Formação debate cultura e promoção da saúde em Piranhas (AL)

Fiocruz Brasília 21 de julho de 2026


Roberta Quintino (Psat/Fiocruz Brasília)

 

Dando continuidade ao processo formativo iniciado em junho, o projeto Território de Cuidado, vinculado ao Programa de Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat) da Fiocruz Brasília, realizou entre os dias 13 e 15 de julho o segundo módulo do Curso Livre de Promoção da Saúde e Participação Social, em Piranhas (AL).

 

Com o tema “Território, cultura e práticas de promoção da saúde”, esta etapa propõe uma reflexão sobre o território como um espaço vivo, onde fatores sociais, econômicos, ambientais, culturais e políticos influenciam diretamente as condições de vida e de saúde das populações.

 

A promoção da saúde busca criar condições para que as pessoas tenham mais qualidade de vida e bem-estar. Isso envolve aspectos como moradia adequada, alimentação saudável, educação, trabalho, saneamento, cultura, participação social e acesso a direitos.

 

A partir dessa perspectiva, o curso convida educandos e educandas a analisar as diferentes realidades dos territórios, reconhecendo desigualdades, potencialidades e iniciativas locais. A proposta é fortalecer estratégias coletivas de cuidado, valorizando tanto os conhecimentos técnico-científicos quanto os saberes construídos pelas comunidades em seu cotidiano.

 

Outro eixo da formação é o reconhecimento da cultura como parte fundamental da promoção da saúde. Práticas comunitárias, manifestações culturais, memórias coletivas e saberes tradicionais são apresentados como elementos que fortalecem os vínculos sociais, o pertencimento ao território e as formas coletivas de cuidado.

 

Para a educanda Mary Alvez, de Jacintinho (Maceió/AL), um dos principais aprendizados do módulo foi ampliar o entendimento sobre a relação entre cultura e saúde. “O principal aprendizado que eu tive nesse módulo foi compreender que a cultura não é apenas um fazer artístico e cultural. A cultura é também uma forma de produzir saúde. Então, quando o território preserva seus saberes, as suas tradições, as suas memórias e fortalece também os vínculos entre as pessoas do seu território, ele também está promovendo o cuidado.”

 

O módulo também aborda a Vigilância Popular em Saúde como uma estratégia de identificação participativa dos problemas que afetam os territórios, incentivando a organização comunitária, o diálogo entre diferentes saberes e a construção coletiva de soluções para a melhoria das condições de vida e saúde.

 

Segundo Mary, a vivência proporcionada pelo curso permitiu compreender, na prática, como diferentes saberes tradicionais integram as formas de cuidado presentes nos territórios. “Na imersão, ouvindo parteiras, benzedeiras, raizeiras, agricultores, povos indígenas e quilombolas, eu pude não só perceber, mas sentir que existem muitas formas de cuidar da vida, e todas elas merecem ser reconhecidas e valorizadas. E isso também é saúde.”

 

O curso integra uma estratégia ampla de formação-ação que reúne participantes de municípios de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe, com o objetivo de fortalecer iniciativas locais, ampliar a troca de experiências e incentivar práticas de promoção da saúde voltadas às realidades de cada território.

 

Ao refletir sobre o significado da promoção da saúde, a educanda destaca que o conceito envolve condições de vida, direitos e valorização dos saberes presentes nas comunidades. “Para mim, a promoção da saúde é criar condições para que as pessoas vivam com dignidade, pertencimento e qualidade de vida. É garantir o acesso à cultura, à educação, ao meio ambiente saudável, à alimentação, ao afeto e, sobretudo, aos nossos direitos. Promover saúde também é fortalecer os nossos territórios e respeitar conhecimentos ancestrais que são extremamente importantes, porque cuidar da saúde também é cuidar das pessoas de perto, das suas histórias, da cultura que elas carregam e das suas identidades.”