Fiocruz Brasília apresenta produtos e ideias inovadoras

Por: Nathállia Gameiro
23/08/2019

Nathállia Gameiro

A Fiocruz Brasília teve uma intensa participação no Edital Inova Fiocruz, que estimula a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico e a inovação em saúde em todas as áreas de atuação da Fiocruz e apoia ideias, projetos e produtos inovadores, desde vacinas e kits de diagnósticos a plataformas de informações, que possam subsidiar políticas públicas e trazer melhorias para o sistema de saúde pública.

O edital recebeu mais de 450 propostas. Destas, 248 foram aprovadas, sendo sete da Fiocruz Brasília. As unidades regionais estão recebendo visitas dos coordenadores do Programa Inova Fiocruz e nesta quinta-feira, 22 de agosto, foi a vez da Fiocruz Brasília. Os pesquisadores apresentaram os projetos vencedores do edital de 2018, que têm públicos diversos: mulheres, população de rua, movimentos sociais, moradores de regiões do Distrito Federal, Minas Gerais e Goiás.

“O edital mostrou a capacidade propositiva e o protagonismo da Fiocruz Brasília. Os trabalhos são muito bem-conceituados e qualificados”, afirmou a vice-diretora Denise Oliveira. Ela lembrou da história da unidade e reforçou a mudança de perfil nos últimos 19 anos, em que a instituição na capital federal passou a não só atender demandas específicas, mas a ofertar capacitação e pesquisas. 

“É um delineamento que aos poucos constrói a identidade da instituição, onde a integração da pesquisa aplicada e o ensino geram frutos e um retorno para nós”, acrescentou a diretora-executiva da Escola Fiocruz de Governo da Fiocruz Brasília, Luciana Sepúlveda.

O coordenador do Programa Inova, Milton Ozório, ressaltou que tem orgulho de ver o progresso da instituição na capacidade de ofertar soluções para a saúde. Para ele, o Programa é uma mudança de paradigma na forma de financiar, acompanhar e avaliar pesquisa, que vai desde a geração de conhecimento ao desenvolvimento de produtos, e não se resume apenas a vacinas, testes de diagnósticos, abrangendo também notas técnicas, relatórios e outras ofertas que subsidiam políticas públicas para a saúde.

Os projetos

O Brasil é um dos recordistas em taxas de cesáreas e intervenções obstétricas, com índice de 56%, segundo o Ministério da Saúde. Em hospitais particulares, a taxa pode chegar a 84%.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a cesárea seria necessária em somente 10% dos partos, pelos riscos que apresenta à mãe e os problemas ao bebê.

Outros dados que preocupam são da violência obstétrica e o número de doença ou complicações causadas por tratamento médico ou resultantes deles. Esses dados foram o mote para o projeto Educação perinatal de base comunitária: saberes tradicionais em saúde feminina. A proposta busca dar informações, conscientizar e empoderar mulheres em situação de vulnerabilidade social, além de resgatar a autonomia e autocuidado. O curso teve início em junho deste ano e aborda temas como parto, paternidade, bebê, pós-parto e legislação. Participam da capacitação 25 mulheres, que se tornarão multiplicadoras das informações em suas comunidades e locais de atuação.

“As parteiras costumas dizer que o parto é só o portal, a maternidade é o desafio que fica para a vida inteira. Por isso, abordamos assuntos que vão para além do parto”, explicou Felipe Medeiros, pesquisador do Programa de Educação, Cultura e Saúde, da  Fiocruz Brasília e integrante do projeto.

A população vulnerável também é alvo de outro projeto da unidade vencedor do edital. O grupo de pesquisa População em situação de rua – políticas públicas, serviços, dispositivos e trabalho em saúde busca promover Territórios Saudáveis e Sustentáveis para pessoas em situação de rua no DF através de um sistema de georreferenciamento online e a integração de serviços da rede de atendimento.

A construção de territórios saudáveis e sustentáveis também é o objetivo de mais três propostas da instituição. O primeiro é o projeto Redes Sociotécnicas – caminhos para a mudança social na construção de Territórios Sustentáveis e Saudáveis por meio da Educação, Ciência Cidadã & Solidariedade em Pesquisa, que busca capacitar os participantes das redes locais do DF, grupos que se reúnem uma vez por mês para discutir problemas dos territórios das regiões administrativas do DF.

Já o projeto Cidade Estrutural Saudável e Sustentável: O Empoderamento social para a governança e a gestão territorial focada na Agenda 2030 dos ODS da ONU, é voltado para pessoas que moram, trabalham ou desenvolvem atividades na Cidade Estrutural, região localizada a 25 km do centro de Brasília e que por muitos anos abrigou depósito de lixo a céu aberto (o segundo maior do mundo e o maior da América Latina), desativado em janeiro do ano passado. A proposta é mapear os fatores críticos do território, apropriar o público da Agenda 2030, formar pesquisadores populares sociais e instalar uma Sala de Cooperação Social para apoiar a governança territorial. O curso de especialização teve início nesta quinta-feira. Confira aqui  

O terceiro projeto contemplado nesta linha é voltado para os moradores das comunidades de Vão dos Buracos, Buraquinhos, Barro Vermelho e Morro de Fogo, localizadas no noroeste de Minas Gerais.  A região é marcada por grandes contradições. A água é um grande problema e não é pela escassez. Ao mesmo tempo em que a região abriga grande quantidade do recurso, ela não é segura e adequada para uso, por estar contaminada. Há ainda grande uso de agrotóxico nas chapadas. Assim, o projeto vai redirecionar o modelo de atenção à saúde para as necessidades dos moradores e estabelecer redes tecnológicas de promoção e vigilância em saúde.

Outro projeto que ultrapassa os limites do território do DF é o Histórias de rede: novas estratégias para o matriciamento entre a saúde mental e atenção básica, que formará um projeto piloto em Planaltina de Goiás e Formosa (GO), mapeando os recursos de matriciamento e construindo narrativas de vida dos usuários de saúde mental. A ideia é que o projeto resulte em um livreto para que seja replicado em outros territórios.

Produto Inovador
Hoje, existem mais de 260 mil agentes comunitários de saúde e o trabalho é realizado ainda utilizando o papel, o que demanda logística para utilização, retrabalho para passar as informações e peso para o profissional. Para promover transformação digital nesse processo de trabalho, está sendo desenvolvida a Plataforma de inovação aberta mACS, que conta com parceria do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/ Fiocruz Bahia) e foi um dos vencedores do edital na modalidade de produto inovador. A plataforma armazenará os dados coletados pelos agentes comunitários, permitindo a integração e auxiliará na tomada de decisões.

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