Fala aê, guardiãs: “Qualificar é cuidar. Quando ampliamos saberes, fortalecemos o direito à saúde”

Fiocruz Brasília 27 de novembro de 2025


Objetivo Estratégico 09: Aumento de profissionais formados e qualificados para atuação no SUS e demais políticas públicas

 

Nesta edição do “Fala aê, guardiãs”, conversamos com as guardiãs do Objetivo 09, Luciana Sepúlveda e Eliane Carmo, que explanam sobre os avanços, desafios e as perspectivas das ações de formação e qualificação conduzidas pela Escola de Governo Fiocruz-Brasília (EGF-Brasília), destacando impactos no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e na consolidação institucional.

 

Serviço de Planejamento, Orçamento e Finança (Sepof/Fiocruz Brasília): Para começarmos, poderia se apresentar? Fale um pouco sobre sua trajetória, área de atuação e como assumiu o papel de guardião(ã) do OE9.

Luciana Sepúlveda: Sou Luciana Sepúlveda, pesquisadora em saúde pública na Fiocruz há 25 anos e, desde 2018, responsável pela direção executiva da EGF-Brasília. Cheguei à Fiocruz em 2000, para trabalhar no recém-inaugurado Museu da Vida, na Casa de Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro. Trabalhava com educação não formal, voltada para educadores e crianças, adolescentes e jovens, visando popularizar a ciência produzida na Fiocruz e promover a saúde por meio da educação e comunicação. Ao chegar à Brasília, em agosto de 2003, segui na área da Popularização da Ciência e da promoção de saúde. A Fiocruz Brasília era muito diferente e a educação, naquele momento era a iniciativa de pesquisadores que aqui chegavam, em parceria com outras unidades da Fiocruz e com o Ministério da Saúde. Fui provocada a assumir a direção da escola e aceitei o desafio por acreditar que uma escola pode ser um espaço não apenas de ensino e aprendizagem e certificação, mas de transformação e formação de toda a comunidade de pessoas que nela atuam, que poderão transformar os seus espaços de trabalho e vida.  Por ocasião do planejamento estratégico da nossa unidade, pareceu natural assumir a responsabilidade de cuidar do objetivo 09, que trata da formação para o SUS e demais políticas correlatas.

 

Eliane Carmo: Trabalho na Fiocruz Brasília há 12 anos. Na Escola, pelo menos há uns 7. Recebemos o convite para sermos guardiãs do O9 pelo papel estratégico que a Escola tem para o atingimento dos resultados de formação para a Instituição e para a sociedade. Tudo o que a Fiocruz faz para qualificar pessoas para atuar na saúde, passa pela Escola e nós atuamos ativamente. Por isso, assumimos esse papel de guardiãs e tivemos que compartilhar porque são muitas ações estratégicas acontecendo todos os dias.

 

Sepof: O que representa para você contribuir com a formação e qualificação de profissionais que atuam no SUS e em políticas públicas, a partir da Fiocruz Brasília?

LS: Contribuir com a formação é garantir um estado mais efetivo e o acesso a direitos para todos os brasileiros e brasileiras.

 

Sepof: Na sua visão, qual é o papel da EGF-Brasília na missão institucional da Fiocruz?

LS: A Escola, atualmente, representa um dos eixos estruturantes da presença da Fiocruz, não apenas na capital federal, mas em todo o território nacional, pois a educação é transversal a todas as unidades da Fundação e a Escola é responsável por todas as ações educacionais da instituição e busca a integração com todas as demais unidades, na perspectiva de uma grande escola em rede. Atua também com redes de formação territorializadas, com as Escolas de Saúde Pública dos estados, Distrito Federal (DF), municípios e com o Sistema Nacional de Pós-Graduação. Além disso, promovemos a territorialização da Fiocruz no DF e Centro-Oeste com projetos em parceria com a sociedade civil organizada, a educação básica e outros atores do território, respondendo às necessidades locais de pesquisa, inovação técnico-científica e de formação.

 

Sepof: Por que é estratégico para a Fiocruz Brasília investir na formação e qualificação de profissionais para o SUS e para as políticas públicas?

