Objetivo Estratégico 7: promoção da inclusão e diversidade em relação às questões de gênero, raça, geração, orientação sexual, religião e de políticas institucionais de ações afirmativas
O Objetivo Estratégico 7 está relacionado a dar visibilidade às iniciativas da Fiocruz Brasília voltadas à promoção da equidade, diversidade, acessibilidade e inclusão, destacando avanços, desafios e aprendizados na construção de uma instituição mais acolhedora e representativa. Nesta edição do “Fala aê, guardiões”, Lanna Afonso e Fábio Barcelos falam mais sobre as ações que a unidade vem desenvolvendo sobre essa agenda.
Serviço de Planejamento, Orçamento e Finança (Sepof/Fiocruz Brasília): Para começarmos, poderia se apresentar e contar um pouco sobre sua trajetória e atuação como guardiã do Objetivo Estratégico 7 (OE7)?
Lanna Afonso: Meu envolvimento com essa agenda começou na prática, antes mesmo de conhecer o OE7. Na Escola de Governo Fiocruz-Brasília (EGF-Brasília), atuo na organização e como membro das comissões de heteroidentificação e de avaliação biopsicossocial. Essa experiência me mostrou, de forma concreta, a importância das ações afirmativas para promover equidade, inclusão e acesso aos direitos. Posteriormente, participei de um Encontro Ampliado do Planejamento Estratégico da Fiocruz Brasília, que me proporcionou uma visão mais ampla sobre OE7 e seu papel no fortalecimento das políticas de inclusão, diversidade, acessibilidade e ações afirmativas. Como guardiã do OE7, procuro contribuir para que esses princípios se fortaleçam cada vez mais na cultura institucional, por meio do diálogo, da escuta e de ações concretas.
Fábio Barcelos: Minha atuação é pautada pelo compromisso com a construção de ambientes mais justos, acolhedores, acessíveis e representativos, reconhecendo que a diversidade é uma riqueza institucional e um elemento fundamental para a promoção da equidade. Nesse contexto, atuo como membro do Coletivo de Acessibilidade e Inclusão de Pessoas com Deficiência, do Coletivo Pró-Equidade (Pequi) e do Coletivo Jatobá 60+, espaços que fortalecem o diálogo, a participação social e a construção coletiva de políticas institucionais voltadas à inclusão. Ao longo dessa trajetória, tenho buscado promover ações de sensibilização, incentivar a escuta qualificada e contribuir para a implementação de iniciativas que ampliem o acesso, a permanência, a participação e o reconhecimento das diferentes identidades, experiências e necessidades presentes na Fiocruz Brasília. Ser guardião desse objetivo estratégico significa atuar de forma integrada com diferentes áreas da instituição, promovendo reflexões, construindo pontes e apoiando políticas e práticas que enfrentem as desigualdades e fortaleçam uma cultura institucional baseada no respeito aos direitos humanos, na valorização das diferenças e na promoção da equidade. A Fiocruz Brasília tem avançado de maneira significativa nesse processo, por meio da consolidação de coletivos, da criação de espaços permanentes de diálogo, da promoção de ações afirmativas, de atividades formativas e de iniciativas voltadas à acessibilidade, à inclusão e à diversidade. Esses avanços demonstram o compromisso institucional com a construção de uma organização mais plural, democrática e socialmente comprometida. Ao mesmo tempo, reconhecemos que ainda existem desafios importantes.
Sepof: O que significa, para você, trabalhar com a agenda de inclusão, diversidade e ações afirmativas dentro da Fiocruz Brasília?
LA: Acredito que essa agenda também nos convida ao aprendizado contínuo. Inclusão não é um destino, mas um compromisso permanente de ouvir, dialogar, revisar práticas e construir soluções coletivas. Cada pequena mudança pode gerar um impacto significativo na vida das pessoas e fortalecer o sentimento de pertencimento. É contribuir para que a Fiocruz Brasília seja um espaço onde todas as pessoas, independentemente de sua idade, origem ou condição, sejam respeitadas, valorizadas e tenham oportunidades reais de desenvolver seu potencial e colaborar com a missão institucional de promover saúde, ciência e justiça social.
FB: Para mim, é um compromisso ético, institucional e humano com a construção de uma sociedade mais justa, acessível e democrática. É reconhecer que a diversidade fortalece a instituição e que a promoção da equidade exige ações concretas para enfrentar desigualdades históricas e garantir oportunidades para todas as pessoas. No contexto do OE7, compreendo que promover a inclusão e a diversidade significa valorizar as diferenças relacionadas ao gênero, à raça, à geração, à orientação sexual, à religião e às pessoas com deficiência, fortalecendo políticas institucionais de ações afirmativas que assegurem o respeito aos direitos humanos e a participação plena de todos os sujeitos.
Sepof: Na sua percepção, por que esse tema deve fazer parte do planejamento estratégico institucional?
