Evento discute a importância da avaliação de políticas públicas

Fiocruz Brasília 26 de agosto de 2026


Assessoria de Comunicação da RBMA*

 

A Rede Brasileira de Monitoramento e Avaliação (RBMA) encerrou, na última sexta-feira (21/08), o seu 12º Seminário, realizado pela primeira vez em parceria com a Fiocruz Brasília, por meio do Núcleo de Monitoramento e Avaliação de Políticas de Saúde (NMAPS/Fiocruz Brasília). O encontro marcou um momento de crescimento e amadurecimento do campo de Monitoramento e Avaliação (M&A) no Brasil e consolidou-se como o maior evento da história da Rede em número de participantes presenciais e de sessões realizadas.

 

Ao longo de três dias, o seminário reuniu mais de 300 participantes presenciais de 21 estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, além de cerca de 500 pessoas que acompanharam o evento a distância: profissionais, pesquisadores, gestores públicos, representantes da sociedade civil, organizações privadas, fundações, organismos internacionais, estudantes e demais interessados no campo. Foram recebidas 136 propostas de trabalhos, das quais 60 foram selecionadas para apresentação, compondo uma programação com 30 sessões paralelas, cinco plenárias, sete minicursos, duas oficinas e três rodas de afinidade.

 

A diversidade também esteve entre as principais marcas do encontro. As atividades abordaram temas como saúde, educação, cultura, proteção social, agricultura familiar, clima, meio ambiente, ciência, tecnologia e inovação, além de agendas relacionadas à equidade racial e territorial, participação social, decolonialidade, justiça cognitiva e institucionalização dos sistemas de monitoramento e avaliação.

 

O seminário também colocou em evidência desafios compartilhados por diferentes atores do campo, como equipes reduzidas, recursos limitados, expectativas que nem sempre coincidem com o tempo necessário para que políticas produzam impactos e a necessidade de fortalecer as capacidades profissionais para a avaliação.

 

“O monitoramento e a avaliação são muito importantes para a área da educação e, para nós que somos uma Escola de Governo, faz todo o sentido acolhermos este evento. Que a gente siga promovendo esses encontros, fortalecendo o campo, a troca e o aprendizado”, ressaltou a diretora-executiva da Escola de Governo Fiocruz-Brasília, Luciana Sepúlveda, que representou a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, na abertura do seminário.

 

Sepúlveda também participou da mesa-redonda Avaliação em Saúde Coletiva, ao lado dos pesquisadores da Fiocruz Brasília, Rafael Schleicher e Denise Sousa, que foi a mediadora.

 

Ampliar o que entendemos como evidência

Outra provocação presente em diferentes momentos do seminário foi a necessidade de ampliar o próprio conceito de evidência. Abordagens atentas à decolonialidade, equidade e participação discutiram novas formas de investigar e compreender políticas e programas, incorporando conhecimentos e perspectivas que muitas vezes permanecem à margem dos modos tradicionais de avaliar.

 

Questões como a experiência de quem implementa uma política, a percepção de quem é diretamente afetado por ela e diferentes formas de conhecimento produzidas nos territórios passaram a ocupar espaço no debate.

 

Para a RBMA, esse movimento representa uma oportunidade para que o campo avance não apenas em métodos e ferramentas, mas também na capacidade de reconhecer diferentes saberes e enfrentar vieses presentes nos processos avaliativos.

 

Inovação para além da tecnologia

O uso de novas tecnologias, como a inteligência artificial (IA), também esteve presente em diversos momentos do seminário, com discussões sobre suas possibilidades de aplicação em processos de avaliação e de produção de conhecimento. Uma das conclusões que atravessou o encontro foi que inovar não significa apenas incorporar novas tecnologias.

 

A IA pode complementar o trabalho dos avaliadores, mas não substitui a capacidade humana de interpretar contextos, formular perguntas, estabelecer relações, reconhecer diferentes perspectivas e exercer pensamento crítico. Nesse sentido, inovação também significa ampliar a participação, reconhecer outros saberes e repensar as relações de poder presentes nos processos de avaliação.

 

Um campo que se constrói coletivamente

Para Camila Cirillo, diretora de Partilha de Conhecimento e coordenadora do 12º Seminário da RBMA, o crescimento do evento revela também a consolidação de um campo que vem sendo construído coletivamente há anos.

 

“Ninguém sustenta esse campo sozinho”, destacou Camila durante a mesa de encerramento. Para ela, os três dias de encontro mostraram, na prática, a importância da articulação entre diferentes setores: o poder público, com sua capacidade de dar escala e institucionalizar sistemas; a sociedade civil, com sua criatividade e proximidade com os territórios; o setor privado, com sua capacidade de experimentar e trazer questões éticas; a academia, com seu papel na formação e produção de conhecimento; e os próprios avaliadores, que atuam na conexão entre diferentes saberes e perspectivas.

 

“O crescimento da Rede amplia também sua responsabilidade de continuar estimulando e construindo capacidades profissionais para que a avaliação tenha cada vez mais relevância para a sociedade”, afirmou.

 

O 12º Seminário da RBMA encerrou, assim, não apenas com números recordes, mas com novas perguntas e desafios para o campo. A avaliação ganha relevância quando consegue aproximar diferentes saberes e a participação na tomada de decisão e na melhoria das políticas públicas.

 

*Com edição da Assessoria de Comunicação da Fiocruz Brasília.