Escola de Governo Fiocruz – Brasília realiza acolhimento aos estudantes

Mariella de Oliveira-Costa 18 de agosto de 2020


Mariella de Oliveira-Costa 

 

“É tempo de reinventar fluxos de trabalho e aprender coisas novas, com colaboração e solidariedade. Buscamos construir soluções para o SUS por meio do conhecimento científico e da experiência de vida e profissional que cada aluno traz para a Escola, que não está limitada ao prédio da Fiocruz Brasília, mas integrada aos espaços do SUS. ” Com esta fala, a diretora da Escola de Governo Fiocruz – Brasília, Luciana Sepúlveda, iniciou a sessão online de acolhimento aos estudantes do segundo semestre letivo de 2020. A atividade foi realizada na manhã desta terça-feira (18/8) com participação de mais de 140 alunos, professores e coordenadores dos diferentes cursos da instituição (Mestrado Profissional em Políticas Públicas em Saúde, Mestrado Profissional em Saúde da Família, Especialização em Saúde Coletiva, Especialização em Comunicação em Saúde, Residências Multiprofissionais em Atenção Básica, Medicina de Família e Comunidade, Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, e Saúde da Família, com Ênfase em População do Campo, Floresta e Águas).

 

A diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, ressaltou que a Escola é pensada para as políticas públicas, assim como a Fiocruz, que há 120 anos preserva valores pautados na pluralidade, na confiança e no acolhimento. Ela lembrou o Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto devido à data de aniversário de Oswaldo Cruz, e a necessidade de se encarar as políticas públicas como caminho de sustentação dos direitos das pessoas. “O direito à vida está em jogo na pandemia. A Escola está comprometida com a expansão das atividades à distância para garantir a formação dos estudantes. Toda nossa solidariedade aos familiares que perderam alguém, e também aos profissionais da saúde que estão na linha de frente do cuidado”, disse.

 

A aula magna foi conduzida pelo especialista em ciência e tecnologia da Fiocruz Francisco Campos. Ele chamou atenção para as mudanças drásticas que a saúde, a educação e a cultura brasileira – marcada pelo toque, pelo abraço e pelo calor humano – tiveram e ainda terão devido à pandemia. O palestrante apontou também as oportunidades, como a alavancagem da telemedicina e da telessaúde, e do ensino à distância, que, na maior parte dos espaços, começou improvisado e, aos poucos, vai ganhando contornos específicos, considerando-se que não basta o professor ligar a câmera e dar a mesma aula que daria presencialmente. A pandemia, no entanto, aprofundou as desigualdades brasileiras em todos os níveis educacionais. “As creches estão fechadas. Há dificuldades de acesso à internet para boa parte dos alunos do ensino fundamental e técnico, o que vai comprometer o próximo Exame Nacional do Ensino Médio. Os cursos de graduação estão desestruturados”, disse. Francisco Campos também reforçou que há uma maior percepção da relevância do SUS, que ganha consenso midiático e social, mas, segundo ele, os resultados teriam sido melhores no enfrentamento da pandemia se houvesse mais investimentos governamentais na Estratégia Saúde da Família.

 

O especialista, que atua na Universidade Aberta do SUS (www.unasus.gov.br), apresentou os diferentes cursos sobre covid-19 oferecidos pela plataforma por meio da Fiocruz Brasília e também das Universidades Federais de Santa Catarina, Maranhão e Minas Gerais. Ao todo, já são mais de 315 mil matrículas realizadas. Ao final, o coordenador de Avaliação e Monitoramento de Projetos e Programas da UNA-SUS, Alysson Lemos, destacou os diferentes formatos disponíveis para facilitar o ensino-aprendizagem online. Ele também informou que o Facebook reconheceu a página da UNA-SUS como espaço confiável de compartilhamento de informações sobre covid-19, ampliando para mais de 600 mil o número de seguidores da instituição nessa mídia social.

 

Durante o acolhimento, houve espaço para falas dos representantes discentes e também dos coordenadores dos cursos. O estudante Richarlls Martins, representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz, ressaltou a importância da participação social, que, além de um princípio do SUS, é um instrumento para se garantir a implementação das políticas públicas. Foi ressaltado o apoio da Fiocruz aos pós-graduandos que não têm acesso à internet, concedendo equipamentos conforme critérios de vulnerabilidade. O representante discente da Residência Multiprofissional em Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, Guilherme Lima, enfatizou que a tecnologia se tornou uma necessidade básica e que as condições de aprender e desaprender tornam ainda mais desafiador o processo de ensino-aprendizagem à distância.

 

O  coordenador do Mestrado Profissional em Políticas Públicas em Saúde, Jorge Barreto, ressaltou o crescimento da Escola e que, em uníssono, todos estão dispostos a enfrentar as dificuldades. A  coordenadora do Mestrado Profissional em Saúde da Família (Profsaúde), Kellen Gasque, ressaltou que os alunos devem aproveitar o vínculo com a Fiocruz, um lugar de oportunidades e troca de experiências, em que se trabalha com a ciência cidadã. Wagner Vasconcelos, coordenador da Especialização em Comunicação em Saúde, cujas aulas começaram na semana passada completamente online, falou da necessidade de se reinventar no dia a dia da pandemia, tendo a comunicação como  uma atividade inerente às ações. André Fenner, coordenador da Residência Multiprofissional em Saúde da Família, com Ênfase em População do Campo, Floresta e Águas, fez a leitura de um poema de Paulo Freire sobre o sentido da escola, que finaliza esta notícia:

 

A Escola  

 

Escola é
… o lugar onde se faz amigos.
Não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos…
Escola é, sobretudo, gente
Gente que trabalha, que estuda
Que alegra, se conhece, se estima.

O diretor é gente,
O coordenador é gente,
O professor é gente,
O aluno é gente,
Cada funcionário é gente.

E a escola será cada vez melhor
Na medida em que cada um se comporte
Como colega, amigo, irmão.
Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”
Nada de conviver com as pessoas e depois
Descobrir que não tem amizade a ninguém
Nada de ser como tijolo que forma a parede,
Indiferente, frio, só.

Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
É também criar laços de amizade,
É criar ambiente de camaradagem,
É conviver, é se “amarrar nela”!

Ora, é lógico…
Numa escola assim vai ser fácil
Estudar, trabalhar, crescer,
Fazer amigos, educar-se, ser feliz
É por aqui que podemos começar a melhorar o mundo.

 

Paulo Freire