas de conversa para o compartilhamento de informações sobre linhas de pesquisa entre os grupos de pesquisa da Fiocruz Brasília, além das reuniões ordinárias da comunidade de pesquisa.
Sepof: Vimos que o OE11 não mede somente a quantidade de pesquisa, mas a qualidade e o alinhamento dela. Por exemplo, o indicador 11.4 mede o alinhamento dos projetos com a Agenda 2030 [Objetivos do Desenvolvimento Sustentável]. Estamos conseguindo fazer essa conexão?
FE: As informações disponíveis para o monitoramento deste e de outros indicadores foram registradas a partir do compartilhamento dos formulários de solicitação de certificação de grupo de pesquisa da Fiocruz Brasília, enviados pelos líderes respectivos, assim como dados do currículo lattes. Desta forma, ainda que o monitoramento e a conexão estejam sendo feitas com o que há disponível, estamos trabalhando em um instrumento para a sistematização dos dados acerca de cada projeto, o que vai nos permitir um acompanhamento mais fidedigno destes indicadores.
Sepof: O indicador 11.1 é muito interessante: mede projetos que ofertam “oportunidades de capacitação”. Isso significa que estamos formando novos pesquisadores dentro dos próprios projetos?
FE: Sim. De acordo com as informações compartilhadas pelos líderes dos grupos de pesquisa, existem projetos próprios dos grupos de pesquisa que ofertam oportunidades para Pibic [Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica], Provoc [Programa de Vocação Científica da Fiocruz], Especialização, Mestrado e Doutorado. Outros projetos trazem como produção, a oferta de cursos livres.
Sepof: A ação 11.B fala em “capacitação em temas transversais”, como integridade, escrita científica e ciência aberta. Por que esses temas são fundamentais para fortalecer nossa pesquisa?
FE: Capacitar em temas transversais é fundamental para garantir a qualidade, a integridade, a ética em pesquisa e a relevância da pesquisa para a ciência aberta e cidadã. A Fiocruz Brasília valoriza os saberes e conhecimentos populares e tradicionais em seus grupos de pesquisa, com estudos alojados nos projetos nos territórios.
Sepof: Como você avalia o impacto de uma pesquisa forte e alinhada para o posicionamento da Fiocruz Brasília dentro da Fundação e no cenário nacional?
FE: Uma pesquisa forte e alinhada fortalece o posicionamento da Fiocruz Brasília dentro da Fundação ao consolidar sua relevância para a pesquisa da instituição devido à sua capacidade de integração com órgãos governamentais e não governamentais, outras instituições de ensino e pesquisa, sociedade civil e territórios.
Sepof: O monitoramento aponta como riscos: “baixa adesão às reuniões” e “não ter o financiamento assegurado”. O que pode acontecer se esses riscos se concretizarem? Qual o impacto para OE11?
FE: Fragilização da governança e da capacidade de articulação coletiva, considerando que a ausência de participação compromete o diálogo colaborativo, a tomada de decisões estratégicas e o alinhamento interno entre os grupos e com os parceiros. A falta de financiamento para pesquisa inviabiliza a execução de projetos e reduz a sustentabilidade dos grupos de pesquisa, tanto no que concerne à manutenção das equipes quanto à sustentabilidade das iniciativas.
Sepof: Vemos parceiros importantes listados, como o NUGP [Núcleo de Gestão de Projetos], a Fiotec [Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde] e a própria Direção da Fiocruz Brasília. Quão importante é essa articulação interna para o sucesso do OE11?
FE: Sem essa articulação, a gestão do objetivo, suas ações e seus indicadores, corre o risco de perder força política e científica, gerando resultados limitados apenas ao monitoramento dos projetos. Para o alcance do que se propõe o OE11, precisa de legitimidade, considerando as atribuições, expertises e governabilidade de cada parceiro.
Sepof: Até agora, quais foram as principais conquistas ou os resultados mais marcantes do OE11? Qual a ação mais simbólica ou que te deu mais orgulho de ver acontecer dentro desse Objetivo?
FE: A construção do Plano de Fomento à Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação para a Fiocruz Brasília. Este documento sistematiza muitas informações fundamentais para a estruturação da pesquisa na unidade, apresenta diretrizes para inserção de metas e atividades a serem pactuadas em Projetos de Cooperação Técnica com a Fiocruz Brasília que prevejam repasse de recursos financeiros e orientações para solicitação de apoio da instituição para publicação e para participação em eventos científicos nacionais e estrangeiros.
Sepof: Se você tivesse que resumir o OE11 em uma frase inspiradora, qual seria?
FE: Ampliar a produção de conhecimento é fundamental para trabalhar em função das necessidades das populações e do fortalecimento da saúde pública.
Sepof: Deixe uma mensagem para os colegas pesquisadores e técnicos sobre a importância do trabalho deles para que a Fiocruz Brasília continue inovando para o SUS.
FE: O trabalho de cada profissional da comunidade de pesquisa da Fiocruz Brasília é essencial para que a instituição prossiga com o fortalecimento do SUS. A dedicação e inclusão dos territórios possibilita a aproximação da saúde coletiva com a sociedade.