LA: Quando a inclusão e a diversidade são incorporadas ao planejamento estratégico, elas deixam de depender de iniciativas pontuais e passam a fazer parte da cultua organizacional. Isso permite que as políticas sejam construídas de forma contínua, com objetivos claros, responsabilidades definidas, indicadores de acompanhamento e avaliação dos resultados. Incluir essa agenda no planejamento estratégico, significa garantir que a diversidade, a equidade e a inclusão não sejam apenas valores declarados, mas compromissos traduzidos em ações concretas, acompanhadas e aperfeiçoadas continuamente. Dessa forma, a Fiocruz Brasília fortalece seu papel como instituição pública de referência, capaz de promover ciência e justiça social de maneira cada vez mais democrática, participativa e inclusiva.
FB: Porque esses princípios são fundamentais para o fortalecimento da instituição e para o cumprimento de sua missão de promover saúde, ciência, educação e cidadania com equidade. Demonstra que a inclusão e a diversidade não são ações isoladas, mas diretrizes que devem orientar a gestão, as relações de trabalho, a produção do conhecimento e o desenvolvimento das políticas institucionais. Incorporar esse tema ao planejamento estratégico significa reconhecer que a valorização das diferenças e o enfrentamento das desigualdades estruturais são condições essenciais para a construção de ambientes mais justos, democráticos, acessíveis e inovadores.
Sepof: O OE7 trata de temas como gênero, raça, geração, orientação sexual, religião e acessibilidade. Como essas dimensões se conectam ao papel social da Fiocruz Brasília?
LA: Vejo que essas dimensões se conectam ao papel social da Fiocruz Brasília porque tornam a instituição mais coerente com a sua missão e os seus valores. Ao reconhecer e valorizar a diversidade humana, amplia sua capacidade de produzir conhecimento, inovar, promover saúde e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e equitativa.
FB: Na minha percepção, as dimensões abordadas pelo OE7 estão diretamente relacionadas ao papel social da Fiocruz Brasília, pois refletem o compromisso institucional com a promoção da saúde, dos direitos humanos, da equidade e da justiça social. A Fiocruz Brasília é uma instituição pública que produz conhecimento, desenvolve pesquisas, forma profissionais e contribui para a construção de políticas públicas voltadas ao bem-estar da população. Para cumprir essa missão de forma plena, é fundamental reconhecer que as desigualdades sociais impactam diretamente as condições de saúde, o acesso aos serviços, as oportunidades e a qualidade de vida das pessoas.
Sepof: Muitas vezes inclusão e diversidade são vistas apenas como pautas sociais. Como você enxerga a relação entre essas agendas e a qualidade das ações institucionais?
LA: Entendo que a qualidade institucional também depende da capacidade de transformar esses princípios em práticas permanentes. Por isso, considero importante que a agenda de inclusão, diversidade, acessibilidade e equidade esteja integrada ao planejamento, à gestão de pessoas, à comunicação, à produção do conhecimento e à avaliação dos resultados. Quando essa agenda é tratada de forma transversal, ela deixa de ser uma ação isolada e passa a contribuir efetivamente para o aprimoramento da instituição.
FB: Essas agendas têm contribuído para ampliar a participação, reduzir barreiras, promover equidade e qualificar os processos de trabalho na Fiocruz Brasília. Um ambiente inclusivo favorece a inovação, o diálogo entre diferentes perspectivas e a construção de soluções mais eficazes para os desafios da saúde pública. Além disso, fortalecer a inclusão e a diversidade significa reafirmar o compromisso institucional com os direitos humanos, a justiça social e o Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que ninguém seja abandonado. Dessa forma, essas agendas não apenas promovem respeito e pertencimento, mas também elevam a excelência, a legitimidade e o impacto social das ações desenvolvidas pela Fiocruz Brasília.
Sepof: O que uma instituição ganha quando investe de forma estruturada em políticas afirmativas?
LA: Investir de forma estruturada em políticas afirmativas significa fortalecer pessoas e instituições ao mesmo tempo. À instituição, qualidade, credibilidade, participação e capacidade de cumprir sua missão pública, enquanto contribui para a construção de uma sociedade mais equitativa, democrática e comprometida com o respeito à diversidade.
FB: No contexto da Fiocruz Brasília, esse investimento resulta em equipes mais representativas, decisões mais qualificadas e ações de ensino, pesquisa, inovação e cooperação mais conectadas às necessidades da sociedade. Além disso, reduz barreiras, combate desigualdades estruturais e fortalece a cultura institucional baseada no respeito aos direitos humanos e na valorização das diferenças. Ao investir em políticas afirmativas, a instituição também amplia sua legitimidade social, estimula a inovação por meio da diversidade de perspectivas, melhora o clima organizacional e reforça seu compromisso com os princípios do SUS, da inclusão e da justiça social. Em síntese, não se trata apenas de promover igualdade de oportunidades, mas de qualificar a atuação institucional e gerar melhores resultados para toda a sociedade.
Sepof: O primeiro passo do objetivo foi realizar um diagnóstico sobre gênero, raça e acessibilidade na instituição. Que aprendizados esse levantamento trouxe sobre a realidade da Fiocruz Brasília?
