Ministro ressalta a importância do diagnóstico precoce da hanseníase

Por: Fiocruz Brasília
23/01/2015

Sob à luz do Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, comemorado no dia 25 de janeiro, o Ministro da Saúde, Arthur Chioro, lançou na última quarta-feira (21) a campanha publicitária sobre a doença, além de apresentar um balanço epidemiológico de uma década. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa com jornalistas, no Ministério da Saúde, em Brasília.

 Panorama da Hanseníase no Brasil

Apesar de ainda ser um problema de saúde pública no Brasil e estar no rol das doenças negligenciadas, o balanço sobre a doença trouxe resultados positivos.  A análise de 2003 a 2013 mostra que o número de novos casos no país caiu 40%. As taxas de prevalência da doença em dez anos caíram em 68% e o percentual de cura aumentou para 80%. Dados preliminares mostram que, em 2014, 31.568 pessoas estavam em tratamento pelo SUS, que inclui exames clínicos, avaliação neurológica e a oferta de polioquimioterapia. Dados que revelam os esforços para o combate à doença.

A coordenadora geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação (CGHDE/DEVIT/SVS/MS), Rosa Castália, explicou que a hanseníase é uma doença endêmica no Brasil, mas que está concentrada em alguns estados: Mato Grosso (MT), Pará, Maranhão, Tocantins, Rondônia e Goiás. Para que a hanseníase deixe de ser considerada um problema de saúde pública, o Brasil deve atingir a meta estipulada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na qual a prevalência deve ser de menos de um caso por 10 mil habitantes. Em 2013, a incidência era de 1,42 casos/10 mil habitantes. Dados preliminares mostram que em 2014, esse número era 1,56/10 mil. O ministro explica que a ampliação do diagnóstico pode aumentar também o número de casos registrados. “O aumento no número de casos não significa insucesso, mas que fomos capazes de diagnosticar o que estava oculto”, afirmou.

Chioro falou ainda sobre o enfrentamento do estigma histórico da hanseníase e do desafio de lidar com doenças negligenciadas, ligadas às desigualdades sociais. Nesse sentido, o ministro ressaltou a importância das equipes de saúde da família e do Mais Médicos, iniciativas que ampliam o acesso da população aos serviços de saúde, inclusive em áreas remotas.

O Ministro da Saúde ressaltou os esforços realizados em relação à sensibilização e mobilização dos profissionais de saúde, gestores e sociedade. E destacou que é importante tratar não só os casos diagnosticados, mas as famílias dessas pessoas “essa estratégia é decisiva para interromper a cadeia de transmissão da doença”.

Diagnóstico precoce e educação continuada de profissionais de saúde
O ministro ressaltou a importância do diagnóstico precoce para o controle da doença e ressaltou: “O Brasil pode eliminar a hanseníase, mesmo que seja uma doença negligenciada. Temos estratégias para isso” e também falou sobre a necessidade de se completar o tratamento “só assim podemos garantir a cura”.

Chioro afirmou ainda que a doença pode e deve ser identificada na Atenção Básica e que educação continuada dos trabalhadores da saúde é fundamental para o sucesso no diagnóstico. “É preciso que o profissional pense que [os sintomas do paciente] pode ser hanseníase. Para isso, é preciso estar alerta”, disse.

Nesse sentido, a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) produziu o curso Hanseníase na Atenção Básica, lançado por meio da parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS), e a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES/MS). As inscrições estão abertas desde outubro. O objetivo é preparar os profissionais para atuarem no controle da transmissão da hanseníase e diminuir as incapacidades causadas pela doença. Nesse contexto, o conteúdo apresentado ressalta a importância do diagnóstico oportuno e do efetivo controle de contatos. Para tanto, são utilizados diversos recursos educacionais para promover o aprendizado. “O curso propõe soluções e ações factíveis para o cuidado na Atenção Básica, com os recursos disponíveis nesse nível de atenção”, afirma a designer educacional da Secretaria Executiva da UNA-SUS, Bárbara Menezes.

Para o coordenador de Avaliação e Monitoramento da UNA-SUS, Alysson Lemos, a importância do curso é evidente, dado panorama da doença no contexto brasileiro. “É preciso fortalecer a cultura do diagnóstico, tratamento e reabilitação”. Lemos ressalta ainda que o curso soma esforços à política de enfrentamento à doença.

