Formação participativa reúne conselheiras e conselheiros do Condraf na Fiocruz Brasília

Fiocruz Brasília 20 de agosto de 2026


Roberta Quintino (Psat / Fiocruz Brasília)

 

A Fiocruz Brasília recebeu, na segunda-feira (17), conselheiras e conselheiros de diferentes regiões do país para a Oficina de Escuta e Construção do Programa de Formação-Ação para Conselheiras e Conselheiros do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf). A atividade foi realizada em articulação com o Condraf e coordenada pelo Programa de Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat) da Fiocruz Brasília.

 

A iniciativa teve como foco reunir experiências e identificar necessidades concretas de formação relacionadas à atuação das conselheiras e dos conselheiros nos diferentes territórios. A partir da escuta dos participantes, a oficina buscou contribuir para a construção de um programa nacional de formação permanente, considerando as especificidades dos territórios da agricultura familiar e dos espaços de participação social.

 

Entre os objetivos da atividade estiveram o reconhecimento das competências necessárias para uma atuação qualificada nos conselhos, a identificação de lacunas relacionadas a conhecimentos, habilidades e ferramentas e o levantamento de condições institucionais necessárias ao exercício da participação social. A oficina também buscou reunir experiências de processos formativos desenvolvidos no Sistema Único de Saúde (SUS), no Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e em outros espaços de participação social.

 

Durante a oficina, os participantes foram organizados em grupos de trabalho para discutir desafios e possibilidades relacionados à atuação nos conselhos que integram a Rede Condraf. As discussões abordaram temas como o fortalecimento da representação social e territorial, a comunicação entre os conselhos e suas bases, as competências necessárias para a atuação nas diferentes instâncias da rede e o acompanhamento e monitoramento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável e solidário.

 

Outro eixo de discussão foi a construção de uma rede nacional de aprendizagem entre os conselhos, com estratégias voltadas à comunicação, articulação e educação permanente. A proposta parte do reconhecimento de que os processos de formação precisam dialogar com as experiências concretas vivenciadas pelas conselheiras e pelos conselheiros em seus territórios.

 

Na abertura da atividade, a vice-diretora da Fiocruz Brasília, Denise Oliveira, destacou a importância de ampliar a compreensão sobre os fatores que influenciam a saúde e sobre a relação entre conhecimento científico e os saberes produzidos nos territórios.

 

Segundo Denise, a compreensão contemporânea da saúde exige uma abordagem que considere as múltiplas dimensões da vida e a relação das pessoas com o ambiente e com os territórios onde vivem. “O conhecimento não pode ser uma reserva de poucos, ele deve ser democratizado.”

 

A vice-diretora ressaltou ainda que a produção de conhecimento não se limita ao ambiente acadêmico e que os processos formativos podem ser construídos a partir da articulação entre diferentes formas de saber. “Aprendemos que o saber não é exclusividade de quem foi formalmente treinado pela ciência acadêmica. Esta casa reconhece que o saber também emana das bases”, afirmou.