Construir ambientes de trabalho mais diversos, inclusivos e colaborativos é um desafio cada vez mais presente nas instituições públicas. Em um contexto marcado por transformações sociais, avanços normativos e novas demandas da sociedade, refletir sobre práticas de gestão que valorizem o respeito às diferenças e o fortalecimento das equipes torna-se fundamental para organizações comprometidas com o interesse público.
Foi com esse objetivo que a Fiocruz Brasília realizou, entre os dias 13 e 17 de abril, a 1ª Semana da Gestão, um espaço de integração, aprendizado e troca de experiências voltado ao fortalecimento das práticas de gestão institucional. Organizado pela Coordenação de Gestão da unidade, a programação reuniu especialistas convidados e profissionais da instituição para discutir temas estratégicos, como diversidade e inclusão, gestão humanizada, comunicação, gestão de conflitos e segurança da informação.
A abertura contou com o debate “Diversidade e Inclusão: Boas Práticas no dia a dia”, com participação da diretora e fundadora da Transcendemos Consultoria, Gabriela Augusto, e da escritora e servidora do Inmetro, Juliana Coutinho, com mediação da diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio. A atividade integrou o Ciclo de Inspirações – O futuro é logo aqui, iniciativa que promove reflexões sobre equidade, respeito às diferenças e ambientes de trabalho mais inclusivos.
Durante a abertura, Fabiana Damásio destacou que os desafios contemporâneos exigem mudanças culturais e compromisso coletivo dentro das instituições. “O futuro é logo aqui, porque são muitas urgências que temos que dar conta. Precisamos refletir como as políticas públicas chegam de fato à população e assumir o compromisso de construir, de forma coletiva, um mundo com mais dignidade para todas as pessoas”, afirmou.
Segundo ela, fortalecer práticas de gestão também passa por reconhecer a diversidade presente nos ambientes institucionais e promover reflexões permanentes sobre os espaços de trabalho. “Que a gente consiga reconhecer a outra pessoa que divide conosco o ambiente de trabalho. Há uma necessidade de mudança de cultura, de prática cotidiana e de reflexão permanente. Não podemos aceitar os estigmas.”
Durante o debate, Gabriela Augusto destacou que promover diversidade nas organizações vai além da presença de diferentes grupos e exige ambientes onde todas as pessoas se sintam respeitadas e pertencentes. “Não basta apenas ter mais mulheres, pessoas negras ou pessoas com deficiência. Essas pessoas precisam se sentir conectadas e respeitadas para produzir mais e melhor. A diversidade precisa estar no cerne da governança”, afirmou.
Ela também ressaltou que o Brasil possui importantes avanços normativos relacionados à inclusão, mas ainda enfrenta desafios para que essas políticas sejam efetivamente implementadas. “Temos políticas públicas, conselhos, portarias e decretos importantes, mas ainda precisamos avançar para que esses direitos cheguem à população de forma digna e plena.”
A especialista destacou ainda mudanças no perfil das novas gerações e seus impactos no mundo do trabalho. Segundo ela, mais da metade da geração Z é composta por pessoas negras e mulheres, e cerca de 34% se identificam como LGBTQIAPN+, o que reforça a importância de ambientes institucionais mais diversos e inclusivos.
Desigualdades persistentes
Em sua fala, Juliana Coutinho abordou o impacto das desigualdades de gênero e os desafios ainda enfrentados pelas mulheres na sociedade. Dados apresentados durante o encontro indicam que mulheres ainda recebem, em média, 21% menos que homens, mesmo quando possuem níveis semelhantes de escolaridade. Outros indicadores também evidenciam desigualdades estruturais: apenas 26% dos parlamentares no mundo são mulheres e 72% das mulheres relatam já ter sofrido assédio no ambiente de trabalho, sendo que uma parcela reduzida desses casos chega a ser denunciada.
Para Juliana, compreender esses dados é fundamental para ampliar o debate e promover transformações. “Leiam mulheres. É bebendo dessas fontes que a gente vai se qualificar cada vez mais em busca da igualdade de gênero.” Ela também destacou desafios como racismo estrutural, falta de representatividade, microagressões e barreiras de acesso a oportunidades, além de reforçar a importância da linguagem inclusiva e do respeito às diferentes identidades.
Durante o encontro também foram discutidas estratégias para promover ambientes mais acessíveis. Entre os desafios apontados estão falta de acessibilidade, capacitismo, desconhecimento sobre adaptações razoáveis e pouca compreensão sobre as necessidades específicas de cada deficiência. A palestrante ressaltou que o termo “pessoa com deficiência”, adotado internacionalmente a partir de 2006, reforça uma abordagem mais inclusiva e centrada na pessoa. Além disso, foram apresentadas orientações práticas para tornar os espaços institucionais mais acessíveis, como o uso de linguagem simples, descrição de imagens, legendas em vídeos, ferramentas de acessibilidade digital e comunicação mais inclusiva. “Se cada um fizer um pouquinho, conseguiremos construir um futuro mais justo”, afirmou Juliana.
Dimensões da gestão
Além da abertura dedicada à diversidade e inclusão, a 1ª Semana da Gestão trouxe outros encontros voltados ao fortalecimento das práticas institucionais. A segunda sessão abordou ferramentas de gestão para engajamento de equipes, com o tema “Gestão humanizada: responsabilidade de todas as pessoas”, conduzida por Henrique Dantas.
Na sequência, a jornalista Mariella Costa discutiu o papel da comunicação no cotidiano institucional, no encontro “Entre telas e conversas: a comunicação que faz a gestão acontecer”, apresentando estratégias para tornar a comunicação mais clara e eficaz no ambiente de trabalho.
O tema gestão de conflitos também integrou a programação, com o debate “Governança na prática: estratégias para gestão de conflitos no serviço público”, conduzido por Francisco Coelho e Karina Mendes, com foco em ferramentas de identificação, mediação e resolução de divergências entre pessoas ou equipes.
Encerrando a programação, Misael Araújo e Tharcísio Mendonça abordaram os desafios da segurança digital no encontro “Conectados e vulneráveis: os desafios da era digital”, discutindo o modelo de governança de Tecnologia da Informação da Fiocruz e boas práticas para proteção de dados e prevenção de riscos.
Ao longo da semana, os debates reforçaram que a gestão institucional envolve não apenas processos administrativos, mas também a construção de ambientes de trabalho mais colaborativos, inclusivos e preparados para responder aos desafios da sociedade.
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