LS: Políticas são dispositivos técnico-políticos capazes de orientar ações que resolvam problemas e respondam a necessidades e demandas concretas de pessoas. São feitas por gente para gente. As necessidades e demandas mudam ao longo do tempo, bem como as tecnologias disponíveis, a cultura, a sociedade, a economia, o contexto sanitário, de modo que a formação e a educação permanente são estratégicas para a formulação, implementação, monitoramento e aprimoramento de políticas públicas efetivas, capazes de mudar ações dentro dos serviços e espaços de vida das pessoas.

 

Sepof: Como esse Objetivo dialoga com o papel histórico da instituição na defesa do direito à saúde e na produção de conhecimento comprometido com o SUS?

LS: A Fiocruz é a instituição não universitária que mais oferta formação de pós-graduação na área da saúde. A pesquisa, o ensino e as ações no território fazem parte de um contínuo virtuoso, que contribui com a qualificação das políticas e serviços de saúde. Como instituição de Estado, mas com autonomia e forte compromisso com a construção de conhecimento crítico com base na ciência, sem ignorar a necessidade de diálogos epistêmicos, a Fiocruz cumpre importante função social no desenvolvimento de respostas aos interesses da população brasileira.

 

Sepof: O OE9 aborda múltiplas modalidades de ensino — presencial, híbrido e a distância. Como essa diversidade de formatos amplia o alcance e o impacto da formação promovida pela Escola?

LS: A escola presencial e a escola on-line ou virtual estão cada vez mais imbricadas. O uso das tecnologias na educação ganhou projeção durante a pandemia da covid-19 e, embora as ofertas presenciais tenham retornado com força, o uso do EaD [Ensino a Distância] ampliou muito a capacidade de acesso a estudantes de todo o país e mesmo de outros países às nossas ofertas institucionais.

 

Sepof: Instituição de programas de uso de recursos (apoio ao discente e docente, acessibilidade, inovação pedagógica, P&D [Pesquisa e Desenvolvimento]) – Como a construção desses programas pode fortalecer a inclusão, a inovação pedagógica e o apoio a docentes e discentes na Escola de Governo Fiocruz-Brasília?

LS: Foi criado um grupo de trabalho para o desenvolvimento da educação na EGF-Brasília e na unidade. O grupo conta com a participação de trabalhadores de vários setores que estão levantando os investimentos reais para a realização de todas as atividades da Escola. Um primeiro relatório será apresentado à Gestão até o final de 2025.

 

Sepof: Criação do Programa para Educação e Pesquisa da EGF-Brasília – De que forma o novo Programa para Educação e Pesquisa pretende ampliar o financiamento e a sustentabilidade das ações formativas da Escola?

LS: Foi avaliado o edital para participação em eventos de estudantes da Escola e foi proposta uma nova minuta para futuros editais a serem implantados a partir de 2026. Em 2025, os estudantes tiveram sua participação garantida no 14º Abrascão [congresso de saúde coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco]. Os residentes também realizaram estágio em Cuba e participaram do Fórum Nacional de Residência [é uma instância de participação do Movimento Nacional de Residentes em Saúde (MNRS), que pode contar com o apoio do Ministério da Saúde ou de governos locais].

 

Sepof: Consolidação do Núcleo de Educação a Distância (Nead) – Quais os principais avanços e desafios na consolidação do Nead para sustentar a expansão da oferta de cursos EaD e garantir sua qualidade?

LS: O Nead passou a contar com uma coordenação exercida por uma servidora, o que contribui muito para a sustentabilidade e o desenvolvimento do setor. Atualmente, a Escola e a Gerência Regional de Brasília (Gereb) negociam com a Presidência [Fiocruz] a infraestrutura necessária para o seu funcionamento.

 

Sepof: Atualização dos marcos normativos da EGF-Brasília – Como a atualização dos marcos normativos e dos regimentos da Escola contribui para aprimorar a governança e a qualidade acadêmica das formações?

LS: Entre 2023 e 2025, foi feito um grande esforço na construção e revisão participativa dos marcos normativos da Escola. Na pós-graduação stricto sensu, foi publicado novo Regulamento. Em 2024, também foi publicado o novo Regimento Interno da Escola de Governo Fiocruz-Brasília. Em 2025, enviamos para a publicação o novo Regulamento do Lato Sensu e da Qualificação, além do Regulamento de Acolhimento de Pós-Doutores no programa de pós-graduação. O Colegiado do Lato Sensu foi instituído e já funciona a todo o vapor. Em paralelo, avançamos com a construção dos fluxos das macros entregas da educação e já iniciamos a revisão do fluxo da oferta do stricto sensu, no ano em que nosso Mestrado Profissional completa 10 anos de existência. A construção dos fluxos e sua revisão geram protocolos de ação e informação clara e transparente sobre o funcionamento das atividades e setores da nossa Escola. As próximas ações serão rever os Regulamentos das Residências e revisitar o Projeto Pedagógico da Escola.