FB: O diagnóstico sobre gênero, raça e acessibilidade foi um passo fundamental para compreender a realidade institucional da Fiocruz Brasília e orientar ações baseadas em evidências. O levantamento, realizado de forma conjunta pelo Coletivo Pequi e pelo Coletivo de Acessibilidade e Inclusão, permitiu identificar avanços importantes, mas também desafios relacionados à representatividade, à acessibilidade, à eliminação de barreiras e à promoção da equidade nos diferentes espaços institucionais. Um dos principais aprendizados foi a importância de transformar percepções em dados concretos, tornando possível o planejamento de políticas e ações mais efetivas. O diagnóstico também evidenciou que a promoção da inclusão e da diversidade exige um compromisso permanente, que envolve mudanças na cultura organizacional, nos processos de gestão, na comunicação, na infraestrutura e nas relações de trabalho.
Sepof: A formação continuada aparece como uma das principais estratégias do objetivo. Como a educação pode contribuir para transformar práticas e fortalecer uma cultura institucional mais inclusiva?
LA: A formação continuada é uma das estratégias mais importantes para fortalecer uma cultura institucional inclusiva, porque promove aprendizado permanente, amplia a compreensão sobre a diversidade e incentiva a transformação das práticas cotidianas. Mais do que transmitir informações, ela cria oportunidades para refletir, dialogar e desenvolver competências que contribuam para relações de trabalho mais respeitosas, acessíveis e colaborativas. Investir na formação continuada significa fortalecer a capacidade das equipes para reconhecer e enfrentar barreiras que podem limitar o acesso, a participação e o desenvolvimento das pessoas. Esse processo contribui para que gestores, trabalhadores, docentes, pesquisadores e estudantes incorporem os princípios de inclusão, diversidade, equidade e acessibilidade em suas decisões e práticas.
Sepof: A criação de uma agenda permanente busca dar continuidade às discussões e iniciativas da área. Como manter esse tema vivo ao longo do ano, para além das datas simbólicas?
LA: Manter a agenda viva significa transformá-la em um compromisso permanente da instituição, fazendo com que os princípios da inclusão, diversidade, equidade e acessibilidade orientem as decisões e fortaleçam, de forma contínua, a missão social da Fiocruz Brasília. Acredito, que a unidade já desenvolve iniciativas importantes nessa direção, ainda que de forma gradual, por meio de ações de sensibilização, formação e promoção do diálogo. Essas experiências representam uma base valiosa que pode ser fortalecida e ampliada para alcançar toda a comunidade da Fiocruz Brasília.
Sepof: A consolidação do Coletivo Pequi e das iniciativas voltadas à acessibilidade representa um avanço importante. Como esses espaços contribuem para transformar demandas em ações concretas dentro da instituição?
FB: A consolidação dos Coletivos Pequi e Acessibilidade e Inclusão representa um importante avanço na institucionalização das pautas de equidade, diversidade e acessibilidade na Fiocruz Brasília. Esses espaços têm um papel estratégico ao promover a escuta qualificada, o diálogo entre diferentes áreas e a participação ativa dos trabalhadores na identificação de desafios e na construção de soluções. Mais do que fóruns de discussão, os coletivos funcionam como instâncias de articulação e mobilização, transformando demandas em propostas concretas, como a realização de diagnósticos institucionais, a elaboração de planos de ação, a promoção de atividades de sensibilização e capacitação, o fortalecimento da acessibilidade física, comunicacional e atitudinal, além do acompanhamento de políticas institucionais voltadas à inclusão e à diversidade.
Sepof: As questões relacionadas à diversidade e inclusão estão em constante transformação. Por que é importante atualizar periodicamente os diagnósticos e acompanhar a evolução desse cenário institucional?
LA: Atualizar periodicamente o diagnóstico institucional é essencial porque a diversidade, a inclusão e a acessibilidade acompanham as transformações da sociedade e as necessidades das pessoas. Esse processo permite compreender a realidade da instituição, identificar avanços, reconhecer desafios e orientar decisões baseadas em evidências. Além de fortalecer o planejamento estratégico e o OE7, o acompanhamento contínuo possibilita avaliar os resultados das ações, aperfeiçoar políticas e direcionar recursos para as demandas mais relevantes. Entendo como fundamental que esse diagnóstico seja construído de forma participativa, por meio de pesquisas, espaços de escuta e indicadores institucionais. Quando as pessoas percebem que suas contribuições são acolhidas e resultam em melhorias concretas, fortalecem-se a confiança, o sentimento de pertencimento e o compromisso coletivo.
Sepof: Se você tivesse que resumir o OE7 em uma frase, qual seria? Ou que mensagem você deixaria para colegas sobre a importância de construir ambientes mais diversos, inclusivos e acessíveis?
FB: Construir ambientes mais diversos, inclusivos e acessíveis é uma responsabilidade de todos. Cada atitude conta para eliminar barreiras, valorizar as diferenças e fortalecer uma cultura institucional baseada nos direitos humanos. Ao promover inclusão e acessibilidade, a Fiocruz Brasília amplia a participação, qualifica suas ações e reafirma seu compromisso com a equidade, a ciência e a cidadania.