Fiorenza Cadore (CTIS/Fiocruz Brasília)
Iniciativa da Fiocruz Brasília, em parceria com o MST do Paraná e a Força Nacional do SUS, articula conhecimento, organização territorial e preparação para eventos climáticos extremos
A formação da primeira turma de Brigadistas Populares para Resposta a Desastres marca um novo passo na construção de capacidades comunitárias para prevenção, preparação e resposta diante de emergências e eventos climáticos extremos.
A iniciativa é desenvolvida pelo CoLaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS) da Fiocruz Brasília, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná e a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta articula conhecimento técnico, organização territorial e atuação comunitária para ampliar a capacidade de resposta das populações em situações de desastre.
Mais do que preparar pessoas para atuar durante uma emergência, a formação busca fortalecer redes locais capazes de identificar riscos, organizar ações preventivas e mobilizar os territórios diante de situações que possam afetar a saúde, a segurança e as condições de vida das comunidades.
Conhecimento e organização a partir dos territórios
A criação das Brigadas Populares parte do entendimento de que a resposta aos desastres não começa apenas quando uma emergência já está instalada. A prevenção, a preparação das comunidades, a circulação de informações e a articulação entre diferentes atores são componentes fundamentais para reduzir impactos e ampliar a capacidade de reação dos territórios.
Nesse processo, o conhecimento produzido pelas próprias comunidades se soma às experiências das instituições envolvidas. A iniciativa valoriza a participação popular e reconhece que moradores e organizações locais possuem conhecimentos importantes sobre as características, vulnerabilidades, recursos e necessidades de cada região.
A articulação entre ciência, políticas públicas e organização comunitária contribui, assim, para a construção de estratégias mais conectadas às realidades locais.
Plano Popular Territorial para enfrentar os efeitos do El Niño
O encontro que marcou a formatura da primeira turma também foi palco do lançamento do Plano Popular Territorial para Enfrentamento dos Efeitos do El Niño no Paraná.
O documento foi construído a partir das realidades, dos conhecimentos e das necessidades identificadas nos próprios territórios. A proposta é organizar ações e prioridades voltadas à prevenção e ao enfrentamento dos impactos associados aos eventos climáticos, considerando as especificidades das comunidades envolvidas.
A construção territorial do plano reforça uma perspectiva em que a população não ocupa apenas o papel de destinatária das ações de emergência, mas participa da identificação dos problemas e da elaboração das respostas.
Preparação diante de um cenário de eventos extremos
A intensificação e a recorrência de eventos climáticos extremos ampliam a necessidade de estruturas capazes de atuar antes, durante e depois dos desastres. Enchentes, secas, ondas de calor, tempestades e outros fenômenos podem produzir impactos que vão além das perdas materiais, atingindo diretamente a saúde das populações, o acesso a serviços, a produção de alimentos, a infraestrutura e as condições de vida.
Nesse contexto, fortalecer redes locais, produzir conhecimento de forma compartilhada e ampliar a capacidade de resposta das comunidades torna-se parte estratégica da preparação dos territórios.
A formação dos Brigadistas Populares aponta para um modelo baseado na articulação entre instituições públicas, movimentos sociais e comunidades. A experiência reúne diferentes saberes em torno de um objetivo comum: contribuir para territórios mais preparados, capazes de reconhecer seus riscos, organizar respostas e proteger a vida diante das emergências climáticas.
Com a conclusão da primeira turma, a iniciativa consolida uma experiência de formação que aproxima ciência, saúde, participação popular e atuação territorial, ampliando as possibilidades de construção coletiva de estratégias para prevenção e resposta a desastres.
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