Fiocruz Brasília forma turma de Tai Chi Chuan e fortalece práticas integrativas em saúde

Fiocruz Brasília 6 de abril de 2026


Roberta Quintino (Psat/Fiocruz Brasília)


No dia 31 de março, a Fiocruz Brasília celebrou o encerramento e formatura da primeira turma do Curso Livre de Formação-Ação em Tai Chi Chuan, iniciativa realizada ao longo dos meses de fevereiro e março como parte das ações de promoção da saúde e fortalecimento das práticas integrativas. Promovido pelo Laboratório de Inovação em Práticas Integrativas em Saúde (Labipis), vinculado ao Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat/Fiocruz Brasília), o curso reuniu participantes de diferentes áreas para uma formação que integrou teoria, prática corporal e reflexão crítica.

 

A proposta do curso dialoga diretamente com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) ao estimular práticas que ampliam o cuidado para além dos espaços tradicionais, valorizando o corpo, a coletividade e a relação com a natureza. Nesse sentido, a formação também resgatou o legado do Tai Chi Chuan em Brasília, especialmente a trajetória do Mestre Woo, pioneiro da prática na capital federal desde 1974, na Praça da Harmonia Universal (PHU).

 

Para a formanda Isis Lustosa, a experiência foi marcada pela profundidade pedagógica e pelo cuidado na construção do processo formativo. Segundo ela, o curso de Formação-Ação em Tai Chi – Movimento e Harmonia prezou o legado de 52 anos do Tai Chi Chuan na Praça da Harmonia Universal (PHU), inspirada no Being Tao do Mestre Woo, pois constou no plano de ensino-aprendizagem as bases sobre o memorável Espaço/Mestre.

 

Ela destaca ainda que a formação foi estruturada a partir de um Plano de Ensino-Aprendizagem, elaborado por educadores experientes, que atuaram tanto nas aulas teóricas quanto práticas. “Assim, ampliou o nosso universo de conteúdo a respeito do Tai Chi. Portanto, um material didático, cuidadosamente, pensado, elaborado e repassado aos educandos (profissionais das mais diversas formações) em educação, saúde e áreas afins”, afirmou.

 

A vivência prática também foi um dos pilares do curso. As atividades ocorreram em áreas verdes e no pátio da Fiocruz Brasília, além da própria PHU, com aulas supervisionadas e participação de educadores convidados. “Ampliaram a cada dia as vivências, somadas às singulares aulas teóricas, tão bem elaboradas. E, ainda, duas outras oportunidades de estágio supervisionado na Tenda da Fiocruz durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, ou seja, um estágio extraclasse com o público diversificado”, destacou a formanda.

 

Isis aponta também o compromisso com a continuidade e expansão da prática. “A aplicação desses ensinos e aprendizagens, interpreto são iniciados com o autocuidado e, no meu espaço de vida pessoal, o que significa ampliar, primeiramente, em mim a prática do Tai Chi. Assim sendo, irei aprimorá-la, pois é o caminho de segurança para destiná-la como meio de saúde e fomento de ‘rede de cuidado’ com responsabilidade naquilo o que se aprende e ensina com os benefícios concretos dessa prática milenar à saúde. Dessa forma, levá-la a algum dos espaços de ensino ou grupo de trabalho/estudo que já atuo como cidadã e/ou profissional nas minhas formações no âmbito da saúde na fisioterapia ou na educação nas áreas das ciências humanas e sociais”, ponderou.

 

Tai Chi como prática de saúde, autonomia e comunidade

Responsável pela condução do curso, o professor Magno Silva avalia que a inserção do Tai Chi Chuan na Fiocruz Brasília está alinhada à própria missão institucional de promoção da vida e saúde em conexão com a natureza. Para ele, a prática vai além do exercício físico, sendo uma ferramenta de integração entre corpo, mente e coletividade. “Praticar o Tai Chi Chuan é autonomia, é praticar o seu potencial manifesto, toda vez que você precisa de mais energia, de mais disposição, de mais equilíbrio, de integração, de conexão. Praticar Tai Chi Chuan é isso”, assinalou.

 

O professor também destaca o potencial do Tai Chi Chuan como instrumento de construção de comunidades e fortalecimento de vínculos. Segundo ele, é uma prática acessível, que pode ser realizada em diferentes contextos e que dialoga com valores fundamentais para o cuidado em saúde, como disciplina, equilíbrio e gestão da energia física e emocional.

 

Apesar dos avanços, Magno Silva aponta que o principal desafio é transformar iniciativas pontuais em ações permanentes e estruturadas dentro das políticas públicas de saúde. Ele ressalta que o Tai Chi já está presente em diferentes territórios, incluindo unidades de saúde e espaços comunitários, mas ainda de forma desigual.

 

Para avançar, o professor defende a necessidade de integrar formação e aplicação prática. Ou seja, garantir que cursos como o realizado na instituição sejam acompanhados de experiências concretas em escolas, comunidades, empresas e serviços de saúde, estimulando a construção de redes de cuidado, conectadas com a vida cotidiana.

 

Fotos: Roberta Quintino (Psat/Fiocruz Brasília).

 

 

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