 

EC: A atualização dos marcos normativos foram uma importante ação gerada a partir do planejamento realizado nos anos 2020-2021. Como resultado desse planejamento vimos que era necessário atualizar alguns normativos, como o Regimento da Escola e o regulamento do nosso Mestrado. Esses documentos institucionalizam o funcionamento e orienta as ações estratégicas das áreas e do Mestrado. 

 

Sepof: Construção do Portfólio de Formação e Capacitação em Políticas Públicas em Saúde – Como o novo portfólio de cursos está sendo estruturado para responder às necessidades formativas reais do SUS e dos gestores públicos?

LS: Apresentamos, neste ano, o Portfólio Celebrativo dos 10 anos de nosso Mestrado Profissional, que fez parte da agenda comemorativa e seu seminário voltado à reflexão institucional sobre o futuro, os potenciais, as oportunidades e os desafios dos programas de pós-graduação stricto sensu profissionais.

 

Sepof: Implementação da Política de Apoio aos Estudantes – De que forma a Política de Apoio aos Estudantes está sendo construída para promover a permanência, o bem-estar e a equidade no processo formativo?

LS: A Escola inovou ao propor um Plano de Implementação da Política de Apoio ao Estudante (PAE) com a participação dos representantes dos cursos do stricto e lato sensu. O plano visa construir, junto aos representantes discentes, ações prioritárias para o período de 2024 a 2026. Inicialmente, foi feita uma escuta sobre a política e sua aplicação na Fiocruz Brasília, em que foram definidos dois eixos prioritários: saúde mental e participação. Realizamos reuniões periódicas com os representantes para que participem da definição dos eixos e das ações prioritários da Política, que precisam ser abordados a cada ano. A escuta aos discentes com problemas em sua permanência pedagógica ou mesmo com necessidade de maior acessibilidade ou de questões assistenciais se tornou uma linha de atuação da assessoria pedagógica em relação próxima com o Centro de Apoio ao Discente (CAD/RJ). O apoio é voltado na relação entre docentes e discentes. Um trabalho cuidadoso e humanizado que, sabemos, ainda encontra muitas limitações e desafios, mas que abre a busca por respostas e visa promover a diminuição do adoecimento no espaço educacional.

 

Sepof: Consolidação do Núcleo de Avaliação, Monitoramento e Planejamento Educacional (Nampe/EGF-Brasília) –  De que maneira o Nampe e o uso de ferramentas, como o Power Business Intelligence (Power BI), têm contribuído para aprimorar a cultura de avaliação e monitoramento das formações na EGF-Brasília?

EC: A utilização de ferramentas como o Power BI sintetiza informações e torna as análises mais acessíveis e dinâmicas para todos na instituição. Os painéis permitem a seleção de filtros que favorecem diversas análises de variáveis, inclusive análises históricas. Os painéis podem ser facilmente acessados por docentes, técnicos, coordenadores e Direção. Isso faz com que a informação seja mais transparente e democrática. Tudo isso favorecem os estudos, as tomadas de decisões e a implantação de políticas educacionais mais eficientes para a Escola. Desde 2022, já foram criados painéis de relatório dinâmico sobre as ofertas e perfis da oferta da Escola, perfis de alunos, avaliações de disciplinas, eventos, dentre outras, disponibilizados para a comunidade Fiocruz Brasília.

 

Sepof: Até agora, quais foram as principais conquistas ou os resultados mais marcantes do OE9?

EC: Foram muitos, vou tentar listar alguns: a atualização dos normativos, a consolidação do Nampe, da Assessoria Pedagógica e do Nead, que, juntos, são extremamente estratégicos para orientar e realizar ações educacionais mais efetivas para o SUS. As ações de capacitação para os docentes a partir da Assessoria Pedagógica; a constituição do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade Financeira da EGF-Brasília, que está fazendo um estudo do custo e da manutenção das ações educacionais para dar sustentabilidade à Escola nos próximos anos; e a construção da proposta do doutorado… São muitas, difícil listar todas.