Iris Pacheco (Psat/Fiocruz Brasília)
O polo Juazeiro/Petrolina sediou, nesta quarta-feira (25/2), a Oficina de Articulação Territorial, etapa inicial da formação-ação em Promoção da Saúde e Participação Social. A atividade aconteceu no Centro Cultural João Gilberto, em Juazeiro (BA), reunindo cerca de 100 participantes da Bahia, Pernambuco e Piauí.
O encontro marcou o início do projeto Territórios Saudáveis e Sustentáveis na Promoção do Cuidado, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz Brasília, por meio do Programa de Promoção da Saúde, Ambiente e Trabalho (PSAT). A proposta é fortalecer a promoção da saúde nos territórios a partir da participação social e da articulação entre diferentes setores.
O coordenador do PSAT e pesquisador da Fiocruz Brasília, André Fenner destacou a importância de compreender a saúde de forma integral e articulada aos movimentos sociais e aos territórios. Segundo ele, dentro da perspectiva de “uma só saúde”, é fundamental garantir a saúde em todas as políticas públicas, reconhecendo seu caráter transversal e intersetorial. “Dentro dessa política de uma só saúde para o mundo, a questão é ter a saúde em todas as políticas, porque isso é uma temática transversal que envolve vários setores. E o PSAT resolveu trabalhar com esses movimentos sociais, se preparando para cada vez para implementar projetos como este, de promoção da saúde e promoção dos territórios.”
Já a assessora técnica do Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde (DEPPROS/SAPS/MS), Jemina Prestes de Souza, ressaltou que o projeto permite sistematizar e dar visibilidade às experiências de cuidado desenvolvidas nos territórios. “Mapeando essas ações com esse diálogo com as lideranças locais dos municípios onde estamos executando esse projeto, a gente consegue mapear e divulgar essas iniciativas.”
O cuidado no contexto do semiárido
Às margens do Rio São Francisco, a diversidade territorial e cultural do semiárido reafirma que os saberes locais são fundamentais para fortalecer práticas de promoção da saúde já existentes e construir caminhos sustentáveis para o cuidado coletivo.
Érica Daiane, da Secretaria da Mulher e Juventude de Juazeiro, chamou atenção para as especificidades da região do semiárido. “Pensar o território do cuidado é não desvincular dessa realidade, desse contexto que é social, climático e também cultural. Hoje no trabalho com jovens e mulheres a gente vê que há uma necessidade de se olhar para a saúde integral.”
Tatiane, enfermeira sanitarista e assessora técnica da Secretaria de Saúde de Juazeiro, destacou que o curso fortalece o diálogo entre movimentos sociais e conselhos municipais, contribuindo para a construção de políticas públicas em saúde. “É importante ressaltar que a participação popular se entrelaça com as ações de promoção e prevenção para a construção de políticas públicas democráticas que tragam acesso de qualidade ao sistema único de saúde.”
Nesse trabalho junto aos movimentos sociais, o debate da educação popular em saúde emerge como uma força ancestral. Uma vez que, é uma prática que fortalece a autonomia das pessoas e amplia a participação social na construção das políticas públicas.
Para Maria da Conceição, a base da promoção da saúde está na educação popular e nas lutas históricas dos movimentos sociais e das comunidades. Segundo ela, o cuidado se constrói nos territórios de pertencimento, ancorado nos saberes ancestrais e na experiência coletiva. “A luta pela saúde vem com as nossas ancestralidades, com o conhecimento de quem viveu muito tempo antes de nós. E ela acontece em vários territórios de pertencimento.”
Ao reconhecer que o cuidado nasce também da vivência coletiva e da ancestralidade, a educação popular contribui para uma saúde integral, democrática e comprometida com a transformação social.
Edna Paixão, coordenadora do coletivo de saúde da Conaq e do Quilombo Boa Vista, em Afrânio (PE), destacou que falar em território de cuidado é também falar dessa convivência com meio ambiente e sua sustentabilidade. “É sustentável porque a forma como a gente lida com a terra e preserva o meio ambiente é sustentavel e falar de território de cuidado é falar dessa preservação e desse espaço que cuida da nossa alma.”
Na mesma perspectiva, Daniela Silva, da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), ressaltou que o acesso à água é uma ação estruturante de promoção da saúde. “Entendemos o acesso à água como uma promoção à saúde. Uma vez que essas famílias tenham acesso à água e a mesma seja democratizada, permite, especialmente para as mulheres, uma maior qualidade de vida.”
Próximos passos
Nesta primeira etapa, a oficina teve como objetivo promover o diálogo entre gestores locais de diferentes áreas — Saúde, Mulher, Igualdade Racial, Direitos Humanos, entre outras — além de movimentos sociais, universidades e atores estratégicos da região.
A pesquisadora colaboradora do PSAT da Fiocruz Brasília, Missifany Silveira, explicou que o projeto está organizado em três metas:
O processo formativo envolverá municípios da Bahia, Pernambuco e Piauí, entre eles Campo Formoso, Casa Nova, Curaçá, Juazeiro e Sobradinho (BA); Afrânio, Cabrobó, Lagoa Grande, Orocó, Ouricuri, Petrolina, Salgueiro, Santa Maria da Boa Vista e Serra Talhada (PE); além de São João do Piauí e São Raimundo Nonato (PI).
Desenvolvido em 15 territórios, abrangendo os 26 estados e o Distrito Federal, o projeto Territórios de Cuidados busca mapear, reconhecer e impulsionar experiências que integrem saúde, ambiente e trabalho a partir da participação social.
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Fotos: Roberta Quintino
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