“A ciência precisa sair da prateleira”

Adrielly Reis 25 de setembro de 2026



Foi com essa afirmação que a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, abriu a oficina “Gestão da integralidade do cuidado: diálogos intersetoriais e possibilidades nas relações das identidades com o SUS”, atividade pré-congresso do 10º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS), da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), no dia 15 de setembro.

 

A citação da diretora joga luz sobre a importância da ciência se aproximar do território e do cotidiano das pessoas. “A proposta da oficina foi justamente de reunir pessoas que fazem o SUS acontecer nos seus territórios para falar sobre as políticas públicas de saúde. Que possamos sair daqui nos reconhecendo como pessoas que defendem o SUS”, ressaltou Fabiana Damásio.

 

A instituição marcou presença com mais de 20 atividades, entre oficinas e cursos pré-congresso, mesas-redondas, comunicações orais curtas e coletivos temáticos, ao longo da programação do 10º CSHS. O primeiro congresso da Abrasco na Região Norte foi realizado na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), na cidade de Manaus (AM), entre 16 e 19 de setembro.

 

Envelhecimento ativo e saudável, saúde da mulher indígena, participação social e direitos humanos na atenção à população em situação de rua, aquilombamento, ciências ancestrais, equidade na formação-ação de agentes populares de saúde nos territórios, equidade de gênero, raça e etnia em territórios de cuidado e emancipação, direitos humanos dos povos indígenas yanomamis e ye’kwanas estiveram entre os temas abordados nos trabalhos apresentados pela Fiocruz Brasília em Manaus. 

 

Na agenda da saúde mental, os trabalhos foram na linha do cuidado em liberdade, o cuidado à população LGBTQIAPN+ nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), o cuidado e a autonomia das mulheres usuárias da saúde mental nas metrópoles, e os registros das narrativas audiovisuais do Projeto Diários de Sampa – Morar em Liberdade. Durante a programação do 10º CSHS, também ocorreu o Encontro Nacional do Projeto Nós na Rede – “Experiências Territoriais e Desafios Contemporâneos da Atenção Psicossocial”.

 

Tenda-Maloca Paulo Freire
A tradicional Tenda Paulo Freire dos eventos da Abrasco ganhou contornos amazônicos para o 10º CSHS, rebatizada de Tenda-Maloca Paulo Freire. Em uma perspectiva de “aldeamento” das práticas de educação popular em saúde e sob o tema “Corpos, territórios e ancestralidades: medicinas indígenas, saberes de terreiro, diversidades e educação popular na produção do bem viver na Amazônia“, a proposta da Tenda-Maloca foi promover encontros interculturais que valorizaram as medicinas tradicionais, as espiritualidades, as práticas comunitárias de cuidado e os conhecimentos produzidos pelos povos indígenas, comunidades de terreiro, quilombolas e demais populações tradicionais.

 

Ao debater a produção da educação popular a partir desses sujeitos como produtores legítimos de saberes e tecnologias de cuidado, o espaço reafirmou a defesa da vida, da diversidade, da justiça socioambiental e do bem-viver como horizontes ético-políticos para a construção de um SUS mais democrático, intercultural e comprometido com a sustentabilidade dos corpos, dos territórios e dos modos de existir na Amazônia.

 

O congresso

Com o tema “Interculturalidade, Ambiente e Saúde: os desafios do século XXI para uma vida em conexão com os territórios”, o 10º CSHS reuniu mais de 3.500 congressistas no coração da Amazônia e recebeu 1.477 trabalhos aprovados.

 

Com atividades entre os dias 15 e 19 de setembro, o 10º CSHS reuniu 1.104 pessoas nas atividades de pré-congresso. Ao todo, foram realizadas 112 atividades: 56 oficinas, 23 minicursos, 12 reuniões, 11 encontros, oito fóruns, um simpósio e um cinedebate.

 

O congresso foi realizado pela Abrasco, em parceria com a UFAM, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

 

Assessoria de Comunicação da Fiocruz Brasília com informações da Abrasco.

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