Fiocruz Brasília realiza 4ª Reunião do Conselho Griot do Projeto Ecoilê

Fiocruz Brasília 31 de março de 2026


Marcelo Moreno (Projeto Ecoilê)

 

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sediou, nesta segunda-feira (30/3), a 4ª Reunião do Conselho Griot do Projeto EcoIlê. O encontro reuniu lideranças religiosas dos oito terreiros do Distrito Federal participantes da iniciativa, além da coordenação e das equipes de assessoria do projeto.

 

O Projeto Ecoilê é fruto de parceria entre a Fiocruz Brasília e o Instituto Federal de Brasília (IFB), Campus Planaltina, e conta com recursos provenientes de emenda parlamentar da deputada federal Erika Kokay.

 

Instância central de governança do projeto, o Conselho Griot constitui o espaço coletivo responsável pela definição das diretrizes estratégicas do projeto. Esta foi a primeira reunião do colegiado em 2026 e contou com a recepção da coordenadora do projeto e vice-diretora da Fiocruz Brasília, Denise Oliveira, e do coordenador do CoLaboratório de Ciência, Tecnologia, Inovação e Sociedade (CTIS), Wagner Martins.

 

Durante a abertura, Wagner Martins destacou a relevância da iniciativa ao promover a reconexão entre sociedade e natureza. Segundo ele, o contexto contemporâneo tem afastado os indivíduos de uma leitura mais sensível dos sinais da vida natural. “Este projeto contribui para que voltemos a ter contato com a vida e com a natureza, fundamentado em uma filosofia e uma cosmovisão que vão além da ciência”, afirmou.

 

A reunião também contou com a participação do presidente da Fiocruz, Mario Moreira, que reforçou o compromisso institucional com os povos e comunidades de terreiro. Em sua fala, destacou o papel da Fundação na promoção da equidade e no enfrentamento às desigualdades. “Este tema é muito caro para a Fiocruz, que luta por uma sociedade mais justa e sem qualquer tipo de discriminação. Contem com a Fiocruz!”, declarou.

 

O encontro foi marcado ainda por um momento de espiritualidade e tradição, com a saudação ancestral conduzida por Mãe Sueli de Omolu, que ressaltou a importância do projeto para o fortalecimento dos terreiros enquanto territórios de promoção da saúde, soberania e segurança alimentar.

 

Na programação da manhã, foram apresentados informes sobre a visita técnica aos terreiros, prevista para o dia 18 de abril de 2026, além do andamento das ações de transição energética e do lançamento do próximo número da revista Roça de Saberes.

 

Também foram divulgados os resultados da atividade de cartografia social, apresentados por Mara Lúcia Costa, que evidenciaram as principais vulnerabilidades e ameaças identificadas nos territórios. A próxima etapa prevê a construção coletiva de planos de ação específicos para cada terreiro, com início previsto para maio de 2026.

 

No período da tarde, o debate concentrou-se na elaboração de uma nova proposta de emenda parlamentar voltada à economia solidária. A partir de uma apresentação conceitual sobre economia criativa e “economia do axé”, os participantes contribuíram com reflexões e propostas.

 

Como encaminhamento, foram definidos cinco eixos prioritários para orientar a iniciativa:

  • Mapeamento e diagnóstico participativo dos territórios
  • Formação em economia criativa, solidária e autogestão
  • Fomento às iniciativas produtivas
  • Desenvolvimento de estratégias de comercialização (feiras, redes e plataformas digitais)
  • Comunicação e valorização das experiências

 

Os eixos foram aprovados pelo coletivo como base para o encaminhamento da proposta.

 

A reunião foi encerrada com informes dos terreiros e a entoação de cânticos sagrados, reafirmando o caráter coletivo, cultural e espiritual que orienta o Projeto Ecoilê.

 

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