O curso é dividido em três unidades: vigilância; diagnóstico e acompanhamento da hanseníase na Atenção Básica. Os casos clínicos são transversais, abrangendo e integrando os três aspectos do controle da doença. Para saber mais, acesse à página:http://unasus.gov.br/hanseniase.

Detecção e tratamento – A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa, causada pela bactéria Mycobacterium leaprae. A transmissão se dá pelas vias aéreas, por meio do contato entre uma pessoa infectada para uma saudável suscetível. As manchas causadas não doem e não coçam e o período de incubação da doença é de cinco anos.

A bactéria tem atração por pele e nervos, podendo causas atrofias e áreas de insensibilidade. Caso a bactéria atinja o nervo, pode causar incapacidades muitas vezes irreversíveis. “Com a diagnóstico precoce, a doença pode ficar só no estágio da pele”, afirmou Castália.

De acordo com o Ministério da Saúde, a hanseníase tem cura, mas pode causar incapacidades físicas se o diagnóstico for tardio ou o tratamento não for realizado adequadamente, pelo período preconizado, já que atinge pele e nervos.

Além do diagnóstico, o SUS oferece tratamento para hanseníase, disponível em todas as unidades públicas de saúde. A poliquimioterapia (PQT), uma associação de medicamentos que evita a resistência do bacilo deve ser administrada por seis meses ou um ano a depender do caso. Os pacientes deverão ser submetidos, além do exame dermatológico, a uma avaliação neurológica simplificada e sempre receber alta por cura. Nos últimos dez anos, a taxa de cura da doença no país aumentou 21,2%. Em 2003, 69,3% das pessoas que faziam tratamento para hanseníase se curaram. Já em 2014, esse número saltou para 84%.

Estratégias de combate à doença
Uma das estratégias do Ministério da Saúde é levar o conhecimento sobre a doença para as escolas, especialmente aquelas localizadas nos municípios de maior incidência da doença. Para isso, foi criada a Campanha Nacional de Hanseníase, Verminoses e Tracoma, realizada com alunos de 5 a 14 anos. Já foram mais de cinco milhões de crianças atendidas. O Ministério da Saúde ampliou em 128% o número de municípios participantes da Campanha. A adesão dos municípios à campanha passou de 852 municípios em 2013 para 1.944 em 2014. O Ministro atentou para o fato de que 7,8% dos novos casos de hanseníase detectados de 2003 a 2013, foram de pacientes menores de 15 anos.

Segundo informações do Ministério da Saúde, a conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é que os contatos destas crianças sejam registrados e examinados. Nesse sentido, houve diagnóstico em 73 contatos intradomiciliares dos casos novos diagnosticados na campanha. Do quantitativo de escolares identificados como casos sugestivos de hanseníase ou com diagnóstico confirmado pelas unidades de saúde, cinco estados responderam por mais de 80% do total de casos diagnosticados, sendo eles: Pará, Mato Grosso, Maranhão, Bahia e Pernambuco.

Na Campanha, também foram tratados 4.754.092 alunos para verminoses e 25.173 escolares foram diagnosticados para tracoma. Este ano, a terceira edição da campanha nas escolas deve ter início no mês de agosto.

Além dessa iniciativa, Castália destacou a que, em municípios de maior incidência da hanseníase, as equipes de Saúde da Família realizam buscas minuciosas de novos casos: “de rua em rua, de casa em casa”. A coordenadora geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação ressaltou que as estratégias utilizadas no Brasil são consideradas exemplo mundial pela OMS.

Campanha Publicitária
A campanha publicitária lançada na última quarta-feira (21) tem como mote “Hanseníase: quanto antes você descobrir, mais cedo vai se curar”.  A ação tem como foco o diagnóstico precoce da doença e a divulgação do tratamento que é ofertado de graça no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o Ministério da Saúde, a campanha será direcionada aos municípios de maior prevalência da hanseníase localizados, principalmente, nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A comunicação com a população e os profissionais de saúde será feita por meio da TV, distribuição de cartazes, folhetos e mídias na internet, principalmente nas redes sociais. Ainda para marcar a data de luta contra a doença, em Brasília, o prédio do Ministério da Saúde receberá projeção de luzes em cores marrom, vermelho e bege, que representam os tons das manchas provocadas pela doença. A partir do mês de agosto, a campanha chega às rádios de todo o país.

 

Fotos: Ministério da Saúde