Emerson Mehry abre o ano letivo da Escola Fiocruz de Governo

Por: Fiocruz Brasília
04/04/2019

Mariella de Oliveira-Costa

 

“É preciso escolher o que seremos: um povo serial killer ou produtor de mais vidas no encontro com outras vidas?” O professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Emerson Mehry, esteve na sexta-feira, 29 de março, na Fiocruz Brasília, para ministrar a aula inaugural da Escola Fiocruz de Governo (EFG). Com uma fala provocativa e repleta de inquietudes, ele provocou a plateia ao comentar que a saúde coletiva, que nasceu “no burburinho”, hoje virou tribunal de julgamento sobre o que é ou não científico, com critérios muito rígidos. “Sou de uma geração das ‘Diretas Já!’, e observo como é possível que hoje, mesmo colocando milhões nas ruas, se é incapaz de mexer na agenda governamental da Argentina, por exemplo”, criticou.
Para Mehry, as novas organizações estão e estarão cada vez mais centradas no conhecimento, e a inteligência artificial é “completamente burra”. Citando Peter Drucker, levou os presentes a refletirem que a nova força produtiva não incide mais sobre o corpo do trabalhador, mas em seu corpo cognoscente, ou seja, aquele que realiza o ato do conhecimento.


Ele criticou a vida cotidiana que, de uma certa maneira, produz os valores do neoliberalismo, como o incentivo exacerbado ao empreendedorismo, que leva a pessoa a imaginar que ela se descolará do lugar onde está e será patrão de si mesma; ou quando se usa um aplicativo bancário no celular, e o indivíduo se torna ao mesmo tempo, o banco e o bancário de si mesmo. Ou seja, o seu modo de viver no sistema financeiro produz o sistema financeiro. Mehry afirmou a necessidade de uma nova teoria política e lembrou que, antigamente, os heróis eram operários; hoje, os novos ídolos da juventude são youtubers e empresários.


Antes da aula inaugural, a faixa de boas-vindas da EFG foi apresentada à comunidade. Seus dizeres “Espaço de compartilhamento de histórias, conhecimentos, saberes e emoções – traga seu olhar e venha somar” foram selecionados em um concurso de frases. A proposta ganhadora foi elaborada pela colaboradora do Laboratório de Inovação em Educação Permanente, Anna Pontes.
A representante discente Carolina Sampaio Vaz acredita que estudar na Fiocruz é a oportunidade de ver a ciência produzida e relacionada com os territórios. “A EFG é espaço não só de aprendizado, mas de troca de saberes conectados às necessidades do SUS”, disse.


A representante da Vice-presidência de Educação, informação e Comunicação, Cristina Guilam, ressaltou como a Fiocruz Brasília exala juventude e vitalidade e ressaltou a riqueza contida no vídeo apresentado no início da sessão, com depoimentos dos docentes coordenadores dos diferentes cursos ofertados pela EFG.


 A diretora da EFG, Luciana Sepúlveda, falou sobre o rito da aula magna como momento de lembrar o propósito da Escola, de busca pelo conhecimento. “Nosso público é formado por gestores e trabalhadores. A EFG forma profissionais reflexivos para rever o conhecimento, em meio a uma ciência e tecnologia que, por vezes, tem dificuldades em lidar com a complexidade da vida e do cotidiano. A resolução dos problemas é uma construção diária, a partir da prática reflexiva e buscamos construir espaços para a reflexão e a autonomia, com liberdade e respeito à diversidade e ao contraditório. Vamos descobrir novas possibilidades de pensar e agir”, disse.


A diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, dedicou a aula às vítimas de Brumadinho e Moçambique e ressaltou o crescimento da EFG em seus oito anos de existência. Ela lembrou os editais de financiamento abertos atualmente na Fiocruz, em especial o específico da Fiocruz Brasília, em parceria com o CNPq e aberto até o próximo dia 30 de abril. “Agradeço a oportunidade de diálogo e integração das ações de educação e as comunidades, para transformar a qualidade de vida das pessoas”, finalizou. Após a Aula Magna, foi realizada a abertura da instalação Morar em Liberdade: 15 anos do Programa de Volta para Casa e os presentes realizaram um ato em deefsa do SUS, da Saúde Mental e da Luta Antimanicomial. 

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