Diários de Sampa chega ao último episódio com a essência da Liberdade

Fiocruz Brasília 20 de fevereiro de 2026


Por Juliana Vargas e Fernanda Severo

Websérie revela o encontro da saúde mental com a alegria que dança 

 

O trabalho como potência do viver. O desafio das grandes cidades é inventar jeitos de se reinventar. Qual a arte da liberdade? Onde mora a alegria? 

 

Construir uma identidade, ser autônomo, poder andar pela cidade. Fora das internações as pessoas se veem, se entendem e passam a desejar “coisas da vida”: ter um trabalho, ter um lar para onde voltar, poder ser. Ser cidadão é um estado de criação, um movimento de reciclagem e transformação. Exige força e alegria. Exige comunidade.

 

O último episódio da websérie Diários de Sampa – Morar em Liberdade: Onde mora a alegria?, conta a trajetória da Loucos pela X, um movimento coletivo que por meio de ações de economia solidária evoluiu da reciclagem de papel para uma ala permanente da Escola de Samba X9 Paulistana. Este percurso levou a criação de um ateliê de produção de fantasias em São Paulo, que é hoje o espaço onde usuários e trabalhadores ganham protagonismo entre fios e atavios.

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Para Simone Ramalho, psicóloga à frente do projeto agora há 25 anos, a “Loucos pela X é o encontro entre dois sonhos. O encontro entre o sonho antimanicomial (…) e o sonho carnavalesco (…). Sonham ambos com um mundo que a gente quer construir (…), que a gente possa produzir espaços de comunidade, que possa inventar jeitos de trabalhar.” Por mais de duas décadas de carnavais trabalham juntos por uma sociedade sem manicômios que conquista a cidade.

 

A Loucos pela X nasce no Centro de Convivência e Cooperativa (Cecco) Jaçana/ Tremembé, um serviço de saúde Mental na Zona Norte. Após o convite de participar do carnaval, a criação de fantasias e adereços se transforma no projeto de trabalho e renda central do serviço. Assim, além de componentes da escola de samba, usuários e trabalhadores integrados com a comunidade passam a aprender o ofício de aderecista, assumindo-se inventivos e realizadores: “Porque a maior alegria da gente é quando a gente chega no Anhembi. A gente vê o pessoal com ela [a fantasia] (…). Fica até meio tantã, é muita alegria”, conta Maria Sonia Santana, usuária e aderecista.

 

Pedro Gava, um dos psicólogos atuantes desde os primeiros passos da Loucos, comenta sobre o potencial transformador do projeto, que permite pensar lógicas de trabalho ampliadas que se complementam no coletivo, respeitando “os limites, as diferenças, as vontades de cada um.” Assim, Simone Ramalho finaliza: “E apesar do que é duro, poder fazer as tristezas balançarem e criarem outras belezas”.

 

Saiba mais
Websérie Diários de Sampa – Morar em Liberdade: Onde mora a dignidade?/Episódio 01
Websérie Diários de Sampa – Morar em Liberdade: Onde mora a dignidade?/Episódio 02

Playlist da Websérie no Canal “Morar em Liberdade”  (Todos os episódios em português e as versões em inglês e italiano)
Websérie Retratos da Reforma Psiquiátrica Brasileira

 
Acervo em Ciência Aberta (Arca Dados Fiocruz)
Memórias da Saúde Mental (Nusmad) no Arca Dados


Instalação Virtual Morar em Liberdade


Histórico da pesquisa

Pesquisa de vertente sócio histórica longitudinal, iniciada em 2017, que prioriza os dispositivos das políticas públicas contemporâneas de Saúde Mental em suas múltiplas interfaces com a garantia de Direitos Humanos. Configura-se como um projeto interdisciplinar de resgate, guarda e difusão de histórias de vida da Reforma Psiquiátrica Brasileira que inclui histórias de si e narrativas dos formuladores e gestores de políticas públicas, trabalhadores da atenção psicossocial, representantes do legislativo, do executivo federal, dos movimentos sociais e usuários da Saúde Mental. Como experiência comunicacional da ciência, consolida um acervo histórico de pesquisa qualitativa sobre políticas de Saúde Mental, especificamente os desdobramentos históricos da Reforma Psiquiátrica Brasileira (1991-2025).

Atualmente tem acervo de cerca de 40 horas de documentação audiovisual, com entrevistas realizadas entre 2017 e 2025 com ex-internos e trabalhadores da Atenção Psicossocial de Juiz de Fora (MG), Barbacena (MG) e Paracambi (RJ) e com gestores, formuladores e trabalhadores das políticas públicas de Saúde Mental. No último ano, a pesquisa estendeu sua área de abrangência para dialogar com usuários e trabalhadores da saúde mental de grandes capitais brasileiras, visando construir histórias do tempo presente do cuidado em liberdade. Seu banco de dados multimídia, desde 2020, é depositado em repositório institucional (Ciência Aberta) no Arca Dados da Fiocruz, sendo a primeira pesquisa qualitativa de ciências humanas inserida neste repositório para reuso das fontes. Esta ação fomenta diálogos em comunidades técnico-científicas e em disciplinas do Mestrado em Políticas Públicas em Saúde da Escola de Governo Fiocruz.