Fiocruz e Ministério da Saúde realizam encontro de boas-vindas para supervisores clínico-institucionais da RAPS

Fiocruz Brasília 23 de dezembro de 2025


Bruna Viana (Nusmad/Fiocruz Brasília)

 

Encontro online reuniu quase 400 participantes e marcou o início das ações do projeto de supervisão clínico-institucional, que atuará em 313 CAPS, em 198 municípios, nas cinco regiões do país

 

A Fiocruz Brasília e o Ministério da Saúde realizaram, no dia 19 de dezembro de 2025, o encontro online de boas-vindas aos 313 supervisores clínico-institucionais selecionados para atuação na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A atividade marcou o início das ações do projeto de supervisão institucional e reuniu quase 400 participantes em sua primeira etapa, aberta a todos os interessados. A gravação completa do encontro já está disponível.

O encontro integra a parceria firmada entre a Fiocruz Brasília, por meio do Núcleo de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Nusmad), e o Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (Desmad), da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde. A iniciativa reafirma o compromisso com o fortalecimento de uma RAPS territorializada, alinhada aos princípios do cuidado em liberdade, da desinstitucionalização e dos direitos humanos.

 

Na abertura, o diretor do Desmad, Marcelo Kimati, destacou que a supervisão clínico- institucional faz parte de um conjunto mais amplo de estratégias voltadas à qualificação da rede. “A supervisão é uma das estratégias que compõem um processo contínuo de qualificação da RAPS, articulado a outras ações, como cursos e projetos formativos. Mais do que um dispositivo de capacitação, ela atua na transformação dos processos de trabalho, fortalecendo uma prática reflexiva, articulada à Política Nacional de Humanização e ao trabalho em rede”, afirmou.

 

Kimati ressaltou, ainda, o caráter analítico da supervisão, com impactos que extrapolam o cotidiano dos serviços. “Trata-se de um processo que produz desdobramentos na organização do sistema como um todo, contribuindo para que as ofertas de educação permanente funcionem de forma integrada e em rede”, completou ao destacar sua experiência acumulada em iniciativas dessa natureza desde 2005.

 

Também participaram da abertura André Guerrero, coordenador do Nusmad/Fiocruz Brasília, e Bruno Ferrari Emerich, coordenador da RAPS no âmbito do Desmad, que contribuíram para o debate sobre os desafios estruturais enfrentados pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o papel estratégico da supervisão no fortalecimento da rede.

 

Para André Guerrero, o projeto tem na supervisão clínico-institucional os eixos centrais de formação, qualificação e reflexão sobre o cuidado ofertado. “A prática da supervisão clínico-institucional é o coração desse projeto. Ela responde a uma demanda histórica da RAPS e se consolida como um espaço coletivo de reflexão e análise das práticas, fundamental para sustentar o cuidado em liberdade”, destacou. Segundo ele, a iniciativa representa um investimento direto na rede e um compromisso com o cuidado em liberdade e a defesa dos direitos das pessoas.

 

Guerrero explicou que o trabalho será desenvolvido com atividades semanais junto aos CAPS, prevendo espaços sistemáticos de discussão e reflexão sobre o processo de trabalho, além da realização de diagnósticos situacionais dos serviços. Informações administrativas e orientações operacionais serão encaminhadas aos supervisores por e-mail, e, em paralelo, será conduzida uma pesquisa para subsidiar a produção de conhecimento sobre a realidade dos serviços e dos territórios.

 

A programação do encontro contou também com a mesa “Diálogos sobre Supervisão”, com a participação da médica psiquiatra Ana Maria Lobosque, referência nacional na área de saúde mental, que abordou a importância da supervisão clínico-institucional na consolidação do modelo psicossocial. Em sua fala, Lobosque destacou o caráter inovador da chamada pública. “Este é um projeto que traz uma novidade importante ao incorporar o apoio das referências técnicas, buscando promover maior coesão e articulação das práticas, sem perder de vista as particularidades dos territórios e a dimensão continental do país”, afirmou.

 

Durante o encontro, foram apresentadas as 10 referências técnicas nacionais, que terão papel central no apoio, acompanhamento e articulação do trabalho dos supervisores clínico-institucionais nos diferentes contextos territoriais. Elas foram selecionadas considerando a trajetória e o trabalhado desenvolvido junto à RAPS, conheça cada uma delas no vídeo. O projeto prevê a atuação dos supervisores junto a 313 CAPS, localizados em 198 municípios, abrangendo as cinco regiões do país.

 

No segundo momento do encontro, restrito aos supervisores clínico-institucionais selecionados, a atividade foi conduzida em conjunto com as referências técnicas nacionais, com a organização dos participantes em grupos de trabalho. Nesse espaço, foram apresentadas as orientações iniciais para o desenvolvimento das atividades, incluindo o início do trabalho nos territórios, os processos de monitoramento, as entregas previstas e os encaminhamentos gerais para a execução da supervisão clínico-institucional junto aos serviços.

 

A iniciativa reforça a supervisão clínico-institucional como uma estratégia estruturante de qualificação do cuidado na RAPS, fortalecendo práticas alinhadas aos princípios do SUS e às diretrizes da Reforma Psiquiátrica brasileira.

 

Dê o play no vídeo abaixo e reveja como foi o encontro de boas-vindas aos supervisores clínico-institucionais da RAPS.

 

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